ESTUDO DOS QUEBRAMENTOS NO ESTILO ASAMCO DE ARTE MARCIAL
"Não importa quão grande ou pequeno um homem pareça ser; ele não é nada sem sua integridade." (Bruce Lee)
HISTÓRIA
A história da evolução e emprego de técnicas de quebramento se perdem na História das Artes Marciais, mas podemos apenas alegar os seguintes comentários:
- Mestre Massutatsu Oyama – Fundador do Estilo Kiokushin foi considerado um dos homens mais fortes do mundo. Certa vez em uma aldeia no Japão o Mestre Oyama matou um touro furioso com um Golpe de Canto que arrancou a o chifre do animal produzindo sua morte. Chegou a enfrentar leões e ursos nos Estados Unidos. O seu estilo é muito famoso por produzir quebramento de tacos de beisebol com a canela, melancia com ponta de dedos, etc. Foi um dos mestres que mais estudou quebramentos.
- Os coreanos e seus diversos estilos de artes marciais primam pela execução de quebramentos acrobáticos com os pés.
- O estilo Asamco é um dos poucos estilos onde todos os seus faixas pretas conseguem quebrar tábuas de 1 polegada. As artes marciais em geral conseguem que alguns de seus integrantes consigam quebrar uma ou mais tábuas com até mais potência do que os membros de Asamco, porém são poucos que atingem este nível de técnica.
O QUE SÃO QUEBRAMENTOS ?
São formulações didáticas onde oportunizamos ao aluno o rompimento de estruturas sólidas com o objetivo de desenvolvimento de poder, concentração, precisão e eficácia das técnicas do Estilo Asamco de Arte Marcial.
Figura nº xx
Professor Adriano José da Fonseca – 3º Dan, fazendo seu quebramento com golpe de cotovelo durante exame para faixa marrom. Campinas-SP.
Constitui este um tema polêmico, porque nele se misturam um certo folclore e a dificuldade técnica, já que existem fatores condicionantes que obrigam o executante a realizar atos frente a uma platéia e propícia ao assombro.
Devido a isto, há uma quantidade de charlatões, o que, unido ao desenvolvimento da imagem esportiva da arte marcial causou o desuso em muitos estilos, a não ser em algumas exibições, nas quais voltamos a cair “em pecado”.
Independente disto, os quebramentos têm também alto valor pedagógico, sempre que praticadas seriamente e dentro de limites de acordo com o aprendizado do aluno. A execução força a enfrentar uma prova onde se deve constatar a capacidade técnica adquirida diante de um objeto, ao qual deve golpear com força suficiente para que se rompa, o que supõe lutar contra o medo ou receio mental ante um possível dano físico. Sair vitorioso desta prova dá confiança tanto em sua decisão como no ato técnico realizado.
Deixando de lado os quebramentos inusitados de verdadeiros especialistas, e os espartanos treinos de mãos e pés, vamos examinar o aspecto puramente técnico de um quebramento e os efeitos nele produzidos. É necessário, para um estudo básico, assinalar alguns pontos essenciais para conseguir a eficiência nas técnicas utilizadas.
Em primeiro lugar, devemos considerar a atitude mental já cotada e a decisão firme de realizar as técnicas com plena potência e com a convicção de quebrar, sem medo, porém sem dar valor ao ato por sua aparente facilidade. Continuando, é necessário ponderar a força a ser desenvolvida para quebrar o objeto e certamente a segurança para os companheiros que estão segurando o objeto de ruptura se for o caso.
É evidente que ante a fórmula de ação é preciso incidir sobre o tema da velocidade, porque, sendo um fator elevado ao quadrado, as melhores tentativas aumentam mais que proporcionalmente os resultados alcançados. Por isto, devemos sempre imprimir a maior velocidade às técnicas, porque é esta, em última instância, que quebra, porque as técnicas lentas não fazem nada mais além do que empurrar.
Dentro desta área, devemos também levar em conta que a velocidade máxima de um ataque de punho não é alcançada no final do percurso, e sim entre 70 e 80% dele, e por isto nosso objetivo não deve ser fixar no ponto de impacto, e sim por trás dele, para que, quando o impacto aconteça, seja com a velocidade máxima. O outro fator, quer dizer, a massa, também ser feito de modo a representar cerca de 10% do peso. Por isto, devemos tentar que a maior parte possível do peso corporal participe do golpe, especialmente nas técnicas de punho, onde o braço que golpeia não represente se não uns 10% do dito peso.
São essenciais o impulso e rotação do quadril, não somente para dar maior velocidade ao movimento, como massa adicional de choque.
Fora da fórmula física, mas diretamente relacionada com os resultados, está a contra-reação originada com o choque do objeto a ser quebrado, que se for totalmente absorvida pelo nosso corpo, como se fosse uma esponja, torna o rompimento impossível.
É necessário dar firmeza à posição e exercer uma forte contração muscular no último instante. Ao endurecer o corpo e fixar as articulações, traz a solidez necessária para que o contrachoque seja absorvido ao mínimo.
Dentro das técnicas mais utilizadas podemos citar o Golpe de Punho Martelo e o Golpe de Canto, dentro das de braço, e o chute frontal e chute lateral, nas de perna, sem esquecer as técnicas de golpe de cotovelo, cujos resultados costuma ser demolidores.
Em geral, devemos sempre considerar que os golpes circulares quebram mais do que os diretos devido à maior inércia do movimento e que a superfície de incidência, quanto mais reduzida for, possibilita uma ação mais crescente de ruptura.
Os materiais utilizados costuma ser muito diversos, porém os mais generalizados são as tábuas de pinho de uma polegada (2,5cm) de espessura, os tijolos, telhas de barro e barras de gelo.
O quebramento deve ser para o membro Asamco uma atividade rotineira e não um trauma que inabilite o aluno a participar da próxima aula.
Figura nº 01
Mestre Iguatemi Melo Costa – 4º Dan executando quebramento com Golpe de Palma de Mão em estação formada pelos Mestres Alexandre Roberto Camillo Flores e Jeferson Rogério Fernandes dos Santos – ambos 4º Dan
Figura nº xx
Mestre Nochang executando queabramento de telhas em demonstração no 29º Batalhão de Infantaria Blindado – Santa Maria – RS / 1987.
o Gelo = produzem lascas que se transformam em lâminas que produzem lesões de difícil cicatrização.
Figura nº 04
Mestre Alexandre Roberto Camillo Flores – 4º Dan executando quebramento de duas barras de gelo em seu exame para 4º Dan na cidade de Tupanciretã-RS.
Figura nº 03
Mestre Jeferson Rogério Fernandes dos Santos – 4º Dan executando quebramento com Chute Lateral (três tábuas) em estação formada pelos Mestres Alexandre Roberto Camillo Flores e Iguatemi Melo Costa – ambos 4º Dan

Figura nº 04
Mestre Alexandre Roberto Camillo Flores – 4º Dan executando quebramento com Giro Lateral Saltando em estação formada pelo Mestre e Jeferson Rogério Fernandes dos Santos – 4º Dan
ESTRUTURA DAS TÁBUAS PARA QUEBRAMENTOS
As tábuas para treinamento de quebramentos e exames de faixas deverão ser de 30 cm X 30 cm com 1 polegada de espessura para os alunos maiores de 12 (doze) anos inclusive e 30 cm X 15 cm para os menores de 12 (doze) anos.
Alunos com menos de 12 (doze) anos (preferencialmente meninas) conforme o caso, a tábua poderá ser de meia polegada de espessura.
As tábuas deverão ser de pinheirinho ou pinus e de preferência após o corte deverão ser lixadas para evitas lascas que possam ferir os executantes.
Figura nº 05
Tábua de quebramento com suas dimensões.
COMPONENTES DE UM QUEBRAMENTO
O que é importante em um quebramento
- Técnica è saber executar a técnicas prevista corretamente em todos os seus princípios básicos e componentes.
- Foco è o executante deverá fazer uma correta pontaria no alvo
- Poder è o executante deverá procurar executar o quebramento com uma concentração de poder suficiente para romper a(as) tábua(s) evitando excessos que poderão ferir os companheiros que estão segurando as tábuas.
- Contato Visual è em circunstância nenhuma o executante deverã abandonar o contato visual do alvo de seu quebramento
- Alinhamento do Corpo è procurar desenvolver o alinhamento correto do corpo para todas as técnicas físicas de braço ou pés que podem produzir quebramentos
- Ajuste è saber ajustar as estações e alturas de tábuas de acordo com a sua capacidade e experiência de quebramentos.
Mestre Jeferson Rogério Fernandes dos Santos – 4º Dan rompendo 8 tábuas de uma polegada durante sua demonstração para passagem para o 4º Dan – realizada em Campinas-SP em janeiro de 1999.
Figura nº xx
Mestre Instrutor José Sizandro Piccinin – 5º Dan executando quebramento de Lages de pedra com marreta no abdômen do Mestre Chefe Nochang – 8º Dan – 1987
QUEBRAMENTOS PREVISTOS PARA OS DIVERSOS EXAMES DE FAIXAS DE ASAMCO

Figura nº 06
Aluno faixa azul infantil executando quebramento de uma tábua com chute lateral.
- EXAME PARA A FAIXA MARROM - uma estação, com técnica de mão ou pé
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OPÇÃO |
TÉCNICA |
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01 |
Golpe de Cotovelo Horizontal |
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02 |
Chute Lateral n.º 1, 2, 1 av. ou 2 av. |
- EXAME PARA A FAIXA VERMELHA - duas estações, uma com técnica de pé e outra com técnica de mão
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OPÇÃO |
TÉCNICA |
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01 |
Golpe de Palma de Mão |
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02 |
Golpe de Cotovelo Horizontal para trás |
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03 |
Chute Lateral Saltando n.º 1, 2, 1 av. ou 2 av |
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04 |
Chute Frontal n.º 1, 2, 1 av. ou 2 av. |
- EXAME PARA A FAIXA PRETA PRIMEIRO DAN - três estações, com uma técnica diferente das outras duas
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OPÇÃO |
TÉCNICA |
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01 |
Golpe de Punho Martelo |
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02 |
Golpe de Canto ou Golpe de Canto para dentro |
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03 |
Giro Lateral |
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04 |
Chute Frontal Saltando |
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05 |
Chute Semicircular |
- EXAME PARA A FAIXA PRETA SEGUNDO DAN - três estações.
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OPÇÃO |
TÉCNICA |
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01 |
Giro Lateral Saltando, Chute
Martelo Saltando e Golpe de Canto Descendente. |
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02 |
Chute Torcido, Giro Circular
Calcanhar Saltando, Golpe de Canto para dentro |
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03 |
Chute Martelo, Giro Gancho e
Golpe de Punho Vertical. |
-
EXAME PARA
A FAIXA PRETA TERCEIRO DAN - quatro estações
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OPÇÃO |
TÉCNICA |
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01 |
Giro Lateral Saltando sobre um
Obstáculo, Chute Torcido Saltando, Chute Semicircular ao Solo e Chute
Frontal Recuando. |
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02 |
Giro Semicircular Saltando n.º 2
av. , Frontal e Lateral com a mesma perna (sem abaixa-la) e Golpe de
Canto Interno. |
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03 |
Giro Circular para dentro
Saltando, Golpe de Cotovelo Frontal, Giro Torcido Saltando e Chute
Circular Semi-flexionado para fora. |
-
EXAME PARA
A FAIXA PRETA QUARTO DAN - 5 (cinco) alvos
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OPÇÃO |
TÉCNICA |
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01 |
Giro Lateral Saltando sobre 2
(dois) obstáculos, Martelo ao Solo, Giro Lateral Saltando 540º e Golpe
de Punho Frontal Simultâneo |
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02 |
Chute Lateral e Torcido Simultâneo
Saltando, Golpe de Canto Simultâneo e Chute Circular Calcanhar Saltando
Recuando |
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03 |
Chute Frontal Triplo, Golpe de
Canto Interno com dois obstáculos seqüenciais. |
- EXAME PARA A FAIXA PRETA QUINTO DAN
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OPÇÃO |
TÉCNICA |
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01 |
Chute Frontal e Lateral Seqüencial
Saltando, Rolamento e Martelo ao Solo e Golpe de Punho Vertical. |
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02 |
Chute Semicircular Saltando
apoiando em suporte, Chute Frontal Simultâneo, Golpe de Cotovelo para
baixo com 3 (três) tábuas (mulher duas). |
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03 |
Golpe de Canto para Baixo com 3
(três tábuas) [mulher duas], Giro Circular Calcanhar n.º avançando
seção Baixa, após seção média e depois seção alta. |
- EXAME PARA A FAIXA PRETA SEXTO DAN
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OPÇÃO |
TÉCNICA |
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01 |
Chute com Solado para trás com
uma perna e apoio, Giro Circular Calcanhar com centrífuga de cabeça,
Golpe de Cotovelo para Cima, Chute Semicircular com apoio. |
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02 |
Chute Frontal Saltando com apoio,
Golpe de Punho (uma polegada), Chute Semicircular e Gancho Saltando Seqüencialmente. |
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03 |
Chute Semicircular com o peito do
pé com 2 (dois) obstáculos seqüenciais, Chute Frontal seguido de Giro
Lateral Saltando e Golpe de Punho para os lados |
-
EXAME PARA
A FAIXA PRETA SÉTIMO, OITAVO E NONO DAN
Opções:
ó
O QUEBRAMENTO SERÁ ESCOLHIDO PELO MESTRE EXAMINADO E DEVERÁ SER DIFERENTE DE
TODOS OS ANTERIORMENTE APRESENTADOS, EM TRÊS ESTAÇÕES.
OBSERVAÇÃO
1
:
Em caráter excepcional, poderá ser solicitado ao Departamento de Exames uma outra opção de quebramentos quando o
aluno possui motivos justificados para isto, quais sejam : debilidades físicas,
idades avançadas, etc.
OBSERVAÇÃO
2
:
Os Faixas Pretas que prestam exames para o 3º DAN poderão optar em alguma
das estações de quebramento por colocar apenas uma tábua.

Figura
nº 06
Mestra
Instrutora Marlei Pessoa da Silva - 4º Dan quando executava quebramento com
chute lateral saltando sobre dois obstáculos.
