| Ienoceasi | ||||
| Angustiados ao se darem conta do tamanho do mundo o qual lhes fora doado, as criaturas se perguntavam o que seriam delas no porvir. No sabiam o que beber, do que comer, onde dormir, como ver uns aos outros e qual suas fun��es. O sol mal havia come�ado sua jornada, havia muita terra a percorrer e n�o era bom que seus protegidos permanecessem na ignor�ncia. A serpente, sentindo chegar a hora, contorceu-se e de suas escamas nasceu uma sombra que assim se descreveu: Meipoliel (Confian�a). N�s n�o atravessamos o v�cuo para aqui perecermos. Nos ser� dado o necess�rio, saberemos reconhecer, pois as coisas nos falar�o: -De mim n�o bebas! -De mim venha se alimentar! -Comigo ter�s abrigo! Assim, se dispersaram, passou o dia e com a lua, foram abra�ados pelo sono, sem que houvesse molestamento. Com o tempo, o encontro era inevit�vel, nada faltava, mas a antipatia os rondava. O confronto entre eles era natural e previs�vel. Novamente, a serpente fez uma sombra, que disse por sua vez: Oramecitel (Parcim�nia). O maior cresce sustentado pelo menor, assim, devore uma parte mas conserve outra, para nunca te faltar ca�a. A todos, � parte que lhes cabe, a terra h� de cobrar dos seus restos, haver� ela tamb�m de se alimentar. Assim, se dispersaram, por um bom tempo seguiam o sistema e eram felizes. Tanto que, certa feita, novamente se encontraram. Acharam justo e correto que dos seus viesse um l�der para manter a felicidade e para com isso, ser honrado. Imediatamente chamaram a serpente e lhe apresentaram o trono. Mais uma vez, a serpente contorceu-se e n�o mais ficou, sen�o sua sombra que sentenciou: Aimosena (Respeito). N�o haver�s de reconhecer um �nico senhor de tudo, pois cada um fazendo sua parte, n�o haver� fim a felicidade, desta forma funciona porque cada um, todos, contribui. D�-se o respeito, mais ao que vos cerca e vossa toca n�o ser� invadida, vossa comida n�o ser� furtada e vossa bebida n�o secar�. A dispers�o n�o foi total, o trono atormentou um bicho. Este, o mais irriquieto, n�o se conformava e a tudo questionava. Por n�o ter a sabedoria, inventava o conhecimento, se achando muito culto. Mas � serpente era reservada a verdadeira compreens�o, por isso a invejavam e a odiavam. Eles tomaram o trono e calaram os demais, pela forca de suas armas, impuseram suas leis e renegaram as naturais. Mataram a serpente e se fizeram filhos do sol. O sol, virou as costas, a lua fechou seus olhos, a terra ficou mesquinha e a natureza estupefata, esgotada. Os demais bichos n�o tiveram mais voz. Uns tantos sumiram de vez, ca�dos pelo insano que, insatisfeito, tira sem respeito � vida, consome sem parcim�nia e se condena, pois nem em si confia mais. Quando era bicho, era conhecido como macaco, agora que � civilizado, alcunha-se de Homem. O que � realmente, n�o o digo, mas a sombra da serpente h� de falar e da sua lei final, ele n�o haver� de escapar. |
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