| Sahasetaum | ||||
| Esta � outra vers�o de como poderia ser o conflito final entre o Imp�rio das Luzes e o Reino das Trevas, pela conquista do Cosmo e das criaturas evolu�das, a fim de agradar ao Universo e mostrar qual dos filhos � o melhor soberano de suas posses. Ao menos, essa era a inten��o do Universo, criou Leviathan e Iahravel para ajud�-lo a comandar o Cosmo em toda sua extens�o, mas n�o imaginou que isso iniciaria uma luta entre os irm�os, pela conquista de mais gal�xias para suas possess�es. Isso o deixou irritado, tanto com seus filhos como consigo mesmo. Entretanto ele n�o era capaz de tomar atitudes dr�sticas. Se fosse para punir seus filhos, deveria punir-se primeiro. Mas o conflito tomava dimens�es assustadoras e isso o angustiava. Suas part�culas, prestativas, puseram-se a trabalhar para tranq�iliz�-lo, tirando dele o fluxo irado at� este assumir uma forma de vida independente e pronta para agir pelo Universo, j� que este n�o queria. Foi com satisfa��o que o Universo viu surgir um quase meio irm�o, pronto para ser a for�a da justi�a, pelo bem da harmonia no Cosmo, mais a sua pr�pria, antes que ficasse conturbado e tudo acabasse. Melhor que isso era ent�o dar boas vindas a este e deix�-lo trabalhar. Assim surgiu Sahasetaum, que partiu em miss�o para advertir Leviathan e Iahravel de que este conflito estava tomando propor��es perigosas. Como a reclama��o de in�meras criaturas imoladas era em maior n�mero contra o Imp�rio das Luzes, para l� se dirigiu Sahasetaum. No castelo de Iahravel, a corte estremeceu ao perceber algo estranho acontecendo no firmamento. Foram perguntar ao Imperador o que ele estava fazendo, pois o julgavam respons�vel, j� que dizia sempre ser o Deus �nico e todo poderoso. Talvez o fosse, mas entre os seus, mas n�o muito diante de seu irm�o e nem um pouco diante de seu Pai. Como sabia que seu Pai n�o o atacaria, achou que s� poderia ser coisa de seu irm�o. -Meus filhos! Eis que vejo que as for�as infernais t�m a ousadia de vir at� nossa presen�a e nos atacar! Preparemo-nos e vamos enfrent�-las! Assim se equiparam com todas as armas, o ex�rcito inteiro, paramentado e pronto para enfrentar todo tipo de for�a. Quando Sahasetaum saiu dentre os rodamoinhos de estrelas e energias c�smicas, o ex�rcito inteiro entrou em como��o, o pr�prio Iahravel se assombrou com semelhante apari��o. Mas logo deu o comando de ataque, sendo seguido por in�meros disparos das armas mais pesadas. Os fachos luminosos ricocheteavam pelo corpo de Sahasetaum, como pipocas na panela, mas o ataque o enfurecera. Simplesmente com uma de suas patas, golpeou toda a tropa, jogando-a de volta ao castelo de Iahravel, que quase n�o vem abaixo com o impacto. Embora desacordado, Iahravel pode escutar bem a advert�ncia de Sahasetaum que, se me permitirem, irei omitir, pois � terr�vel demais para que se escreva e pior ainda de se ler. Avisado o primeiro filho, Sahasetaum dirigiu-se ao outro. Esperemos que Leviathan receba melhor Sahasetaum, que j� est� irritado. Que o fa�a ainda ter confian�a ao menos em um filho e o tranq�ilize, sen�o, toda luta ter� sido em v�o! Do mesmo jeito que se aproximou do centro do Imp�rio das Luzes, Sahasetaum aproximou-se do centro do Reino das Trevas, com as mesmas conseq��ncias disso. O Conselho das Trevas, receoso de que isso fosse um plano de Iahravel para derrot�-los, estavam para ordenar prontid�o,quando Leviathan acordou e ergueu-se. -Soberano Leviathan! Melhor se esconder e vestir tua armadura! Sentimos que teu inimigo est� tramando tua morte! -N�o sabem o que dizem, amigos. Este n�o � meu irm�o, sen�o j� o sentiria. E? algo maior, que me toca o cora��o. Devo receb�-lo em minha casa e trat�-lo bem, seja l� qual for o motivo de vir me visitar. Apesar dos pedidos, Leviathan sai, dispensando sua guarda e at� seus ministros de acompanh�-lo, sai sem uma arma sequer. N�o contendo sua euforia, deixa ser visto em seu poder, como o Drag�o de Sete Cabe�as e Dez Chifres. Diante da tempestade c�smica faz uma sauda��o reverente. -Pai, o que queres de mim? Diz o Soberano das trevas. No que surge Sahasetaum e lhe explica: -N�o sou seu Pai, mas vim por causa dele, para advertir a ambos os filhos de que o conflito deve ter fim. -Se n�o � meu Pai, quem �s, criatura, capaz de trazer ternura ao meu negro cora��o? -Eu sou Sahasetaum, o que foi designado pelo Universo, para controlar as atividades das Luzes e das Trevas. Se necess�rio, julg�-las! -Ent�o entre e seja bem vindo. Nada tenho a esconder ou me envergonhar. Antes de dominar, prefiro mais a livre associa��o dos seres � minha causa. Se eu luto, � para manter a salvo tantos planetas e vidas que existem pelo Cosmo, sem esperar destes, gratid�o ou reconhecimento. Como criaturas racionais e feitas da mesma mat�ria que a minha, embora mortais e fr�geis, devem ser livres para terem seu destino e sua cren�a, seja nos princ�pios das Luzes ou das Trevas. Tendo escutado e visto tanta sinceridade, sabedoria e nobreza, Sahasetaum acalmou-se,at� esquecendo-se do incidente com Iahravel. Aceitou o convite e entrou na casa de Leviathan. Foi ent�o apresentado � rainha das Trevas, Nahema, esposa de Leviathan. Apresentou-o � princesa das Trevas e sua filha, Lilith, mais seu companheiro, Samael. Lilith saudou o imponente guerreiro, com o mesmo beijo carinhoso que uma neta daria a seu av�. Tanta for�a e poder lhe provocavam, mas apesar deste amor s�bito, sua paix�o verdadeira era por Samael. Sahasetaum at� poderia tirar partido disso, mas para ele, Lilith era quase menos que uma crian�a. Nahema era t�o bela, sen�o mais que Lilith, mas sentia-a como sua pr�pria filha. Ent�o preferiu continuar s�. Leviathan levou-o ent�o ao Conselho das Trevas, que o recebeu atordoados, tamanha era a pot�ncia. Era o mesmo que um anci�o ter entrado numa brincadeira de roda. Preparou-se ent�o uma festa de boas vindas, para apresentarem-se todos ante Sahasetaum. Satan e Molock pediram-lhe para que aben�oasse a uni�o deles, mas Sahasetaum era mais juiz que sacerdote. Belph�gor fez uma bela explica��o dos princ�pios das Trevas, mas Sahasetaum a escutava, como um professor que tentava prestar aten��o � apresenta��o de uma aluna. Lucifuge apresentou sua tese de acusa��o contra o Imp�rio das Luzes, mas Sahasetaum como juiz sabia perfeitamente os pr�s e os contras dos dois filhos do Universo. Belzebu e Baal Chanan fizeram um verdadeiro espet�culo a�reo, mas Sahasetaum, que j� tinha visto a dan�a das estrelas, planetas e gal�xias, nem se entusiasmou. Enfadonho, para Sahasetaum, foi ouvir as abordagens alqu�micas sobre fen�menos naturais e sobrenaturais de Astaroth, j� que Sahasetaum era a pr�pria ess�ncia do que existe de mais sobrenatural. Uma �ltima tentativa por Asmod�ia, em sua dan�a de fogo com serpentes inflamadas, apresenta��o aparentemente in�til, j� que Sahasetaum poderia facilmente brincar com o maior e mais poderoso dos s�is. Mas n�o poderia deixar de admirar, com que determina��o defendiam seu Reino. Os acompanhava com os olhos quando estes, exaustos, voltavam aos seus lugares. Foi ao observar Asmod�ia que notou uma criatura sem igual em toda a extens�o do Cosmo. Estava a cobrir com uma manta a Asmod�ia e a servi-la com vinho para relaxar, refrescar e acabar com a sede dela. No meio daquele carnaval, era a �nica que calma e dedicadamente cuidava do seu trabalho, sem nunca desviar a aten��o a ele, o convidado e o festejado. Quis conhec�-la melhor, mas naquela folia era imposs�vel. Ent�o se retirou junto com ela, para outro espa�o, a fim de conversar. Assustada com a repentina desapari��o de todas as coisas em torno dela, olhou para o �nico lugar onde havia mais algu�m, que era Sahasetaum. -Quem �, ador�vel criatura? Perguntou o gigante. -Que quer de mim, senhor? N�o sou mais que a governanta de Asmod�ia. -N�o ser�s mais, se assim quiseres. Pe�o-te que me acompanhes. -Onde ir�s levar-me, senhor? -Quero levar-te at� onde criatura alguma jamais foi. -Mas por que eu, que te sou completamente desconhecida? -Pois ent�o, apresente-se. Eu sou Sahasetaum, incumbido de julgar as Luzes e as Trevas. Agora � tua vez. -Eu sou Vrtra, venho da mesma tribo de Molock e fui incumbida de cuidar de Asmod�ia, enquanto ela n�o alcan�a a idade da responsabilidade. -Criaturas como tu foram feitas para comandar. Como eles puderam relegar-te t�o degradante servi�o, a t�o pueril criatura como Asmod�ia? Agora vejo porque tentam enganar-me. Tentaram esconder-me essa injusti�a! -Oh, n�o, senhor! N�o foi por injusti�a! Na verdade, Asmod�ia cuida de sua parte, mas eu a administro, sugerindo-lhe indiretamente, por conselhos. -Pois ent�o, deixe-a agora, deve ter tido aulas suficientes, ela j� esta bastante crescidinha para precisar de uma governanta. O que me diz, queres ir ou n�o? Vrtra aceitou, pis temia o que poderia lhe acontecer se recusasse. Sahasetaum a fez voar consigo pela imensid�o do Cosmos atrav�s de toda as regi�es, tanto das Trevas quanto das Luzes. Levou-a ent�o, por atrav�s da regi�o que o Universo regia, o lar de Sahasetaum e ela maravilhou-se. Pousaram em um lugar que superaria qualquer defini��o de beleza ou fei�ra, porque simplesmente ali tais conceitos n�o tem utilidade, j� que na regi�o mantida pelo Universo est�o os planetas, gal�xias e seres que superaram todos os med�ocres referenciais de valor. -Seja bem vinda Vrtra, ao cora��o do Universo e ao meu lar. Onde cora��o e mente s�o coisas �nicas, existindo por todos os princ�pios e negativas. Sahasetaum pousou suave, delicadamente e ternamente uma de suas m�os no ombro de Vrtra que estremeceu. -Compreendo teu temor, criatura. Eis porque te trouxe para c�. Somente aqui poderia fazer-te tocar no nervo do universo e torn�-la como uma gal�xia ou algo de uma exist�ncia t�o complexa como Leviathan, Iahravel e quase t�o poderosa quanto eu. -Senhor! Mas eu?! -E mais ningu�m conhe�o que pudesse ser assim. S� assim perder� o medo por mim, ter� tua liberdade. Se algum dia tu vieres a nutrir apre�o por mim, ter� capacidade de me falar por igual, como igual ser� recebida e viver� comigo. Acha que � poss�vel? Por m�rito e esfor�o, uma criatura evoluir tanto? Das garras de Sahasetaum surgiu uma esfera que mais parecia a pr�pria vontade do Universo, a mesma vontade que criou tantas coisas -Sim, � poss�vel! Eu mesma vi in�meras vezes, criaturas menos evolu�das que n�s, chegarem ao extremo. Fa�o parte de um reino, cuja caracter�stica e forma��o est� em criaturas que conquistaram formas de exist�ncia mais dignas. Ent�o...eu tamb�m... Vrtra tocou,ainda receosa a esfera, na expectativa de que fosse sentir dor ou de que seria destru�da. Mas a esfera desvaneceu ao seu toque, como uma bolha de sab�o. T�o simplesmente como a chuva cai de nuvens carregadas, Vrtra agora irradiava essa for�a, que antes era a esfera. -Agora retornaremos. Dar-te-ei o tempo que quiser para decidir teu destino, pois agora tempo � o que n�o lhe faltar�. No instante seguinte, j� estavam de volta no mesmo lugar de onde partiram. Sahasetaum deu a entender que j� partia, logo todos se puseram a fazer as despedidas. Ao desaparecer Sahasetaum, Leviathan ainda parecia senti-lo presente. Notou Vrtra, que estava diferente. Esta lhe contou tudo, pois ainda o considerava o seu soberano. -Ent�o agora eu � que te devo respeito, Vrtra. Disse Leviathan, inclinando-se em reverencia. -N�o, meu soberano. Ainda n�o decidi. Seria muito f�cil tirar proveito de minha condi��o, para for�ar Sahasetaum a ter prefer�ncia pelo nosso Reino. -Tenho certeza que ele o faria por ti. Mas desconfio que, antes mesmo de a ter visto, ele j� tenha nos julgado, nos considerando dignos de sua piedade e confian�a. Caso contr�rio, n�o teria feito o que fez contigo. Antes, j� o nosso Reino escolheu por viver, de forma a orgulhar o Universo. Agora, estamos praticamente morando no cora��o do Universo, gra�as a ti. Eis talvez o porque, leitores, no final, as Trevas venham a vencer as Luzes. Primeiro porque as Luzes perderam completamente o contato com o Universo, vivendo em seu est�pido fanatismo. Em segundo, porque as Luzes n�o souberam receber, nem reconhecer Sahasetaum, como enviado do Universo ou como um dos seus. Pelo outro lado, as Trevas, em primeiro, viveram sempre em acordo �s regras b�sicas do Universo, sabendo viver seu destino. Em segundo, por ter Sahasetaum encontrado algu�m com quem poderia deixar seu cora��o repousar. Vrtra ainda n�o sabe se aceita a oferta, pois estar� muito preocupada por v�rios mil�nios, com a amea�a constante que se tornou o Imp�rio das Luzes ao seu Reino. Talvez, quando tiverem paz em si, possa levar um pouco a Sahasetaum, ao simplesmente aceitar a oferta. Mas o mais ir�nico nisso � que s� ser� poss�vel, quando finalmente a prepot�ncia do Imp�rio das Luzes for detido pelo reino das Trevas. Ou seja, o conflito que Sahasetaum queria deter, continuar�. S� que, a partir deste momento, ser� ele que ficar� angustiado e irritado, sem saber ao certo o momento exato de agir, j� que foi criado com esse prop�sito. Mas isso n�o demorar�, assim espero! Sahasetaum deseja dar fim a este conflito, viver o quanto mais cedo poss�vel com Vrtra e ter um pouco de paz! Consultem minha pequena vers�o sobre a cria��o, sobre o surgimento de Leviathan e de Iahravel, do reino das Trevas e do Imp�rio das Luzes. Tem um capitulo, onde fa�o uma pequena tentativa de antever como ser� tal conflito final entre os dois irm�os. Pode lhes parecer um pouco pretensioso. Praticamente me delego a posi��o de escritor do profano e que serei para as Luzes, o falso profeta que anuncia a Besta, o que far� com que tenham de me eliminar. Ir�o rir da minha fantasia, de que justamente um ser t�o med�ocre quanto eu, possa vir a tumultuar o Imp�rio das Luzes, ap�s sua vit�ria provis�ria, ao plantar a �rvore do Fogo Negro em plena Nova Jerusal�m. Bom, meus amigos, h�o de convir que meu intenso trabalho j� deve ter surtido algum efeito em minha Deusa, Lilith. Sem d�vida, ela comentou minha predisposi��o com Vrtra. Se esta me julgar merecedor de tal apre�o, certamente ir� pedir por minha prote��o a Sahasetaum, para que minha miss�o seja bem sucedida. Porque n�o seria muito �tico, da parte de ambos, tomarem nitidamente parte do conflito, ent�o se servem de pe�as mais sutis, que possam trazer enfim, o resultado almejado por ambos. Afinal, por uma paix�o a Vrtra, Sahasetaum se diminuiria a ponto de proteger uma vida mortal e t�o med�ocre quanto a minha. Sensacional vai ser testemunha-los consumando esse amor, ao fim do conflito. Podem ter certeza de que estarei observando como Sahasetaum ficar� feliz com a recompensa deste esfor�o. |
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