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Certamente, não há nada mais importante para um
homem do que cuidar das palavras que diz. São elas que, diariamente, escrevem
nossos rastros na estrada da vida.
Conta-se que um homem, ao morrer, encontrou-se
num vasto campo onde outras almas aguardavam que os anjos do Céu viessem buscá-las.
Embora essas almas viessem de todas as partes do
mundo, falavam uma só língua. Bem na frente da fila, ele pôde ver que umas
poucas subiam alegres para o Céu, enquanto muitas, aos gritos, eram levadas
para um grande abismo.
" Meu Deus", pensou ele, "Para
onde irei? Para onde serei levado quando chegar minha vez?"
Enquanto olhava, atentamente, o destino das
almas, ele reparou que, para cada um, havia uma balança de pratos que ora
pendia para um lado, ora para o outro, decidindo, assim, o destino daquela
pessoa.
Muito aflito, ele perguntou a quem estava ao seu
lado: "Você saberia me dizer o que significa aquela balança, o que ela
pesa?"
"Não sei ao certo", respondeu o outro,
" mas acredito que seja a balança da caridade. Ela pesa a quantidade de
caridade que alguém pratica na vida. Se alcançar um determinado valor, a
pessoa é levada para o Céu. Se não, vai para as trevas."
"Não", disse a alma da frente que
ouviu a conversa. "Não pode ser a balança da caridade. Eu morri num
acidente de trem juntamente com muitas outras pessoas. Viajava conosco um homem
muito rico. Ele era famoso por toda caridade que fazia. Construiu igrejas,
hospitais, orfanatos e escolas. Mas, para minha surpresa, vi que a balança
pendeu contra ele, lançando-o no abismo. No entanto, uma senhora idosa, que se
sentava ao meu lado no trem e que era muito pobre, foi levada para o céu."
"Talvez, então, seja a balança da pobreza,
e só os pobres sobem para o Céu", conclui o homem.
"Assim sendo, creio que subirei, pois tudo
que tive na vida foi um bom emprego, uma boa casa e um bom carro. Não tive a
vida de riqueza e luxo que muitos tiveram."
"Mas veja," disse o outro, "em
relação a tantas pessoas que viveram pelas as ruas, sem emprego, sem casa e
sem carro, você foi rico. E eu também; e isso me assusta a cada passo que me
aproximo da balança. Quem foi realmente pobre ou realmente rico?"
"É, você tem razão. Não faz sentindo ser
a balança da pobreza ou da riqueza. Como também não faz sentido ser a balança
da beleza, da sabedoria, dos méritos, da força, da arte ou da Ciência. Vivi
tantos anos, conheci tantas coisas, fui um bom cidadão, no entanto, agora vejo
que o mais importante da vida me passou despercebido. Eu tinha que me preparar
para essa balança que nem sei o que pesa."
Naquele ambiente de aflição, havia um homem na
fila que tinha paz. Seu rosto era tranqüilo e seus olhos tinham um brilho
radiante. Aquela alma desesperada se aproximou dele e implorou: "Tu, entre
todos nós aqui, és o único que parece estar confiante que não serás lançado
no abismo. Dize- nos: sabes o que pesa aquela balança?"
"Certamente que sim. Eu sabia que ela
estaria na porta de entrada do Céu. Essa é a balança das palavras. Ela pesa
tudo que dissemos em nossa vida terrena. As boas palavras e também as palavras
frívolas de cada um de nós. Ora, a boca fala do que o coração está cheio. São,
portanto, as palavras a expressão do coração de cada um, e são elas que nos
condenam ou nos absolvem.
"Mas como podes ter certeza de que falastes,
nos tantos anos de vida, mais palavras boas que más? Nós momentos de aflição,
de raiva ou de simples conversas alheias, é tão comum se falar palavras frívolas!
Quem te garante que a balança penderá para o teu lado?"
"Certamente a balança penderá para o meu
lado e não há a menor dúvida no meu coração. Entre todas as palavras que
existem, há aquelas que pesam mais que qualquer outra; são as mais lindas que
disse em toda a minha vida e vieram do mais profundo do meu coração. Elas têm
peso maior do que qualquer outra palavra frívola que, porventura, eu tenha
pronunciado em um momento de fraqueza."
"Dize-me, então, que palavras são essas,
talvez eu as tenha dito."
"Amigo, creio que, se algum dia as tivesse
pronunciado, jamais as teria esquecido. As palavras são: Jesus Cristo, eu Te
aceito como meu salvador pessoal. Entrego-Te a minha vida de todo o meu coração.
Salva a minha alma, Senhor, porque sou um pecador."
Disse Jesus: "Digo -vos que de toda palavra
frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia do juízo; porque,
pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás
condenado" (Mateus 12. 36,37).
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