O FATO: PAULO: PERSEGUIDOR E PERSEGUIDO
(FINAL)
Os textos bíblicos do FATO desta quinzena se encontram em 1 Coríntios, capítulo 15, versículo 9 e em 1 Timóteo, capítulo 1, versículo 13, sendo que o versículo central, diz: "A mim que noutro tempo era blasfemo e perseguidor e insolente. Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade (1 Tim. 1.13)".
3 - O COMPORTAMENTO DOS PERSEGUIDOS
Saulo teve que enfrentar vítimas decididas que, ao serem presas ou ao morrerem, se comportavam de maneira singular, levando, quem sabe, Saulo a pensar: "Deve haver algo importante neste Cristianismo. Ninguém pode sofrer e morrer por uma ilusão ou por uma mentira." Não temos muitos detalhes a esse respeito, a não ser a pessoa de um diácono.
ESTEVÃO é um nome grego, que quer dizer: GRINALDA OU COROA. Foi um dos sete diáconos eleitos pela Igreja de Jerusalém para atender aos pobres (Atos 6.1-7). As qualificações de Estêvão (bem como dos demais) são registradas: boa reputação, cheio de fé, cheio do Espírito Santo, cheio de sabedoria, de graça e de poder (veja Atos 6.3,5,8,10). Pelo contexto, podemos acrescentar mais uma virtude muito necessária no crente: coragem, ousadia, intrepidez. Depois de eleito empreendeu um amplo trabalho de evangelização, revelando-se grande pregador e profundo conhecedor do Velho Testamento. A sua atividade foi de um dinamismo tal que provocou forte impacto entre os judeus de fala grega. Foi preso e julgado. A acusação que pesava sobre ele era a de blasfemar contra Moisés e contra Deus, bem como a de dizer que Jesus havia de destruir o templo e mudar as tradições mosaicas (vv. 11-14). A argumentação de Estêvão é uma das mais belas da Bíblia. O comportamento e as palavras deste grande homem foram tão fortes que tiveram de lançar mão de dois expedientes: contratar testemunhas falsas e matá-lo. Antes, porém, é digno de nota o seguinte:
a - SEU ASPECTO FÍSICO - "Todos os que estavam assentados no Sinédrio, fitando os olhos em Estêvão viram o seu rosto como se fosse rosto de anjo" (6.15). O ímpio ao ter uma visão como esta, terá que decidir entre, pelo menos, três atitudes: 1) fugir; 2) crer; 3) destruir. É claro que os inimigos decidiram pela terceira.
b - SUA ACUSAÇÃO - Ele acusou os judeus de: ter coração de pedra; resistir ao Espírito Santo; imitar seus pais, assassinos dos santos; matar a nosso Senhor; transgredir a essência da Lei.
c - SUA EXECUÇÃO. Ele declarou: "Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem em pé à destra de Deus." Isto foi forte demais para aquela raça maligna. Estêvão associa Jesus com Deus Pai, um dos pontos que, para os judeus era uma grande blasfêmia. A oração de Estêvão, pedindo que Deus recebesse seu espírito (versículo 59), quando estava sendo executado como blasfemo e herege. A oração de Estêvão, pedindo que Deus não levasse em conta aquele ato de crueldade, perdoando seus algozes, mostrando sua superioridade moral e espiritual. Era tudo muito estranho para aquela geração e para Saulo de Tarso.
O Capítulo oitavo do livro de Atos dos Apóstolos começa com a frase: "E Saulo consentia na sua morte." Esta frase, em si mesma, não revela que Saulo estivesse presente. Ele poderia dar ordem à distância. Porém, no versículo 58 do Capítulo sete, temos outra frase mais reveladora: "As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo." Ele assitira tudo! Vira o aspecto Angélico de Estêvão; ouvira sua tese, sua acusação e suas orações, para estar com Jesus e pelos seus algozes. É impossível que Saulo não tenha se impressionado com o testemunho deste santo.