Maestro, arranjador, pianista e vibrafonista, Mazzucca ficou conhecido pelo incans�vel trabalho � frente de sua orquestra, que embalou grandes bailes de cinco gera��es, desde a d�cada de 50. Mazzucca nasceu no Bexiga, em S�o Paulo, em 1919. Come�ou a estudar piano aos 6 anos. Ainda crian�a, substitu�a o pai como pianista titular dos cultos da Igreja Nossa Senhora Achiropita. Com 12 anos, conseguia seu primeiro emprego, na prestigiada orquestra da Sociedade Recreativa Esportiva Gabriele D'Annunzio. Nisso, foi ajudado pelo irm�o, presidente do clube, que se casou com a pianista deixando aberta sua vaga. "Ele amea�ou todos os m�sicos, caso eles n�o me aceitassem", lembrou certa vez em uma entrevista. Pouco ap�s completar 19 anos, Mazzucca era convidado para tocar no r�dio. Come�ou na Educadora Paulista (PRA-6), onde apresentava-se "sem receber um tost�o, apenas para fazer nome". Em 1938, ingressava na R�dio Tupi como pianista da orquestra Juca e Seus Rapazes. S� que Juca, pouco depois, deixava a emissora e seu substituto, Jota Fran�a, tamb�m n�o duraria muito no cargo. Nesse contexto � que Mazzucca regeria, aos 23 anos, sua primeira orquestra, com uma forma��o que era o padr�o da �poca: piano, baixo, bateria, tr�s saxofones, dois pistons e trombone. Acompanhou a evolu��o do r�dio no pa�s at� que, em 1945, foi convidado a criar sua primeira orquestra em uma boate que seria inaugurada no Largo Santa Cec�lia, a c�lebre Clipper. Dois anos mais tarde, em 1947, aceitou um convite para ser diretor art�stico da R�dio Bandeirantes, com programas musicais ao vivo. L� ficou at� 1962, seguindo ent�o, j� com sua pr�pria orquestra, para a TV Excelsior. Em, 1969, com o fechamento da emissora, ficou desempregado. E passou pelo que garantia ser o pior momento de sua carreira, � medida que a febre da Jovem Guarda ganhava cada vez mais for�a. "Quando eles surgiram, fomos obrigados a parar por uns anos, porque todo mundo s� queria ouvi-los", disse certa vez. "Fiquei falando sozinho, a orquestra ao vivo estava meio fora de moda�. �Surgiram as fitas, os pequenos conjuntos, a m�sica barulhenta", lembrava Mazzucca que, para se virar, comprou um �rg�o e tocava em casamentos, batizados e tamb�m no restaurante do Terra�o It�lia. Recriou sua orquestra em 1972, ajudando a manter viva uma tradi��o musical da qual foi grande s�mbolo. No in�cio dos anos 80, foi convidado para trabalhar no programa Festa Baile, na TV Cultura. "A orquestra do Mazzucca � a melhor do Pa�s", garantiu em diversas ocasi�es o tenor Agnaldo Rayol, que comandou at� 1990 o programa, ao lado do maestro. Em alguns per�odos, Mazzucca chegava a fazer 80 festas de formaturas, no per�odo de dezembro a mar�o. E, ao longo dos anos, sua trajet�ria misturou-se com a de alguns dos principais artistas brasileiros, da �poca e de todos os tempos. Em est�dios de r�dio e em grava��es, acompanhou S�lvio Caldas, Francisco Alves, N�lson Gon�alves, Orlando Silva, Dalva de Oliveira, Herivelto Martins e �ngela Maria. Aproximou-se de lendas do jazz, como o trompetista Dizzy Gillespie. Foi o respons�vel pelo in�cio da carreira de Hebe Camargo, sua primeira cantora. "Como era menor de idade, ela ia aos shows acompanhada da m�e." Lan�ou mais de 20 LPs - n�o sabia dizer exatamente quantos gravou, mas acreditava que "a boa m�sica, a boa orquestra, ainda pode vender discos, porque o p�blico gosta do que � bem-feito". Um de seus �lbuns, Festa de Anivers�rio, foi sucesso de vendas tamb�m na Argentina. O maestro faleceu aos 82 anos, em 22 de janeiro de 2003. |