AUSÊNCIA

                    Na manhã da tua ausência despertei com uma esquecida canção, que não vinha da janela, não vinha do mar, não vinha de você. E tentando ouvi-la melhor, fui chegando tão perto, e mais, até que pude reconhecer a velha canção que vinha de mim mesma, como uma antiga amiga, daquelas que mantemos uma temporária distância.
                    De perto, convidei-a a entrar, como quem abre as portas de seu mais íntimo convívio. Ficamos caladas, eu e a canção, e suavemente nos sentamos lado a lado tão iguais.
                    A canção falou-me de lembranças, de infância esquecida, de projetos inacabados e antes que eu me pusesse a chorar falou-me de um amor que terminara.
                    Enxugamos as lágrimas, num gesto solidário de consolo e juntas nos encaramos num riso tímido. Foi aí então que ela desapareceu. Fiquei sozinha procurando a canção, mas não me senti só finalmente,
 

                                                                       (Maria Cristina Pina - TUCA)

 

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