AVALIAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE CONFORTO EM EDIFICAÇÕES DA UFPE
Prof. Ruskin Freitas (Coord.)
William Pinheiro Júnior
Ana Maria Melo
Herculano Mendonça Neto
Márcia Fernandes
Raissa Falcão
O Conforto Ambiental é essencial no desempenho das atividades humanas. Ele envolve condições psicológicas de bem estar, identificação e satisfação com o lugar, assim como condições físicas de temperatura, umidade, ventilação, iluminância e acústica. Podemos sentir estas condições, assim como medi-las, através do uso de instrumentos apropriados. Antes de darmos início ao estudo de uma edificação, precisamos ter um conhecimento da área em que esta se insere, pois as influências do processo de urbanização, da disposição do conjunto de edificações, dos materiais construtivos utilizados, da preservação e consideração dos elementos naturais, vão determinar a formação de microclimas urbanos. Estes microclimas, que são variações locais de elementos característicos do clima da região, vão gerar, por sua vez, diferentes graus de conforto em áreas bem próximas, contribuindo para a inospitalidade urbana, assim como para a formação de ilhas de amenidades. Um outro aspecto de suma importância, neste processo de avaliação das condições ambientais de um espaço construído, é a investigação do seu objetivo quanto ao bem-estar daqueles que moram, trabalham ou mesmo transitam pelo local. Este conforto ambiental está ligado, tanto ao metabolismo humano, ao seu sistema termo-regulador, como às atividades que são desenvolvidas em cada ambiente. As condições de conforto físico podem ser avaliadas segundo a Carta Psicométrica de Olgyay (1962), onde temos como variáveis a temperatura do ar, a umidade relativa do ar e a necessidade, ou não de ventilação. Também segundo a Carta Bioclimática, desenvolvida por Givoni (1992), podemos avaliar se determinado ambiente se insere numa 'zona de conforto'. Através da análise dos elementos, segundo uma destas cartas pode-se avaliar quais as deficiências do ambiente para se tentar corrigi-las. A partir da análise integrada de diversos fatores, é possível se efetuar uma avaliação qualitativa, referente ao conforto ambiental da edificação ou do espaço urbano em estudo. Porém, devido às atuais preocupações quanto ao dispêndio de energia elétrica, o fator eficiência energética também tem que ser levado em conta no momento de concepção e de análise de um projeto, onde um ambiente será considerado mais eficiente que outro, quando oferecer as mesmas condições de conforto com o menor dispêndio de energia. As medições, com intuito de compreender os fatores ambientais que atuam nos diversos ambientes estudados, devem ser feitas, preferencialmente, nos horários determinados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), seguindo por sua vez padrões internacionais: 3:00, 9:00, 15:00 e 21:00 horas. Buscamos também obter dados mais equânimes entre os valores extremos diários dos diversos elementos analisados, procurando coincidir, com os horários de maior utilização dos espaços e acessibilidade às edificações. Para tanto, utilizamos instrumentos específicos para medição de temperatura e umidade (Termohigrômetro), velocidade do vento (Anemômetro), iluminação (Luxímetro) e ruído (Decibelímetro). A análise do conjunto atmosférico do ambiente, em locais específicos e representativos, identificados na pesquisa, embasaram diagnóstico e sugestões, com o objetivo de contribuir para o conforto ambiental dos usuários e para a eficiência energética da edificação. Apresentamos a seguir alguns parâmetros adotados:
Temperatura do ar: Segundo a carta psicométrica de Olgyay (1962) a temperatura deve estar compreendida entre 22°C e 28°C, para mantermos o equilíbrio do sistema termo regulador humano, porém, devido aos efeitos da aclimatação, no caso do Recife, adotamos a faixa entre 24°C e 28°C, como zona de conforto térmico.
Umidade relativa do ar: A umidade, ainda segundo Olgyay (1962), deve se situar numa faixa entre 20% e 80%, para que não soframos as conseqüências de um ambiente excessivamente seco ou úmido, porém, para maior segurança, adotamos como zona de conforto os valores compreendidos entre 30 e 70 %.
Orientação das aberturas: Devido ao regime de ventos que vigora no Recife, (Inmet, 1996; Lacam 1998) é recomendado que as aberturas possuam orientação, Sudeste ou Sul, para favorecer a captação dos ventos dominantes e, ao mesmo tempo, minimizar os efeitos da radiação solar.
Velocidade do vento: No caso do Recife, a ventilação é recomendada para combater os efeitos do calor e umidade, promovendo as trocas térmicas, porém velocidades excessivas são consideradas desconfortáveis. Baseados em Gandemer e Guyot (1976), Beaufort in Mascaró (1996) e Hertz (1998), adotamos a faixa compreendida entre 1,0 e 3,0 m/s, como ventilação confortável (de acordo com a funcionalidade dos ambientes, interno / externo, e com os valores dos demais elementos climáticos, principalmente temperatura e umidade, estes valores podem sofrer adaptações).
Iluminação: Para um melhor desenvolvimento das atividades humanas, os níveis de iluminação necessitam estar compreendidos dentro de uma determinada faixa, onde, tanto o sub-dimensionamento, quanto o excesso, serão prejudiciais, podendo ocasionar perda de acuidade visual ou ofuscamento. Para os ambientes de circulação e atividades gerais o nível de iluminância deve estar em torno de 150 lux, no caso das atividades de leitura, 300 lux e para o desenho técnico deve ser da ordem de 750 lux, conforme NBR no 5.413 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Acústica: Partindo do princípio de que o ser humano fala a uma intensidade média de 70dB, considera-se que os níveis de ruído devem estar abaixo deste valor. Isto garante a legibilidade do som, que se deseja ouvir, sobretudo no caso das atividades de aprendizado. A NBR no 10.152 da ABNT indica a faixa de ruído aceitável para o desenvolvimento de atividades administrativas entre 35-45 dB (A) e para salas de aula 40 - 50 dB (A).
Percentual de Pessoas Satisfeitas (PPS): A partir da aplicação de questionários, com cerca de 5% da população usuária de cada edificação estudada, procuramos desenvolver uma análise comparativa entre a percepção dos usuários e os valores coletados, confrontando ainda com uma visão mais técnica, ou seja, nossa própria experiência teórica e empírica.
Após sistemáticas medições e avaliações, procuramos classificar os ambientes, de acordo com sua inserção, ou não, nos intervalos denominados 'zona de conforto'. Lembramos a necessidade de análise conjunta destes parâmetros, assim como da consideração do contexto de um clima tropical quente e úmido. Um determinado fator poderá minimizar o efeito de um outro, a ventilação poderá amenizar os efeitos da alta temperatura e umidade, por exemplo.
Como referência para análise das condições de conforto nos ambientes estudados, utilizamos a tabela seguinte:
Qualidade dos Ambiente (Lacam, 1999) Temperatura do ar (°
C) Umidade Relativa do Ar (%) Iluminação (p/ leitura) (lux) Orientação das Aberturas (N) Velocidade do Vento (m/s) Ruído nos ambientes (dB) CONFORTÁVEL 24 a 28 30 a 70 300 (250 a 350) SE S L 1,0 a 3,0 40 a 50 INTERMEDIÁRIO 22 a 24 e 28 a 30 20 a 30 e 70 a 80 150 a 250 e 350 a 500 NE SO 0,5 a 1,0 e 3,0 a 4,0 < 40 e 50 a 70 DESCONFORTÁVEL < 22 e > 30 < 20 e > 80 < 150 e > 500 N NO O < 0,5 e > 4,0 >70 FREITAS, Ruskin. (Coord.). Avaliação das condições de conforto em edificações da UFPE. Recife : Lacam / UFPE , 1999.