Renate Emanuele emocionei-me com o seu poema,

com sua alma de poeta e a delicadeza do  seu rimar,

que escrevi essas toscas linhas, dentro do mesmo tema,

eu sinto o poeta assim, como uma bela canção de ninar.

 

Talvez eu tenha invadido seu espaço, sem pedir permissão,

mas não pude conter o eco da poesia que carrego no peito,

não sou um poeta, mas tenho o cacoete de ter emoção,

se aceitar esse dueto, eu me sentirei feliz e refeito.

                          Bernardino Matos.

 

 

APENAS UM POETA

Renate Emanuele

 

Lápis, papel, em um momento de inspiração
Surgem pensamentos, anseios, vislumbres
Com sentimentos aflorados da alma em lume
Então descreve-se as quimeras do coração
 
Saudade, paixão, amor, ilusão entre riscos
Não sei se será fantasia ou mera realidade
Se em versos se cantam alegrias, saudade
Lindos sonhos que pairam entre rabiscos
 
São as notas vibrantes da poesia em pauta
São acordes de ternura em vibrante sintonia
São sandálias dos pés descalços da poesia
 Melodia de anjos tocados ao som da flauta
 
Mas a alma dolorida em fragmentos vegeta
São nossos mais íntimos segredos revelados
Os amores e dissabores por nós consagrados
Louco ou sentimental, apenas sou um poeta
 
 
 
 
APENAS UM POETA
Bernardino Matos
 

Ah! se você consegue, em simples versos traduzir,

a forte emoção que sente quando o sol clareia,

no rompante da manhã, pra dizer do seu sentir,

seu coração é de poeta  em noite de lua cheia.

 

Ah! se consegues a varanda do teu amor alcançar,

e com palavras doces, na força de um poema,

e através de sua vidraça, baixinho, sussurrar,

como poeta dirás: amor, você agora é meu tema.

 

Ah! se pudesses, assumir do teu  amor o sofrer,

para por ele chorares, quando a saudade viesse,

para acalmar seu coração e melhorar seu viver,

serias um poeta feliz, como se no paraíso estivesse.

 

Ah! somente o poeta, é capaz de vivenciar,

a suavidade da doçura na força do acalanto,

de uma mãe que se debruça para poder ninar,

sua criança adormecida,que amanhã vai sonhar.

 

Ah! é preciso ser poeta, para poder compartilhar,

a amargura da solidão de um pobre solitário,

que nem um ombro amigo ele encontra pra chorar,

ele poderia amenizar a dor desse triste itinerário.

 

Ah! somente o coração do poeta, pode amparar,

cada menino de rua e sua infância devolver,

para vê-lo sorrir, correr, soltar pipa, jogar,

para matar sua fome e feliz vê-lo crescer.

 

Ah! somente a alma do poeta, pode consolar,

os enfermos, que estão tristes aguardando,

o desfecho fatal , esperando a morte chegar,

para dizer-lhes a eternidade está chegando.

 

Ah! a afeição do poeta, pode unir os corações,

sofridos, aparar as arestas, fazer predominar,

a força do amor, da paz, da ternura das emoções,

além de espalhar flores, nesse novo caminhar.

 

Ah! a ternura do poeta, acolhe os  velhinhos,

abandonados, sofridos, perdidos, desolados,

para repor seus sonhos, devolver-lhes os carinhos,

dos filhos, dos netos, de amor serem cercados.

 

Ah! a emoção do poeta, pode em verso exaltar,

a beleza da natureza e se ajoelhar agradecido,

a Deus por toda essa riqueza lhe disponibilizar,

e pedir-lhe perdão por ter, às vezes, esmorecido.

 

Alguém poderá me questionar, dentro da racionalidade,

não precisa ser poeta, para tudo isto entender e praticar,

e eu respondo com segurança, na força da veracidade

somente o poeta é capaz de a dor e o amor expressar.

 

Para, porém, traduzir na veracidade da poesia,

todas as agruras e as desilusões da humanidade,

é preciso, de fato, ser poeta, pois ele entoa a sinfonia,

emite o som da dor, o sussurro do amor e o sufoco da saudade.

 

Fortaleza, 28 de julho de 2006.

 

 

 

 

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