Artigos componentes do I Seminário de Jornalismo Lusófono

 

 

Livres do passado

... AIM ...

 

Manifesto da AIM

... Dália Negra ...

 

Jornalismo Ambiental no Micronacionalismo

... Wagner Bacciotti ...

... Dália Negra ...

 

Imprensa Macro x Imprensa Micro

... KOD Shuatzger ...

 

Parcialidade e Nacionalismo

... Bruno Crasnek ...

 

Vida de jornalista

... Tales Vaz Halliwell Shuatzger ...

 

 

 

 

 

Livres do passado

 

         O que é a Associação de Imprensa Micronacional? Essa pergunta é fundamental para que nosso trabalho possa ser explicado e compreendido. Uma reunião de jornalistas em busca de formas melhores de exercer a arte de informar.

         É quase impossível, entretanto, não comparar essa associação com a anterior, cujo nome é um anagrama da atual: AMI. Foram alguns anos discutindo, com dezenas de pessoas cadastradas, em busca de certos objetivos. A AIM não pretende repetir esse feito, pelo contrário, deseja aprimorá-lo.

         Não convidamos participantes. O desejo de participar deve vir de cada um. Qualquer pessoa está convidada a participar dos debates da AIM, e por isso mesmo a Associação é livre.

         Não criamos um centro de poder. Isso talvez seja um erro em longo prazo, pois nem mesmo regras escritas nós temos. O que vale, entretanto, é a educação e a democracia. Todos possuem direito a votar em projetos e idéias dentro da AIM, assim como participar ou não delas. Não existe um sistema de punições, principalmente porque não precisamos de um.

         Não desejamos controlar ou padronizar a imprensa. Isso seria acabar com toda a criatividade dos jornalistas, colocando-os todos em uma prisão invisível.

         Então qual é, afinal, nosso objetivo? Antes de definir isso, que tal pensar em qual é o nosso alvo? A resposta é simples: repórteres, colunistas e também leitores. Sim, os leitores possuem um papel fundamental na imprensa: todo jornal, revista, boletim, portal e qualquer outro material informativo em como alvo os leitores.

         Conscientização. Os leitores podem escolher o que desejam que esteja em suas caixas de mensagens. Não apenas podem, mas devem, pois somente assim alguma atitude poderá ser tomada pelos jornais. Reclamem, discutam, mostrem sua satisfação ou insatisfação. Esse é o único caminho para um jornalismo melhor.

         Ética. Encontrar o que é certo ou errado é fundamental para nós, jornalistas. Temos o direito de julgar nossos colegas em público? Temos o direito de defender uma causa chamando cidadãos de ursinhos e vacas? Temos o direito de expressar nossa opinião sem se preocupar com o que os outros pensam? É a resposta para esse tipo de pergunta que procuramos. O que é a ética?

         Seriedade, paixão. Um jornal não pode durar sem que as pessoas que o fazem sintam sincera vontade de fazê-lo. Um editor deve querer montar o jornal toda semana (ou mês, ou ano), um colunista deve ter disposição para escrever, um repórter deve gostar de informar. Todos devem fazê-lo por gosto, de outra forma veremos apenas jornalecos de duas edições com a função de causar confusão.

         A imprensa é a arma mais forte do micronacionalismo, sem a menor sombra de dúvida. Como vamos usá-la ou passá-la adiante depende da forma como pensamos e encaramos o mundo. Se queremos viver no passado, onde o poder era o que contava, vão e entreguem-se à ilusão de imprensa perfeita que temos.

         Mas, se procuramos utilizar essa “arma” com sabedoria, porque não o fazermos juntos? É para isso que a AIM nasceu: para que a imprensa possa melhorar, de uma forma ou de outra. Mas, para melhorar, primeiro devemos admitir que não estamos bons o bastante, e essa é a parte mais difícil.

 

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Manifesto da AIM

 

 

         Imprensa escrita: Meio de comunicação baseado na palavra escrita. Inclui os jornais e as revistas, além de outros veículos, como os rádios, onde tem se tornando presente no micromundo. Existem também os Portais, informativos, boletins oficiais e como não poderia deixar de citar o descolado blog, que também é um meio de comunicação escrita.

 

         JORNAIS – quantos jornais existem na comunidade lusófona? Impossível contar... É a mesma coisa que querer catalogar quantas micronações existem ao redor do mundo.

         A palavra é o seu poder dentro do micromundo. Todas as micronações possuem seus jornais. Inclusive, os jornais geralmente são considerados como iniciativa primordial no estabelecimento das micronações. Em Marajó, por exemplo, foi a Tribuna de Marajó que mostrou ao micronacionalismo da época que Marajó existia.

 

         Uma associação já foi criada com o intuito de formar uma consciência jornalística, infelizmente não se saiu bem sucedida. E a necessidade de e carência dentro do jornalismo do micromundo continua, daí o interesse em se formar uma nova associação.

         Muitas coisas devem ser revistas inclusive conceitos. Perguntas ficam no ar. Será que existe oposição e jogos de interesses dentre os jornais? Existe manipulação política e imparcialidade?

         A essas perguntas é muito fácil concluir as respostas, dado que o bom leitor percebe quando ele é manipulado pela mídia e pelos meios de comunicação. Por isso já tarda o momento dos jornalistas sérios exporem o que pensam ao micromundo, mostrando a sua visão, a finalidade da notícia, a moral e ética e principalmente: o compromisso com a verdade.

         É por esse compromisso com a verdade que os associados da AIM redigiram este manifesto. Para mostrar a indignação com atos imorais cometidos na história do jornalismo micromundial. E mostrar que estamos dispostos a mudar.

 

Breve histórico sobre jornalismo:

         O início da propagação dos meios de comunicação impressos aconteceu no dia do mês do ano.

         Informatização - A partir do final da década de 80, o moodo de produção da mídia impressa muda radicalmente. Com a informatização das empresas jornalísticas, todas as etapas da produção tornam-se digitalizadas. O texto passa a ser elaborado em computador, facilitando o trabalho de repórteres e editores. A editoração eletrônica substitui a fotocomposição. Nesse novo processo, as páginas também são diagramadas no computador. Do arquivo eletrônico é gerado o fotolito. Na década de 90, o sistema filmless (sem filme), possibilita a gravação diretamente no cilindro de impressão, por meio de impulsos eletrônicos transmitidos pelo computador. Assim, elimina a utilização do fotolito.

         A transmissão eletrônica das informações viabiliza a impressão simultânea de um jornal em diferentes cidades. Neste final de século, com o desenvolvimento de novas tecnologias e da informática, a mídia impressa diversifica as maneiras de veicular a informação. Jornais e revistas começam a lançar no mercado versões eletrônicas de suas publicações em CD-ROM e a apresentar seus conteúdos na rede mundial de computadores, a Internet.

         Antes de se comentar sobre qualquer coisa é necessário saber um pouco sobre a história do jornalismo e como ela começou.

         Os jornais surgiram pela necessidade de mostrar através da palavra os fatos que aconteciam dentro de cada micronação. O jornal mostra a história do país, das lutas, dos partidos políticos, da cultura e da sociedade. Mostra o surgimento, ascensão e queda. Por isso ele deve ser verdadeiro. Um jornal que não é verdadeiro não apenas passa uma imagem errada para seus leitores, mas também cria uma ficção de utopia desnecessária.

         Pode-se notar que os jornais são distintos entre si e podemos encontrar desde o jornal sério comprometido com a verdade ao jornal sensacionalista, onde a narração dos fatos e suas fontes são duvidosas.

         A partir da criação de novas micronações surgiram novos jornais, alguns seguindo a velha forma de sempre e alguns inovando, vendendo a idéia de um produto novo, o que não quer dizer que seja de ótima qualidade.

Destes poucos prevaleceram.

         Dessa forma o que se tem procurado é satisfazer aos mais diversos gostos de leituras e às necessidades de acordo com o povo. Com isso acabou-se por perder um pouco da qualidade e do conteúdo do jornal, e isso tem se persistido por muitas vezes e seguido por pessoas com um senso crítico menos apurado. E é fácil manipular o leitor através de uma leitura tendenciosa.

         Mesmo assim o jornalismo se transformou numa espécie de bom negócio dentro do micromundo, sendo classificado como empresa... ao invés de jornal. As pessoas reclamam?

         Queremos ver mais pessoas com senso crítico. E oferecendo críticas construtivas. Todo mundo pensa e tem o direito de se manifestar livremente. O jornal deve crescer de acordo com sua micronação e elevar ela a um patamar não elevadíssimo, mas de um local sério e bem estruturado. Cada etapa percorrida dentro do desenvolvimento é diretamente proporcional ao jornal, porque ele irá refletir a realidade do povo.

         E friso que o jornal e suas palavras desempenham um papel importantíssimo e revolucionário na história de um povo.

 

A expressão da palavra:

         Quem detém informação detém o poder. Essa é uma frase conhecida pro todos. Ela é verdadeira, porém mais verdadeiro é: quem tem o dom da palavra tem maior poder ainda. Esse parágrafo ficou muito bom...

         Por isso é importante ter noções de moral. Uma pessoa má intencionada vai usar esse dom em benefício próprio turvando o pensamento de outrem. É preciso vencer esse tipo de egoísmo. É necessário haver imparcialidade. Alguns jornais ainda mantêm a parcialidade e ainda assim cumprem com a sua função de levar a verdade. Existe uma diferença entre parcialismos, e, deixar a opinião do jornal nas notícias de forma explícita OU influenciar o leitor a acreditar em algo disfarçando a realidade com opiniões.

         Tomem o devido cuidado ao tornarem a dignidade pessoal como um bem comum de troca, trocando em miúdos não se venda. Não use a liberdade que é algo tão valioso e o respeito conquistado por esforço, pelo breve momento de fama. O preço que se paga depois pela perda da respeitabilidade jamais volta da forma como era antes. É vergonhoso ver como são explorados fatos de forma sensacionalista, agressiva e cínica nos jornais. Acusações de ordem pessoal e “barracos” com alfinetadas veladas entre um editor, um colunista ou repórter, cansam o leitor.       Ninguém merece ler sobre essas situações desagradáveis. Que haja a livre concorrência, mas que haja também respeito.

         “As criações intelectuais de uma nação tornam-se propriedade comum de todas. A estreiteza e o exclusivismo nacionais tornam-se cada vez mais impossíveis; das inúmeras literaturas nacionais e locais, nasce uma literatura universal (Marx e Engels 1888)”.

 

O leitor:

         Quem lê se pergunta: qual é a sua posição diante dos fatos? O que eu sou diante das palavras e notícias? Sou mero expectador ou parte de todo?

         O que você lê reflete o que você vive. É dessa forma que se lê com consciência. Mas há outros tipos de leituras também, e que não retratam necessariamente a vida que se leva.

         Não existe essa história de eu sou leitor e ele é jornalista. O jornalista escreve o que aconteceu com você e o que acontece na micronação. Em discordância também existe a linha de pensamento onde o jornalista tem uma linha de ação que pode influenciar diversas decisões dos leitores, e vice-versa. Ou seja, cada um tem um poder definido, mas que é exercido de maneira diferenciada.

         Não se deixe manipular pelo que você lê. Procure averiguar a veracidade dos fatos. O jornal sério não acusa sem ver e não esconde o que acontece. Deve haver interesses em comum entre leitor e jornal. Ambos são um conjunto e um complementa o outro.

         Você sabe o que você lê e o que lê se reflete no que diz e no que faz. As suas idéias por mais que não admita são altamente influenciáveis pelo seu tipo de informação.

         A literatura e o hábito de ler nem sempre soa agradável a todos, mas é necessária para que se possa fazer as devidas observações.

         O que temos notado é uma certa apatia ao que acontece ao redor. As pessoas andam cada vez menos politizadas e mais alienadas. Balance um pouco os seus conceitos e não se conforme com tudo que lê. Dessa forma, leitor, você cumpre seu dever exercendo o que é o seu direito.

         Fuja da leitura meramente especulativa, principalmente quando o assunto é política e economia. Onde não existem reivindicações, manifestações e vontade de mudanças, assim como um olhar crítico em cima dos fatos, pode ter certeza não passa de um trabalho sem consciência e pior, de cópia e idéias alheias. Um bom jornal tem identidade própria e não se perde em demagogia vegetativa e com cheiro de mofo.

 

Jornalista:

         Aos jornalistas e todos ligados aos meios de comunicação, é necessário que trabalhem unidos pelo entendimento de todas as micronações.

         Não se rebaixem a ponto de dissimularem as suas opiniões e manipularem os fatos de acordo com suas finalidades nada descentes. Digo isso em relação quanto a outras pessoas, pois de qualquer forma, para quem faz isso pode parecer "um grande trabalho patriótico", o que na verdade não o é.

         Expressem abertamente sua opinião, mas pautem-se pelo respeito ao leitor, ao Estado e aos colegas de trabalho.

         Com isso ninguém tem nada a perder a não ser ganhar. Ganhar respeitabilidade, fazer um jornalismo sério, aprender e melhorar o que temos por aqui hoje.

 

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Jornalismo Ambiental no Micronacionalismo

 

         A questão do meio ambiente nunca esteve tão presente nas discussões da sociedade humana quanto nos últimos anos, em especial a partir da década de 80/90 do século XX. Temas como:  "Ambientalismo", efeito estufa, derretimento dos gelos polares, buraco na camada de ozônio, queimadas, poluição química, sonora e visual, tráfico de animais, escassez de água, animais em extinção, caça às baleias, novas epidemias, aumento da temperatura global, cidades insustentáveis, falta de alimentação, alimentos transgênicos, clonagem, excluídos sociais, confrontos de líderes ambientais com especuladores financeiros, e muitos outros assuntos que qualquer pessoa já ouviu falar por diversas oportunidades, nos acompanham todos os dias. E o micronacionalismo não ficou de fora desta tendência mundial, e desde o início do micronacionalismo esta discussão já era presenciada em bate-papos, chegando a surgir o primeiro jornal sobre questões ambientais no micronacionalismo lusófono, o Jornal do Meio Ambiente, em Marajó, editado pelo biólogo e jornalista Wagner Bacciotti Campodonio.

         O Jornal do Meio Ambiente era simples, com uma boa proposta em sua pauta editorial, mas não chegou a empolgar como era esperado aos demais micronacionalistas, que chegavam a comentar as notícias e colunas, mas não passava disso e a idéia acabou sendo abandonada, após o jornal ter chegado à 9ª edição.

         Numa nova tentativa de promover um maior debate sobre os aspetos ecológicos do nosso ambiente macronacional, Wagner fundou a Fundação Vida Verde (Funvive), 1ª ONG ambientalista micronacional. Esta ONG criou um centro de pesquisa da fauna marajoara, com exposição de animais caracteríticos da região amazônica e da ilha. O sucesso foi alcançado, e após períodos de inatividade e outros de intensa atividade, a Funvive iniciou a publicação da Revista Super, com proposta de jornalismo ambiental recheado de artigos científicos voltados para o público leigo. A resposta dos leitores foi agradável, com o constante envio de sugestões e comentários sobre as colunas e matérias especiais. Como muitos projetos bons no micronacionalismo, a Revista Super deixou de ser publicada, e até hoje é relembrada por antigos micronacionalistas.

         Ainda em Marajó tivemos a criação do MarajóZoo, por Prince Alexxx Paris. O Zoo não chegou a publicar algum informativo, mas merece destaque por inovar na área, sendo esta idéia aproveitada em outras micronações posteriormente, como e Soia, pelo próprio Alexxx, e na República de Havana, com a criação do Parque Nacional de Havana, por Dália Negra, que buscou reunir espécies de fauna e flora com um exemplo do que seja um verdadeiro parque na prática.

         O jornalismo ambiental deve ser feito com muita cautela, pois notícias sensacionalistas é que não faltam nesta área, assegurando que o planeta Terra tem os seus dias contados, que em poucos anos não teremos mais água potável e outros alardes. O jornalismo ambiental responsável noticia os problemas, mas ao mesmo tempo procura, ao lado de pesquisas em andamento por centros de pesquisa, mostrar o que está errado e como reverter o quadro negativo observado na atualidade.

         A opinião de cientistas especialistas e suas respectivas áreas sempre deve ser levada em consideração, e o incentivo à educação ambiental deve ser prioridade em meios de informação de massa, formadores de opinião e responsáveis muitas vezes pela tomada de atitudes dos seus leitores.

         No micronacionalismo há de se destacar também o trabalho responsável de jornalistas ambientais como Waleska Fernandez e Dália Negra, que apesar de todas as dificuldades, realizam excelentes trabalhos em suas nações. Sofia ganhou muito com o jornal OikosLogos, que de forma muito sutil e de qualidade ímpar repassa as notícias macros sobre meio ambiente para os micronacionalistas. As enquetes são sempre bem criadas e a pesquisa de campo (em sites especializados) merece destaque. Em Havana, o Ministério do Meio Ambiente realiza um trabalho de educação ambiental com um periódico o Boletim Ambiental, que procura através de suas colunas mostrar a importância do tema ao leitor.

         Enfim, o jornalismo ambiental está presente no micronacionalismo, e é praticado por muitos outros jornalistas que me fogem da memória no momento. Esta á uma área que já tem muita história para ser registrada, e que possui um enorme potencial de crescimento e debates interessantes.

 

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Credibilidade: Imprensa Macro X Imprensa Micro

         Uma das primeiras e grandes decepções quando se estuda jornalismo é descobrir como um jornal funciona de verdade. Tem-se aquela idéia romântica que tudo é noticia e noticia é para todos, até que a verdade nos separe. É muito ruim descobrir que muitas noticias não são simplesmente noticias, mas que possuem algo por trás, como a venda de um produto por exemplo. As chamadas "matérias pagas”, onde alguém paga ao jornal para cobrir certo evento de lançamento de um produto novo que promete revolucionar o mercado.
         As matérias pagas e a publicidade ajudam a manter o jornal sempre circulando. Afinal, no nosso mundo macronacional capitalista tudo funciona somente ólares do dinheiro. Se as “matérias pagas” fossem a pior coisa do jornalismo, talvez tudo ainda continuasse a ser um belo conto de fadas.
         Muitos jornalistas usam de sua esperteza, lábia e “do direito de informação do povo” para obter informações que muitas das vezes não é interessante para o “investigado” tornar as informações de domínio público. Dessa forma o jornalista é pago para não publicar. Explicando melhor, imagine uma empresa grande como a Petrobrás e que um jornalista descubra inúmeras falhas no orçamento que mostra que o presidente da empresa manda para o exterior milhões de ólares todo mês. O jornalista ao invés de correr para a redação para ver se ainda dá para colocar a “reportagem bomba” na edição de hoje, vai para a empresa conversar com o presidente e exigir uma certa quantia para que aquela matéria não circule. Funcionando como uma grande chantagem, até que ou a matéria é finalmente publicada ou o caso vai para em programas no estilo “linha direta”.

         Já no campo micronacional as coisas funcionam de uma forma diferente. Não é preciso pagar para a circulação de jornais, ou seja, não há propagandas. Dessa forma, livre de qualquer pressão de fora, o jornalista micronacional pode escrever sobre o que quiser. Defender a teoria que quiser. Não foi a toa também que muitos jornais tiveram uma edição especial falando de algo extremamente polêmico. Vejam, não há compromisso com a fonte, pois não há dinheiro, então tudo é publicado no esquema de jornalismo verdade, como deve ser o jornalismo conto de fadas que todos nós queríamos para o mundo macro.
         Infelizmente, isso também não é verdade. Os motivos que movem o jornalismo micronacional são outros e talvez até mais obscuros que os do jornalismo macro. Artigos são escritos com uma única intenção, atacar os seus desafetos. Não importa a verdade, o que importa é criticar seu oponente. Muitos jornais viveram para o micronacionalismo da polemica, mas a polemica sempre estava entre os desafetos do editor ou da nação do editor. Jornais viveram e morreram assim, como o antigo “O Mensageiro”, onde muitos acreditavam, outros não acreditavam, mas todos ficavam aguardando o seu lançamento para saber “de quem ele vai falar mal dessa vez.” Hoje em dia, apesar de muita coisa ter mudado e a multipolaridade não existir oficialmente, é possível notar que muitos auto-denominados jornalistas continuam usando a mesma tática, a de atacar seus adversários. Outros já preferem o estilo de esconder o que é de ruim e transformar o que há de bom em algo grandioso, no melhor estilo “o meu país é cor-de-rosa, o que você ainda está fazendo no seu país sujo e feio?”.


         Dessa forma, a credibilidade da imprensa micronacional sempre foi um ponto polemico. Muitos acham que o número de edições está ligado à credibilidade, mas já está provado pelo simples fato de qualquer um ser capaz de manter um jornal, que essa regra é não confiável. Há algum tempo, a única forma de se acreditar no que um jornal dizia era conhecer o seu editor, que assim confiando nele se confia no jornal que ele escreve. Hoje, a credibilidade está sendo vista de uma outra forma. Com a popularização do turismo, é possível comprovar se o que o jornal diz é verdade, e com a devida ênfase exigida aos assuntos. Dessa forma, esta é a mensagem e o porquê deste tema, não acredite em nada que se lê na imprensa micronacional, até ter o conhecimento que, realmente, tudo que está escrito no jornal é verdade.

 

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Parcialidade e nacionalismo

 

         Independente da crença, do regime ou da população, uma coisa une as micronações: seu mídia. Comumente uma nação torna-se conhecida não em sua fundação, mas sim quando o primeiro periódico chega às listas de imprensa do micromundo. E uma característica comum une os periódicos micronacionais, que é a propaganda explícita e escancarada dos Estados-nação que hospedam o mídia.

         Tomemos como exemplo a Tribuna de Marajó: nada de um manifesto, nada de palavras eloqüentes sob uma recém-escolhida bandeira; mas um jornal semanal. Assim o micromundo descobriu Marajó, e desde então, a Tribuna é, além do principal informativo, o principal modo de promover a micronação. Dos mais antigos que eu, os "ursinhos carinhosos" marajoaras encontravam na Tribuna seu modo de espalharem pelo micromundo o pacifismo que atraía cidadãos e turistas.

         Lembrando o Jornal Nacional dos anos da ditadura, o bloco "nacional" do periódico só apresenta boas notícias: atividade recorde, cidadãos condecorados, projetos criados... Entretanto, o que ocorre de não tão agradável numa micronação é relevado e não chega ao conhecimento do grande público. Se repassássemos os nossos jornais à novatos, a lusofonia atual seria só "paz e amor": Recordes atrás de recordes, projetos bem-sucedidos, enfim.

         O nacionalismo parece afetar nossa classe e é este um dos geradores da parcialidade que volta e meia vem à tona. Segundo o Código de Ética Jornalística, em seu primeiro artigo, "O acesso à informação pública é um direito inerente à condição de vida em sociedade, que não pode ser impedido por nenhum tipo de interesse". Por mais nobres que sejam as razões, é anti-ético tornarmos micronações em conto-de-fadas, seja para não magoar amigos, seja para ocultar alguns fatos não agradáveis. É incômodo e chega a ser perigoso ser imparcial e narrar os fatos em detrimento da imagem de perfeição que permeia (ou que cremos permear) uma micronação.

         Este fenômeno passa por muitas vezes despercebido em nossa sociedade, seja pela falta de alternativas (são raríssimos os periódicos que mantem-se fiel aos fatos ocorridos em sua micronações, sejam eles bons ou maus), ou mesmo pelo hábito que criamos, de filtrar o que se lê e tornar-se cético em relação ao jornalismo. E cabe a nós. Por muitas vezes, até os próprios editores não percebem o que fazem (ou deixam de fazer): buscando a satisfação dos leitores, esquecem que estão narrando os fatos e tornam seus periódicos em folhetins agradáveis. Ou será mera coincidência que matérias que mais rendem elogios são as que dissecam um fato negativo?

 

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Vida de jornalista

 

    Mais um dia se passa na nossa vida. O que será que motiva os micronacionalistas a continuarem em suas micronações, lutando em sua eterna cruzada pela fama? Persistentes guerreiros, estes que trabalham pelo futuro de seus amigos e de seus companheiros. Legendários viventes da eterna guerra por reconhecimento.

    E o que fazer quando os guerreiros perdem sua espada, os magos suas varinhas e o Sol o seu brilho? O que acontece quando um de nós desanima e perde a vontade, que até então parecia inabalável, de lutar e vencer? O que fazer quando nada mais parece ter sentido e a batalha parece perdida?

    Se alguém possui a fórmula da persistência, peço que me passe, pois eu preciso dela com urgência. Minha vida tem sido uma série de decepções micronacionais que cada vez mais me distanciam deste 'mundo a parte', uma série de desilusões e traições, uma atrás da outra.

    Em dado momento pedi que meus leitores sorrissem, pois assim todo mal seria espantado, todos ficariam felizes, todos problemas seriam esquecidos, o tempo passaria. Mas eu não consigo sorrir, pelo menos não hoje. A esperança é a última que morre, dizem os poetas, mas pelo visto a raptaram e até agora não se tem notícias dela.

    Não liguem, fiéis leitores, para essa fase triste que passo, pois estou magoado e ao mesmo tempo comovido com Westerland, minha nação, a nação que me fez crescer micronacionalmente e que me fez o que sou hoje. Sou grato a Westerland de tal forma que não posso explicar, e é isso que faz uma simples decisão tornar-se tão difícil.

    Alguns que me lêem devem saber quanto é difícil reerguer uma nação decadente, quão difícil é reanimar seus amigos e quanta areia é necessária para segurar uma onda do mar. Eu lutei por Westerland, e embora minha morte não me torne um mártir, sei que fiz algo importante, se não trabalhando, animando meus parceiros a trabalhar, como eles faziam por mim.

    Muitos dirão que é um patriotismo idiota isso que eu sustento, mas nunca foi tão difícil tomar uma decisão. Os próximos dias serão cruciais para decidir se Westerland manterá um antigo paladino ou se Havana ganhará um novo familiar. E toda minha vida micronacional mudará a partir de então.

    Se eu fosse católico, entregaria meu futuro às mãos de Deus e rezaria pelo melhor. Mas sou ateu, e isso torna ainda mais difícil e sólida minhas escolhas. Afinal, não posso culpar nenhuma entidade superior pelo que acontece comigo ou com meus amigos, não posso culpar ninguém mais que eu mesmo.

    Falta de fé ou fé demais? Como sempre, apenas o tempo dirá, pois ninguém (isso mesmo, meus caros, nem Nostradamus!) pode prever o futuro. A nós mortais resta sorrir e esperar pelo melhor. Mas quem dirá o que é o melhor? Dúvidas, dúvidas...

 

Editorial da Nova Journal # 09

 

    Quando esse editorial foi escrito, dia 2 de abril de 2002, eu estava desiludido como microcidadão e como jornalista. Tinha pela frente uma dura escolha: permanecer na nação que me ajudou a ser o que hoje sou, ou então entregar minhas forças para a então recém nascida República de Havana.

    Todos sabem qual foi minha escolha, mas uma dúvida me passou pela cabeça esses dias. Será que fiz certo escolhendo Havana? Uma nação de amigos, como antes Westerland foi para mim. Seria eu um idiota em procurar apenas um tipo de nação? Em desistir de um sonho que antes lutei tanto?

    Fui para Havana, e lá a Nova Journal voltou a ter força. Aqui aprendemos uma coisa muito importante para o jornalismo: saiba quando desistir, mas também quando continuar. É necessário saber o momento de dar o braço a torcer e admitir que se está errado.

 

    Bem vindos, leitores. Essa é a décima edição da Nova Journal, um marco para nossa história por dois motivos: o primeiro deles, o número 10 que sempre atrai atenção. O segundo motivo é mais importante: deixei minha nação pela qual mais lutei por uma nova micronação, formada a apenas uma ou duas semanas, Havana. Todos já devem ter ouvido falar de Havana.

    Agora que estamos em Havana, finalmente notícias surgem! O clima é agradável, como era Westerland antigamente, e também é amigável, pois a maioria dos cidadãos se conhecem. Todo mundo diz isso, e eu repito: Havana tem tudo para dar certo nesse micromundo.

    É muito legal acordar e dizer: eu estou feliz. Quem de vocês nunca fez isso e nunca se sentiu especial por estar entre seus mais adorados amigos? Quem nunca acordou sob o sol da manhã (acordando tarde, hein?) e sentiu o brilho gostoso no rosto?

    Havana é, como diria meu amigo e colega Cristiano, um sonho de um futuro melhor. Na verdade não sei se ele disse isso mesmo, mas foi o que eu entendi. As coisas se ajeitam e mais uma vez eu desisto de largar o micromundo. Interessante como as coisas acontecem, não é?

    Você acorda um dia decidido a se matar e uma pessoa vem e declara todo seu amor por você. Você pensa em se suicidar, e encontra mil e um obstáculos, como na história que sai nessa edição: "Suicídio". Eu sei que é de minha autoria (dã!), mas não posso fazer nada, uma vez que ninguém colabora com a Nova Journal ainda.

    Mas antes do dia em que a NJ vai acabar, uma equipe estará trabalhando alegre e contente para fazer um jornal sério e parcial como nenhum outro é. Melhor eu corrigir esse parágrafo...

    Mas antes do dia em que a NJ vai acabar, uma equipe estará trabalhando alegre e contente para fazer um jornal cada vez mais apreciado e gostoso de ler. Não posso falar que nenhum outro é parcial pois até hoje são raros os jornais IMPARCIAIS, mesmo que todos digam que o são.

    Que maldade essa, enganar o público dizendo que não dão opiniões em reportagens. Façam como a Nova Journal e assumam que não sabem expor um assunto sem opiniar :o)))

 

Editorial da Nova Journal # 10

 

    O que falta hoje na imprensa é coragem de se dizer a verdade. O editorial, escrito faz mais de um ano, fez previsões que hoje se cumprem bem. Os jornais continuam se dizendo imparciais enquanto são criados apenas para ofender desafetos.

    Coragem, povo! Não só de falsidade existem os jornais!

 

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