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A
IMAGEM DA FOME
Renate
Emanuele
Caída
por terra, estatelada está a criança,
chora
em seu pranto, agora tão solitária.
Desamparada,
sofrida, em mudez pária,
não existe para
ela nenhuma esperança,
já
que a morte tenha roubado de si aquela
que
a vida do ventre um dia tenha nascido.
Não
consegue seu franzino corpo erguido
é mais uma das
vítima que a terra esfarela.
Em
seu duro leito não mais vive só espera
A
fome assombra do que definha, desseca.
Sua carne
em vida, o sol queima e resseca,
Mostras
das misérias desta vida, desta era
Inocente
criança, neste chão árido se deita.
Não
pensa, nem lamenta, talvez só respire.
Terá,
por ventura, quem desta vida suspire?
Sua
carniça, só o abutre faminto a espreita.

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