Gláucio
José de Souza
Você lerá aqui:
1. O que é modernidade e pós-modernidade
2. Cristianismo: somente um fato histórico?
3. Cristianismo: o que ele não
é.
4. O que o cristianismo é
5. A crise de identidade.
6. A crise de prioridade.
7. A crise de integridade
PARTE 1
"No dia em que o Mundo
e o Cristianismo tornarem-se amigos, o Cristianismo deixará
de existir." Soren Kierkgaard
Introdução
Atualmente uma pessoa já
nasce envolvida em uma cadeia de "informações
globalizadas", sendo assim a quantidade de dados
que uma pessoa recebe diariamente, pelos mais diversos
meios, é no mínimo monstruosa. Esse processo
desencadeado é tão maciço que uma
pessoa para poder assimilar tal quantidade de informação
em tão pouca quantidade de tempo , necessita produzir
mecanismos de percepção e filtragem.
A partir daí desenvolve-se
a característica de analisar as coisas mais rapidamente.
A percepção das pessoas esta mais aguçada,
mas ao mesmo tempo mais superficial. Tudo está
"mais superficial", nossos relacionamentos,
nossas obrigações, nossos valores e neste
ambiente desaprendemos o significado do convívio,
da fidelidade, da estabilidade. Como bem disse certo escritor
Cristão: .."o cidadão... vai se transformando
numa borboleta relacional. Pousa em uma flor pensando
na outra."
A rapidez com que se muda
de opção é tal qual a velocidade
com que se pode mudar de uma estação de
TV a outra usando um controle remoto. É isto, a
modernidade nos trouxe a pluralização e
a multiplicação das opções.
Jean Pierre Dupuy, um especialista em informação
disse: "Quanto mais nos comunicamos, como fazemos,
mais criamos um mundo infernal. Nosso mundo é aquele
sobre o qual pretendemos ter mais informação
e, no entanto, é este mesmo mundo que de modo crescente
perde seu significado".
A história humana
é a história das lutas e conquistas . Luta
pelo interesse de conhecer a natureza para dominá-la,
para interpretá-la e assim cada geração
foi recebendo da geração anterior um mundo
interpretado.
A atual geração
encontra, pois a seu dispor um mundo já pensado,
já interpretado, "prontinho para o consumo".
Temos a história interpretada; a sociedade organizada;
as normas de moral estabelecidas; as religiões
estruturadas; regulamentos diversos, etc.
No entanto, a geração
de hoje não pode resignar-se a um conhecer o mundo
de "segunda mão", não pode julgar-se
dispensada de pensar naquilo que já pensaram e
definiram como certo e inequivocado, sem possibilidade
de erro. Estamos vivendo uma época bastante valorizada
pelo que se chama "MODERNIDADE ou PÓS-MODERNIDADE.
Mas o que é modernidade? É o que veremos
a seguir.
O que é Modernidade
e Pós-Modernidade
A fim de entendermos melhor
o conceito de modernidade vamos partir de um pressuposto:
"Uma mudança começa na Filosofia, reflete-se
nas artes e chega ao homem comum , na forma de cultura
popular. " (Francis Schaeffer)
Essa escada de disseminação
de Idéias sugere que:
1. Existe uma interpretação
e definição intelectual.
2. A idéia se propaga por um meio, inclusive artístico
e de entretenimento.
3. Assume sua forma final de assimilação
no comportamento do povo.
Seria certo então,
dizer que modernidade e pós-modernidade se equivalem
ao modernismo e pós-modernismo, que são
naturalmente a designação histórica
para o movimento filosófico e das artes nos últimos
200 anos. No entanto, na nossa concepção
devemos ressaltar dois itens de importância sobre
a modernidade:
· Primeiro: A Modernidade
não é um período estático
da história. No nosso ponto de vista a modernidade
provém da tecnologia, está associada mais
a revolução industrial que a rejeição
dos padrões clássicos do movimento artístico-filosófico.
· Segundo: Modernidade tem conotação
de contemporâneidade, de atualidade. Moderno é
logo, algo que de certa forma reflete a última
moda, a última invenção, a ideologia
do momento.
Sem sombra de dúvidas
este "é o melhor dos tempos e o pior dos tempos",
ou seja estamos vivendo um período de contradição.
Estamos vivendo o melhor dos tempos no sentido de que
encontramos um ambiente propício a manifestação
e desenvolvimento das nossas instituições,
e no pior deles, estas instituições se encontram
ameaçadas por muitos perigos.
Em toda a história
do Cristianismo ele sempre soube como combater e enfrentar
seus inimigos, mas como fazê-lo agora, quando a
ameaça é trazida não necessariamente
por um inimigo? Pelo menos não no sentido que os
outros se demonstraram no decorrer da história.
O que estamos vendo hoje
é um aliado que oferece recursos até certo
ponto imprescindíveis ao crescimento do evangelho
do que necessariamente uma ameaça. Mas é
aí que mora o perigo, por se mostrar um aliado
inofensivo, aceito e admirado por todos, tira da igreja
a capacidade de perceber o que acontece a sua volta. E,
sem que ela perceba vai devagar minando a sua identidade.
O que os imperadores com
sua militaria, os hereges com suas falsas doutrinas não
conseguiram em quase dois mil anos de história,
a modernidade esta conseguindo sem grandes esforços.
Vale a pena lembrarmos as palavras do Senhor à
igreja de Laodicéia: "Dizes estou rico e abastado,
e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que
tu és infeliz, sim, miserável, pobre , cego
e nu."(Ap 3.17). Precisamos ter cuidado, a modernidade
cega, empobrece e descaracteriza a Igreja.
Este tema é desafiante,
ou esta geração de Cristãos o enfrenta
com vigor, ou nós seremos fadados a ver o Senhor
levantar uma outra que o faça.... se ainda houver
tempo. Surge então a indagação: Como
ser Cristão na virada do Séc. XX ? Afinal,
o que é ser Cristão, e o que é o
Cristianismo? Vamos meditar sobre isso no próximo
estudo, confira....
PARTE 2
CRISTIANISMO: SOMENTE UM
FATO HISTÓRICO?
Estamos em pleno final do
Séc. XX, a humanidade se prepara para entrar em
um novo milênio. Diz-se, nos círculos esotéricos
que pregam "uma nova ordem mundial ", que a
era do Cristianismo se findou. Para eles, o Cristianismo,
é um fato histórico relevante que tende
paulatinamente a fazer parte do passado.
Em parte eles estão
certos, temos que concordar, o Cristianismo é um
fato histórico de envergadura, que marcou definitivamente
a história da humanidade. Assim como a era egípcia,
a era grega e a era romana foram fixadas na história,
assim também acontece com o Cristianismo.
Realmente, Cristo continua
a ser o marco que divide o tempo. Sem possibilidade de
retorno, a história humana se divide em dois períodos
decisivos: Antes de Cristo (a.C.) ,depois de Cristo (d.C.).
No entanto reduzir o Cristianismo a um período
histórico é um erro de conotações
tremendas.
A bem da verdade a humanidade
nunca viveu sem Cristo. Viveu sim uma época onde
se esperava que Ele viesse, uma era de esperanças
, da qual dão um comovente e esplêndido testemunho
os profetas do Antigo Testamento. Enfim surge então
o instante da fidelidade profética. Passou-se da
esperança, do aguardo, do anseio à realidade
da existência: Cristo, o Verbo encarnado.
Se quisermos ser vitoriosos,
precisamos ter este compromisso com o profético.
Vejamos três elementos indispensáveis destas
profecias:
1. "O que foi".
Compromisso com o passado, com os Oráculos de Deus.
Toda profecia mantém um pé no passado como
referencial bíblico e histórico da vocação
da Igreja.
2. "O que és". Analisar o presente a
partir do passado, dos Oráculos de Deus e da sua
Palavra. Não podemos avaliar e discernir a modernidade
e sua influência sobre o Cristianismo a partir dela
e por ela.
3. "O que vês". A profecia aponta para
o desenrolar dos fatos da modernidade sobre a Igreja e
a sua missão. Portanto, o desenrolar do Cristianismo
em nosso século, como em qualquer outro.
Visto assim, pela Palavra,
temos por certo que o Cristianismo não é
somente um movimento que tende a se extinguir, mas sim
uma intenção de Deus com propósitos
decisivos para a humanidade. No entanto, a modernidade
trouxe ainda outras características que queremos
desmistificar.
PARTE 3
CRISTIANISMO: O QUE ELE
NÃO É.
Antes de refletirmos sobre
a verdadeira realidade do Cristianismo, vamos analisar
algumas das interpretações modernas sobre
este movimento que mudou, mantém e vai definir
de uma vez por todas a sorte da humanidade. Vejamos o
que ele não é.
1. O Cristianismo não
é uma estrutura política: Sim, o Cristianismo
não é uma mera formação política
aos moldes de outros partidos, sejam eles quais forem.
Ao ser indagado pela natureza políticas dos seus
atos Jesus respondeu: .."o meu Reino não é
deste mundo." ( Jo 18.36).
2. Cristianismo não é um mero preceito moral:
Não preocupa-se tanto com a forma , quanto com
o ser. Seu preceito não consiste apenas no aspecto
formal, mas sim a uma existência levada a santificação.
Segui a Paz com todos e a Santificação sem
a qual ninguém vera a Deus"( Heb 12.14). Cristianismo
é um decreto de excelência moral.
3. Cristianismo não é uma mera forma de
Filosofia existencialista: Exato, a natureza do Cristianismo
embora envolva a natureza do ser, não se restringe
a simplificar e avaliar a existência somente pelo
conceito filosófico. A esse respeito, deixemos
a própria Palavra ecoar:
A minha palavra, e a minha pregação , não
consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana,
mas em demonstração do Espírito e
de poder. (I Cor 2.4).
As minhas palavras são Espírito e vida.
( Jo 6.63).
"..Não me envergonho do Evangelho de Cristo
por que é o Poder de Deus para salvação
daquele que crê: primeiro do judeu e também
do grego." ( Rm 1.16). O Cristianismo derruba qualquer
rótulo que obstaculiza o relacionamento: "do
Judeu e do grego"
4. O Cristianismo não
é uma mera instituição com fim puramente
social: Sem sombra de Dúvida Cristo teve seu ministério
voltado as pessoas pobres, nota-se isto quando refere-se
ao âmbito da sua missão lendo o livro do
profeta Isaías :"......para evangelizar os
pobres.." ( Lc 4.18). Também afirmou porém:
"Os pobres sempre os tendo convosco" ( Mc 14.3-7)
Se todas estas coisas isoladas
e comprometidas consigo mesmas não são o
Cristianismo autêntico, logo o que é? Sem
respostas evasivas queremos meditar em algumas questões
que esclarecem a partir daquilo que já identificamos
o não ser.
PARTE 4
O QUE O CRISTIANISMO É
O cristianismo pode ser
descrito como a revelação de um caminho
a percorrer, apontado por Cristo, de que Deus é
o princípio e o fim de todas as coisas. Logo, vejamos
o que ele é de fato:
1. Cristianismo é
uma fé:
Já que não
é possível compará-lo a qualquer
doutrina filosófica a qual se adere por um ato
simples de inteligência, visto que, a adesão
neste caso, passaria apenas ao nível das idéias.
No Cristianismo a minha
adesão se aplica a minha fé na pessoa bendita
de Jesus chamado o Cristo, reconhecendo-o como o verbo
encarnado e redentor do gênero humano.
Jesus Cristo "... subsistindo
em forma de Deus, não considerou o ser igual a
Deus coisa a que se devia aferrar,
mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo,
tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma
de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente
até a morte, e morte de cruz. ( Fl 2.6,7)
Este é o mistério do Verbo Encarnado, que
não se chega a não ser por fé, ora
em Cristo o mistério do homem e o mistério
de Deus se fundem: eis o suficiente para lançar
a curta inteligência humana na mais completa confusão.
2. Cristianismo é
uma Vida:
Em outras palavras: É
uma dinâmica que leva a um existir de visão
universal prática. Não se move apenas por
problemas particulares, mas pelo destino de um grupo,
de uma cidade, de uma nação e até
do MUNDO. " ....o Espírito do Senhor esta
sobre mim para..." ( Lc 4.18)
3. Cristianismo é
uma encarnação:
Esta é a grande diferença
do Cristianismo em relação as outras mensagens
religiosas, é que este apresenta como centro do
mistério de Deus, um Deus que habita em nós,
naqueles que como já dissemos possuem fé:
"Cristo em mim". "...que é Cristo
em vós, a esperança da glória..."
(Col 1.27)
Antes de um Deus por nós
e para nós, um Deus em nós.
4. Cristianismo é
uma solução definitiva para os problemas
da humanidade:
Cristo veio para sempre
, para sempre o Evangelho foi pregado, a sua Palavra jamais
se extinguirá. Neste contexto não há
nada para mudar , nada para corrigir, nada para acrescentar,
não temos que adaptá-lo a moda do dia.
"Pai está consumado,
nas tuas mãos entrego meu Espírito."
( Jo 19.28,29,30)
"..e o que vive, fui
morto , mas vivo para todo o sempre..." ( Ap 1.18)
5. Cristianismo é
um estado de inconformismo:
Jamais podemos permitir
que a "religiosidade" nos congele, nos engesse
em um conformismo com relação ao cotidiano,
como se estivéssemos empurrados por uma multidão,
sem fazer esforço algum, sem refletir, sem pensar.
"E não vos conformeis
a este mundo, mas transformai-vos pela renovação
da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa,
agradável, e perfeita vontade de Deus." (
Rm 1.2)
Não precisamos necessariamente
sonhar com feitos extraordinários, basta que sejamos
lúcidos a respeito das possibilidades que a vida
oferece, jamais devemos nos contentar no ponto onde estamos,
mas progredir em saber e fazer a vontade de Deus.
Cristianismo, pois, é
isso, uma moral por excelência, uma busca a santidade
e uma existência que se preocupa em viver em Deus,
mover-se em Deus e existir em Deus, regidos segundo a
sua absoluta e perfeita vontade.
Longe de querermos esgotar
o assunto pela grandeza dos elementos que o envolvem,
podemos acertadamente dizer que ainda que nós tenhamos
a ciência desses fatos, vivemos em uma cultura moderna,
o molde com que fomos moldados é este, e assim
só podemos reconhecer, rejeitar e mudar por meio
da perspectiva exterior de Deus, isto é , ver as
coisas como Deus as vê. A dificuldade de discernir
o mundo moderno se encontra nisto: Nós somos modernos.
PARTE 5
A CRISE DE IDENTIDADE.
É fácil observar
que o mundo está totalmente comprometido como que
podemos chamar biblicamente de "este século."
Através da secularização,
este mundo tenta e facilmente consegue ( se não
nos posicionarmos), separar o cristão de Deus e
seu propósito. O mundo e seu sistema é sutil.
O apóstolo Paulo confiantemente declarou sua firmeza
na luta contra o mundo ao perguntar: "Quem nos separará
do amor de Cristo? " ( Rm 8.35) . Mas, espere aí:
Quem somos nós? Quem
sou eu? A quem Paulo esta se referindo. Mais vivo do que
nunca, o dilema da existência humana está
aí: "Quem sou? Porque estou aqui ? "
Se não colocássemos
essas indagações debaixo do escrutínio
da Palavra de Deus, jamais teríamos resposta alguma.
Parece uma pergunta simples e que de certa forma, merece
uma resposta simples, mas não é.
Sem a existência de
Deus nada faria sentido, o ser humano é identificado
não pelo que aparenta e faz, mas sim pelo que representa
para Deus.
Ao criar o ser humano, Deus
criou um ser que se relaciona. O homem é um ser
relacional. No entanto, essa é a grande crise neste
final de século. Em meio aos avanços da
técno-ciência, o homem se vê mais solitário
e distante, inclusive de Deus.
O que somos esta intimamente
ligado ao modo como nos relacionamos.
1. Como me relaciono com
Deus (1 Jo 4.8): Conhecer a Deus é também
conhecer a nós mesmos. Sua luz e verdade revelam
não somente seu caráter de amor, mas também
toda a nossa realidade mais íntima e secreta. Logo,
quanto mais me aproximo de Deus, mais me aproximo de mim
mesmo. Eis o grande segredo, o que sou, esta diretamente
ligado ao modo como me relaciono com Deus. Quem eu sou?
"Sou de Deus". Eis o fim de qualquer crise de
identidade.
2. Como me relaciono com
o mundo ( Mt 5.13-16):
Não há comentário
que poderia ser mais prejudicial para um cristão
do que as palavras: "Mas você não é
diferente das outras pessoas!"
O propósito histórico
de Deus em se relacionar com o homem é chamar um
povo para si mesmo, santo, separado do mundo , para lhe
pertencer e ser fiel a sua identidade, em todo o seu pensamento
e comportamento. Ou seja:
· Ser o sal que da sabor e conserva.
· Ser a luz que ilumina.
· De um lado está a "terra"; do
outro, "vós" que sois o sal da terra.
De um lado está o "mundo"; de outro "vós"
que sois a luz do mundo. A Igreja e o mundo são
duas comunidades que estão relacionadas uma com
a outra, mas esta relação "depende
"da sua diferença.
3. Como me relaciono com
o próximo. (Jo 13.35): A cobrança bíblica
do amor recai sobre os crentes de hoje, mais do que nos
tempos passados. Se o amor é o que identifica o
verdadeiro cristão, a minha identidade se esconde
nisso: que eu ame. Sim, que eu ame, ame a Deus, mas ame
também ao próximo. No cristianismo, tudo
começa no amor, se sustenta no amor e culmina no
amor ( Jo 3.16).
4. Como me relaciono comigo mesmo:
Na nossa atuação
como cristãos não podemos depender de desejos
e sentimentos. Um dia eles estão lá em cima,
outro lá em baixo.
Somos exortados continuamente
ao domínio próprio. Essa premissa é
básica e fundamental, só há possibilidade
de "sermos" quando de fato entendemos a natureza
dos nossos atos.
Essa questão esta
longe de ser resolvida sem considerarmos outra indagação
igualmente importante: Porque estou aqui?
PARTE 6
A CRISE DE PRIORIDADE.
Há no ser humano
um anseio natural pelo suprimento de suas necessidades
básicas. Ser amado, ter segurança e ter
certeza constituem-se elementos de busca constante para
o ser humano. Na tentativa de suprir-se, no entanto, o
ser humano falha quanto às sua prioridades.
Em lugar algum na Bíblia
temos a promessa de que a pessoa que vive segundo os princípios
do Cristianismo tem uma vida imune a lutas e dificuldades.
Pelo contrário, enquanto
estivermos vivendo aqui, neste mundo, estaremos sujeitos
a sucumbir as suas investidas. Sem as prioridades do Reino,
não há possibilidade de Vitória.
Um escritor secular chamado Oscar Wilde, disse certa vez:
"No mundo só há duas tragédias
uma é não se conseguir o que se quer,
a outra é conseguir."
Ao observarmos ao nosso
redor nos percebemos incluídos em um sistema cultural.
Como , pois, o cristão deve priorizar o seu relacionamento
com a cultura ao seu redor?
1. Mas, o que necessariamente
é uma cultura? Vejamos:
Cultura é o ambiente
secundário que a humanidade impõe a ordem
natural (o mundo Físico). A cultura é composta
de língua, hábitos, idéias, fé,
costumes, organização social, invenções,
processos tecnológicos e valores.
A suposta condição
de independência de Deus, gerada em grande parte
pela modernidade, propõe alguns conceitos de prioridades
com relação ao mundo, que devemos considerar:
2. Prioridades com relação
ao mundo:
O mundo se mostra naturalmente
como um tesouro que se vale a pena conquistar e possuir.
A modernidade intensifica isto.
Não há dúvida
que o cristianismo está contaminado pelos valores
do mundo, seu poder político e suas riquezas. Em
sua oposição ao cristianismo, o mundo ganha
outro título, "secularismo". Foram os
valores seculares que fizeram com que Tiago e João
perdessem o foco do que verdadeiramente consistia o reino
de Deus. ( Mc 10.35-45)
3. Os modelos que o mundo
oferece são os que se deve alcançar: A base
do raciocínio moderno esta caracterizado pelo que
os outros possam pensar. O consumismo desenfreado e a
ganância são fatores preponderantes.
Pior ainda, o mundo moderno
não permite que se aceite aquilo que não
passa pelo crivo da ciência, da sua praticidade
e de sua relevância.
O mundanismo do qual os
cristãos devem fugir pode ter a aparência
religiosa ou secular.
4. Quais são, então,
as nossas prioridades?
a) Somos chamados a ser
diferentes da cultura popular: Jesus nos incita a renunciarmos
o sistema de valores do mundo. Os Cristãos devem
ficar livres destas ansiedades materiais ego-centralizadas
( Mt 6.25).
b) Somos chamados a nos dedicarmos à expansão
do Reino de Deus e sua Justiça. Deus deve estar
acima de tudo o que possamos querer ou ganhar. É
o mesmo que dizer que a nossa ambição suprema
deve ser a Glória de Deus e não a nossa
própria glória, nem mesmo nosso próprio
bem estar material. É uma questão do que
buscamos em primeiro Lugar. ( Mt 6.19,20)
Com certeza todos já
ouvimos muito sobre isso, mas porque então tudo
continua como sempre. Ora, a Palavra de Deus não
deveria nos conscientizar e feito isto, mudarmos nós,
as nossas atitudes. Deveríamos sim, mas nem sempre
o fazemos. Existe ainda uma outra crise em que vivemos
na modernidade.
PARTE 7
A CRISE DE INTEGRIDADE
A modernidade tem um poder
indutor tremendo, parece que nunca um conceito como o
de Maquiavel fez tanto sentido: "Os fins justificam
os meios."
O Senhor não procura
por obras e sim por corações. Se ele tem
os nossos corações certamente não
faltarão as boas obras. Há duas maneiras
desta crise de integridade se manifestar, uma positiva
e uma negativa.
1. Crise de integridade
"negativa": Ela se caracteriza exatamente pela
falta de sinceridade. Qualquer meio é válido
para se chegar a um determinado fim, é o vale-tudo
evangélico. Nos esquecemos que não basta
chamá-lo "Senhor, Senhor" é necessário
que "façamos a vontade do Pai que está
no céu."
1. Crise de Integridade
"positiva.":
Pode haver algum tipo de
crise positiva? Ainda mais uma com características
tão deletérias quanto a de Integridade.
Na verdade quando usamos este termo, estamos nos referindo
ao sentimento de que é comum entre os Cristãos
modernos.
Um sentimento de fraqueza
e inaptidão, o peso do pecado parece ser maior
que as nossas forças. Nós nos pomos à
prova e literalmente reprovamos, nos vemos como maus,
como impossibilitados de realizar a obra.
Mas se estamos nos reconhecendo,
nisso ela é positiva, no sentido de que a nossa
consciência ainda dói, o nosso coração
ainda sofre com o pecado, então nós nos
preocupamos com a fidelidade. Se nos preocupamos é
porque almejamos alcançá-la.
No entanto, para que ela
se torne efetivamente positiva, deve nos conduzir ao arrependimento.
Sem arrependimento não há concerto, sem
concerto não há fidelidade, sem fidelidade
não há chance. Deste compromisso depende
o nosso destino eterno.
A finalizar essa meditação,
ouso dizer: Só há verdadeira possibilidade
de vencermos as vagas das ondas da modernidade, se atentarmos
para a Palavra e seu teor profético, se nos entregarmos
incondicionalmente a Deus e se confessarmos uns aos outros
nossos pecados.
Assim haverá cura,
assim haverá libertação, assim haverá
perdão e acima de tudo, nosso Deus será
glorificado. Amém!