FLEXIBILIDADE NO ESTILO ASAMCO DE ARTE MARCIAL

"Qualquer técnica, por mais valiosa que seja, torna-se um mal quando a mente fica obcecada por ela." (Bruce Lee)

A NATUREZA DAS PESSOAS

Os indivíduos nascem com formações diferentes uns dos outros.

Assim como um bebê pesa 3 quilos ao nascer e outro 4 quilos, desta maneira também será diferente na formação da estrutura óssea, tipo de pele, cabelos e assim por diante.

Sendo assim um indivíduo é totalmente diferente do outro em sua formação física.

Todos admiramos a flexibilidade de crianças de pouca idade.

Muitas vezes nos surpreendemos com crianças com aberturas de pernas de 180º, inclinadas à frente distraídas com a leitura de um gibi ou um brinquedo qualquer.

Mas, com o passar dos anos, sem o devido treinamento a flexibilidade dos membros vai declinando.

Muitas vezes encontramos pessoas que com idade avançada possuem excelentes aberturas de pernas e elasticidade em geral, mesmo sem nunca terem treinado exercícios para esse fim.

E, há casos de pessoas que executam exercícios regulares de elasticidade e não possuem tanta flexibilidade.

Por isso no Estilo Asamco de Arte Marcial a flexibilidade começa a ser trabalhada logo que o instrutor percebe que o aluno já conseguiu base muscular para que seja executado tal treinamento, pois uma pessoa sedentária recém chegada a academia não pode começar a treinar flexionamento antes de que seus músculos, tendões e articulações recebam inicialmente durante algumas semanas ou meses de treinamento uma carga que fortaleça todo esse conjunto para que ele esteja apto a ser treinado com exercícios que com certeza nunca foram trabalhados com ele, e assim desenvolva com segurança uma flexibilidade segura e controlada respeitando as individualidades biológicas de cada aluno.

Existem diversos modos de desenvolver a flexibilidade e o instrutor tem que adaptar os meios existentes para cada aluno, pois alguns não renderiam com métodos simples e outros não resistiriam a outros métodos mais complexos que já exigiriam domínio sobre músculos em alta amplitude de movimento.

Abaixo se vê o que diversos autores especialistas em flexibilidade dizem sobre o assunto.

FLEXIBILIDADE

·       Flexibilidade é a capacidade e a característica de um atleta de executar movimentos de grande amplitude, ou sob forças externas, ou ainda que requeiram a movimentação de muitas articulações.

  ·       "Qualidade física responsável pela execução voluntária de um movimento de amplitude angular máxima, por uma articulação ou conjunto de articulações, dentro dos limites morfológicos, sem o risco de provocar lesão”.(DANTAS, 1995, p. 33).

 Flexibilidade geral e específica

 Flexibilidade ativa e passiva

 Flexibilidade estática

 ·       Com o aumento da flexibilidade, os exercícios podem ser executados com maior amplitude de movimentos, maior força, mais rapidamente, mais facilmente, com maior fluência e de modo mais eficaz.

  1.   Otimização da execução qualitativa e quantitativa dos movimentos

 2.   Otimização da capacidade coordenativa, técnica e do processo de aprendizado motor.

 3.   Otimização dos requisitos motores do condicionamento

 Força – velocidade – resistência – profilaxia de leões – profilaxia postural/profilaxia de desequilíbrio muscular

 4.   Otimização da recuperação

 5.   Psicoregulação

  

A flexibilidade é condicionada pela estrutura das articulações

  

Flexibilidade e massa muscular

Flexibilidade e tônus muscuclar

Flexibilidade e capacidade alongamento muscular

Flexibilidade e capacidade alongamento de tendões, ligamentos, cápsulas articulares e pele.

Flexibilidade em função da idade e do sexo

Flexibilidade em função do estado de aquecimento

Flexibilidade e fadiga muscular

Flexibilidade e amplitude

  

Quanto mais alta for a exigência de performance, mais atenção deve ser dada à flexibilidade. Ressalte-se que isto não significa alcançar o máximo possível de mobilidade

 A flexibilidade, ao contrário de todas as outras qualidades físicas, não é melhor quanto maior for. Existe um nível ótimo de flexibilidade para cada desporto e para cada pessoa, em função das exigências que a prática exercerá sobre o aparelho locomotor e a estrutura dos seus componentes (ligamentos, articulações, músculos e outras estruturas envolvidas)

Um nível de flexibilidade acima do desejado, além de não acarretar melhora da performance nem diminuição do risco de distensão muscular, propiciará aumento da possibilidade de luxações (DANTAS, 1995, p. 51; KRIVICKAS & FEINBERG, 1996 e TWELLAAR, VERSTAPPEN, HUSON & VANMECHELEN, 1997). 

 O treino de alto rendimento se fundamenta nos Princípios Científicos do Treinamento Desportivo (DANTAS, 1995, p. 37-54). Com a flexibilidade não poderia ser diferente. O texto dos parágrafos precedentes apenas destaca a necessidade de serem levados em conta os preceitos de dois dos citados Princípios: 

Individualidade Biológica  Especificidade 

Para trabalhar a flexibilidade do atleta de alto rendimento, visando obter o máximo de resultados com o mínimo de riscos, será necessário um conhecimento bastante amplo dos três fatores envolvidos: as características biológicas do atleta, as exigências específicas do desporto e os fundamentos fisiológicos e metodológicos da flexibilidade.

METODOLOGIA DO TREINAMENTO DA FLEXIBILIDADE

O trabalho submáximo será denominado de Alongamento e o máximo de Flexionamento. ALTER (1996, p. 97), citando Doherty (1971), indica que se pode trabalhar a flexibilidade (flexibility) de duas formas: stretching (alongamento) e overstretching (sobrealongamento)

Diferenças entre o Alongamento e o Flexionamento. 

Característica

Alongamento

Flexionamento

Efeito Fisiológico

Deformação dos componentes plásticos (mitocôndrias, retículo sarcoplasmático, sistema tubular, ligamentos e discos intervertebrais)

Ação sobre os mecanismos de propriocepção: Fuso Muscular, no caso de insistência dinâmica e Órgão Tendinoso de Golgi se a insistência for estática.

Efeito Durante a Performance

Facilita a execução dos movimentos e aumenta sua eficiência pela pré-deformação desejável dos componentes plásticos

Devido à ação residual da resposta proprioceptiva, provoca contratura se houver sido realizado flexionamento dinâmico ou, diminuição do tônus no caso do atleta realizar insistência estática imediatamente antes da prova

Utilização

Durante o aquecimento e na volta-à-calma

Seções de treinamento para aumentar a flexibilidade 

 O flexionamento é a forma de treinamento da flexibilidade (solicitação máxima). Ele pode ser feito de três formas: por meio de insistências estáticas (Método Passivo), por meio de insistências dinâmicas ou balísticas (Método Ativo) e o Método de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva. 

 Métodos Ativos (ou Flexionamentos Dinâmicos)

Consistem na realização de exercícios dinâmicos, que devido à inércia do segmento corporal, resulta num momento de natureza balística, provocando trabalho nas estruturas limitantes do movimento. Cada músculo deve ser submetido a três ou quatro séries de 10 a 20 repetições cada uma, alternada com movimentos de soltura. 

A realização de movimentos de amplitude máxima, em velocidade, estimula o Fuso Muscular, acarretando o Reflexo Miotático ou Reflexo de Estiramento. Este reflexo provoca contração da musculatura que está sendo estirada. Devido a esta reação proprioceptiva, neste tipo de Flexionamento, a estrutura limitante ao movimento é, via de regra, a musculatura antagonista e em especial, os componentes elásticos em série (parte das fáscias de tecido conjuntivo que ficam entre duas fibras musculares e entre estas e o tendão) dos citados grupos musculares. Estes métodos enfatizam, portanto, a Elasticidade Muscular

A contra indicação destes métodos é devida as repetidas trações a que são submetidos os componentes elásticos em série e os tendões, capazes de diminuir a sustentação do segmento corporal considerado e até mesmo indicando a possibilidade de mini-comprometimento da Força Explosiva (MAGNUSSON, SIMONSEN & KJAER, 1996; TAYLOR, DALTON, SEABER & GARRETT, 1990).

 Método Passivo (ou Flexionamento Estático)

Para se empregar este método deve-se, lentamente, chegar ao limite normal do arco articular do atleta (limiar entre o alongamento e o flexionamento), forçar suavemente além deste limite, aguardar cerca de seis segundos e realizar novo forçamento suave, procurando alcançar o maior arco de movimento possível. Neste ponto, o arco articular obtido deve ser mantido por 10 a 15 segundos (DANTAS, 1995, p.75). A rotina deve ser repetida por três a seis vezes, com intervalo de descontração entre elas. O objetivo deste método é o aumento da Flexibilidade pelo incremento prioritário sobre a Mobilidade Articular

Diversos profissionais insistem em recomendar tempos de permanência maiores dos que os indicados, baseados em vagas experiências pessoais, sem o indispensável respaldo da ciência. Os cientistas que estudaram o assunto, ficam mesmo com os tempos indicados. BORMS, VAN ROY SANTES & HAENTJENS (1987), indicam como ideal um tempo de insistência de 10 segundos e chegaram a conclusão que tempos de 20 ou 30 segundos são desnecessários. Já MADDING, WONG, HALLUM & MEDEIROS (1987), comparando os efeitos provocados por insistências de 15, 45 e 120 segundos, verificaram não haver qualquer vantagem na utilização de insistências com mais de 15 segundos.

Para superar as dúvidas que possam persistir quanto à eficácia de aumentar o tempo de insistência para conseguir um melhor efeito de treinamento, cabe citar o trabalho de BANDY, IRION & BRIGGLER (1997), que compararam os efeitos de insistências de 30 e de 60 segundos, com uma ou três repetições e não encontraram diferenças significativas entre os resultados.

A tensão isométrica provocada pela insistência estática a que se submete o músculo atua sobre o Órgão Tendinoso de Golgi, provocando um relaxamento da musculatura agonista, acarretando que o fator limitante do movimento seja, normalmente, a articulação. Por ser esta estrutura que suporta a força que se está realizando, ela tende a se adaptar, aumentando a extensibilidade de seus tecidos moles e diminuindo, desta forma, sua estabilidade. O fenômeno exposto torna contra indicado o Método Passivo para o treinamento da flexibilidade das articulações sujeitas a choques nos desportos de contato (McNAIR & STANLEY,1996). 

 Métodos de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP)  

Os processos que se utilizam da FNP para o treinamento da flexibilidade são os de maior eficácia (ALTER, 1988, p. 89; GODGES, MacRAE, LONGDON, TINBERG & MacRAE, 1989; MASSARA & SCOPPA, 1995; SURBURG & SCHRADER, 1997). 

Originários dos estudos de Kabat (1952, citado por DANTAS, 1995, p. 76), realizados inicialmente para fins terapêuticos, os princípios da FNP foram utilizados por Holtz (1967, Op. Cit.) para desenvolver o Scientífic Stretching for Sports (3S). 

FLEXIBILIDADE E PERIODIZAÇÃO

As articulações sujeitas a choques nos desportos de contato devem ter preservado sua estabilidade pela ênfase no aumento da elasticidade muscular em detrimento da atuação sobre a mobilidade articular. O efeito inverso será desejável para o treinamento da flexibilidade dos grupos musculares que necessitam realizar sustentação de um segmento corporal ou que apresentarão contrações explosivas durante a performance. 

Respeitando-se estes postulados básicos, chega-se a conclusão que o treino da flexibilidade de um atleta empregará métodos distintos para cada segmento corporal considerado, conforme o tipo de esporte que se está treinando. 

Métodos de Treinamento da Flexibilidade a Serem Utilizados ao Longo da Periodização

Período

Fase

Método

Finalidade

Preparação

Básica

Flexionamento Ativo

Ênfase na Elasticidade Muscular, nas articulações que necessitam preservar sua estabilidade.

Flexionamento Passivo

Ênfase na Mobilidade Articular, na musculatura que necessita potência ou sustentação.

Específica 

Flexionamento FNP 

Obtenção do arco de movimento necessário para a performance

Competição 

- 

Alongamento 

Manutenção da Flexibilidade obtida sem risco de provocar lesão 

Transição

-

Flexionamento Passivo 

Aumento do nível geral de Flexibilidade 

 Para determinar quais os movimentos que necessitam de maior amplitude e quanto de flexibilidade o atleta deve possuir em cada um deles, o preparador físico, juntamente com a comissão técnica, na Fase de Ante-projeto de Treinamento do Período de Pré-preparação, determina em quais gestos desportivos a qualidade física Flexibilidade se faz presente e qual a amplitude máxima necessária a uma performance ótima. 

 É importante ressaltar que durante o treinamento, deve-se procurar dotar o atleta de um arco articular cerca de 20% maior que sua necessidade de performance, para que possa realizar cada um dos gestos desportivos específicos do desporto sem esforço muscular desnecessário. 

Os últimos 10 a 20% do arco articular são caracterizados por apresentarem uma maior resistência ao movimento devido ao fato de se estar chegando ao limite de distensibilidade dos músculos, ligamentos e outros tecidos conjuntivos envolvidos. Assim, cada vez que se entra nesta Zona de Alta Resistência (ZAR), a pessoa se vê compelida a realizar um esforço extra, além do normalmente exigido para a execução do movimento. No caso de ser necessário realizar movimentos de grande amplitude, deve-se certificar de que se dispõe de uma margem de segurança de cerca de 20 % a mais do que o arco articular que vai ser utilizado. Esta precaução reduzirá o desgaste energético do atleta.(DANTAS (1995);p. 48)  

 CONCLUSÃO

Uma vez determinados os movimento que necessitam de uma boa flexibilidade, quais os métodos que serão utilizados para seu treinamento e qual a amplitude adequada para cada um destes arcos, o preparador físico montará uma "rotina" de exercícios que serão utilizadas quotidianamente, possibilitando sua memorização pelo atleta, para que, nos momentos psicologicamente desgastantes do período pré-competitivo, ele possa executar o procedimento correto de alongamento de forma automatizada. 

É importante se relembrar que a flexibilidade embora não seja uma qualidade física de importância prioritária na performance, se comparada com a força a velocidade ou a resistência, ela está presente em quase todos o desportos. Por isso também causa surpresa se constatar que talvez seja ela a qualidade física menos estudada. Este fato pode fazer com que seu treinamento seja mais influenciado por crenças e costumes do que por conhecimentos científicos. 

 CONCLUSÃO DO ASAMCO

 - É com base em estudos científicos como este que o Estilo Asamco de Arte Marcial proporciona ao seu praticante um nível de flexibilidade ótimo para que se possa lutar e executar técnicas que exigem grandes amplitudes de movimento sem o risco de lesões e fazendo com que alunos e instrutores façam uma arte marcial poderosa  e bonita de se ver, com chutes rápidos, altos e complexos sendo feitos com facilidade e domínio da técnica por seus executantes.

A seguir vemos uma seqüência de exercícios que pode ser feita antes do treino como alongamento e alguns até depois do treino já como treinamento de flexibilidade, dependendo do método adotado pelo instrutor.  

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