Igreja Santa Tereza

Histórico

Os primeiros habitantes do vale do Araçuaí foram os selvagens da raça Tapuia, divididos em nações e tribos tribos, bravios como os Aimorés, mais acessíveis à civilização. Eram geralmente de estatura média, um pouco propensos à obesidade, morenos , de cor bronzeada, raspavam as sombrancelhas e os cabelos ao redor da cabeça, deixando apenas no alto uma espécie de penacho; tatuavam todo o corpo de preto e vermelho, e traziam pedaços de pau metidos em um furo no lábio inferior e nas orelhas; mas tinham um parecer que denunciavam brandura, tristeza e indolência. Amavam a dança e o canto.

A raça Tapuia foi cedendo pouco a pouco ao invasor audaz e senhor de melhores recursos. Vieram os portugueses, os mestiços paulistas e os mestiços da costa da Bahia. Desermados dos recursos da civilização, os Botocudos não podiam lutar em concorrência com o invasor, forte e cônscio de seu valor.

No correr de meio século estava já relativamente habitada a região, onde se ergueu, dentre outras, e a aldeia de Calhau, formada quase ao acaso, por conveniência dos habitantes. Sem que os governos tivessem a mínima interferência no desenvolvimento daquela zona, a não ser a manutenção sem vencimentos, de um encarregado de velar pela civilização dos índios; cargo que era cobiçado, porque dava o título de tenente-coronel, sem obrigações nenhumas. O último dos comandantes dos índios foi o Tenente-Coronel Belisário da Cunha Melo, proprietário da Fazenda do Mateus. Homem esssencialmente bom, acolhia os selvagens de dois em dois meses, alimentava-os, obsequiava-os à sua custa, e divertia-se com eles a vê-los atirar ao arco e a contar as coisas estranhas que diziam.

Os coronéis foram os primeiros administradores do município. Entre vários deles, devem ser lembrados o coronel Carlos da Cunha Peixoto, primeiro presidente da Câmara, cidadão de grande prestígio; Tenente-Coronel Belisário da Cunha Melo, homem popular e político moderado; Coronel Manuel Pereira Paulino, político de influência e delegado de polícia por vários anos na cidade. Muitos outros não citados também pertencem de direito a história de Araçuaí.

A história da cidade tem muito a ver com os canoeiros. Durante muitos anos o mundo chegou ao Vale do Jequitinhonha pelas mãos do banqueiro. O único caminho era o rio, o resto era sertão bravo. Não havia descanso, dia e noite eles subiam e desciam o rio traiçoeiro transportando homens e cargas. Junto com os tropeiros, os canoeiros eram uma nações de gente de muito contar ao longo de todo o Jequitinhonha.

CALHAU - TERRA DE LUCIANA

Quando o naturalista A. de Saint-Hilaire, em 1817, visitou o norte e o nordeste de Minas, passando pela região onde hoje é o município de Araçuaí, hospedou-se com uma velha mulata de nome Luciana Teixeira, proprietária da Fazenda "Boa Vista", localizada à direita do rio Araçuaí. Segundo Saint-Hilaire, os únicos moradores encontrados foram ela e mais um colono no Piauí, 5 léguas abaixo. No lugar denominado estreito de São João passou por uma habitação mais ou menos confortável. Havia o mais o quartel do Teixeira, à margem do Jequitinhonha, quatro léguas abaixo da Boa Vista.

A CIDADE - COMO NASCEU

O padre Carlos Pereira de Moura havia fundado na confluência dos rios Araçuaí e Jequitinhonha a Aldeia do Pontal - local aprazível onde aportavam as canoas que permutavam mercadorias vindas da Bahia, com as daquela região de MInas. Onde canoeiras, há mulheres bebidas alcóolicas e muita farra. Issso o Padre Carlos não aceitava em sua aldeia, muito menos na futura cidade que planejava fundar, o que fez, então? Expulsou dali todas as meretrizes que, desorientadas emigraram rio Araçuaí acima, achando abrigo na Fazenda Boa Vista, de Luciana Teixeira. Essa boa senhora cedeu suas terras, à margem direita do Ribeirão Calhau e do rio Araçuaí, às emigrantes que se alojaram.

Atraídos pelas mulheres, os canoeiros mudaram de porto e, no local desenvolveu-se um arraial, com o nome de Calhau, que deu origem à atual cidade de Araçuaí entre os anos de 1830 e 1840.

A história de Araçuaí teve início em 1817, quando Luciana Teixeira decidiu iniciar um loteamento às margens do Rio Araçuaí, o arraial chamou-se "Calhau" devido a grande a grande quantidade de pedras redondas existentes.

Com o tempo foi ganhando importância, quando foi elevado a categoria de sede de Distrito pela Lei Provincial de 13 de julho de 1857. A instalação sob a denominação de Vila de Arassuay deu-se em 1º de julho de 1871, para finalmente a 21 de setembro de 1871 ser elevada a categoria de cidade, por força da lei nº 1870, com o nome de Araçuaí. Tal nome é de origem indígena, e quer dizer Rio das Araras Grandes.

De lá para cá, a cidade cresceu nas margens aprazíveis do Rio Araçuaí, principal afluente do Rio Jequitinhonha. Com a abertura da estrada de rodagem o movimento de ônibus e caminhões substituiu a navegação do rio, e dos canoeiros só dos canoeiros só sobrou a lembrança pela característica estátua na praça da Matriz.

Até 1991 Araçuaí era a capital de todo o Nordeste de Minas. Ocupava o quarto lugar numa estística do número de comerciantes nos municípios mineiros. Pelo município passava a estrada de ferro Bahia & Minas (hoje desativada) que na estação ferroviária de Araçuaí chegou em 1942.

A inexistência de uma infra-estrutura adequada que proporcione insumos e absorva a produção, desequilibra a economia agrícola municipal determinando um estado geral de miséria entre a população rural, fazendo com que a região tenha importar alimentos, forçando o êxodo. Sempre ligados aos problemas da agropecuária, os fatores infra-estruturais do município de Araçuaí, principalmente o sistema rodoviário, representam praticamente intransponíveis para o desenvolvimento.

As atividades econômicas do município são a agrícola, a pecuária, o comércio, o artesanato, as pequenas indústrias de calçados e laticínio. A principal fonte de riqueza é a pecuária, que detêm índices invejáveis de produtividade. O subsolo é rico em minérios e pedras preciosas.

Durante muito anos foi considerável o movimento comercial do município de Araçuaí. Hoje já não é tão grande. A cidade de Araçuaí era um grande entreposto de comércio. Recebia mercadorias de Peçanha, Minas Novas, Serro, Ferros, Salinas e todo o Norte de Minas. Os armazéns abarrotados de sal e outros produtos de beira-mar esperavam as tropas para elas cambiá-los pelos produtos de lavoura. Esse movimento comercial tocou o seu auge de 1880 a 1885. A partir desta data as tropas mudaram de rumo: já não era para o norte, mas para o sul que elas se dirigiam, procurando mercados mais próximos e mais acessíveis para seus produtos. O comércio de Araçuaí foi decaindo e com ele a navegação do Jequitinhonha. A importação de mercadorias se deslocou da Bahia para o Rio de Janeiro: a estrada de ferro locou da Bahia para o Rio de Janeiro: a estrada de ferro Bahia a Minas transporta-os até Téofilo-Otoni, onde as tropas vão recebê-las. Uma estrada de rodagem aberta pelomeio da mata entre S. Miguel do Jequitinhonha e Teófilo Otoni pôs em comunicação direta esta estação com distritos mais férteis e opulento do Município. A cidade de Araçuaí e os distritos adjacentes entre si e cambiando entre si seus produtos.

Apesar de sua decadência, o comércio de Araçuaí ainda é considerável. O mercado da cidade é uma praaça de grande movimento, em feiras semanais, onde os lavradores vão vender os seus gêneros e comprar os que carecem. Praticamente todo o comércio mudou-se para a redondeza do mercado. Mas a cidade já não tem os grandes armazéns por onde rolou uma fortuna de príncipe.

Objeto de considerável comércio são também as pedras coradas, cuja extração se começou a fazer em 1901, na Fazenda da Barra do Piauí e que hoje tem movimento o comércio de Araçuaí . Não se conhece no município nenhum aventureiro que tenha aplicado seus capitais em empresas de indústrias. A única indústria extrativo de minério existente no munícipio é a CBL (Companhia Brasileira de Litio).
Ultimamente a cidade está se modernidade, apesar da fama que carrega de "cidade do já teve". A eterna política mata sempre toda iniciativa: o que uns começam, outros destroem. Na verdade que o mudou nesses ultimos 30 anos foi por conta e obra dos dmoradores que melhoraram suas propriedades sem que o poder publico tivesse interferido no desenvolvimento da cidade. A de se destacar o trabalho silencioso e constante da diocese de Araçuaí, tendo a frente o bispo D. Enzo Pinaldine, que nunca mediu esforços em favor dos desfavorecidos e dos jovens desta cidade. Mantém, a duras penas uma escola técnica como poucas no Brasil sem a menor ajuda do poder público. Além, evidentemente, de outras obras que a sua profunda modestia não deixaria citar aqui. As irmãs franciscanas constituem tambem outro elo no desenvolvimento de Araçuaí. Quando aqui criaram o colégio Nazareth e, 1926, nào mediram esforços para mante-lo vivo até hoje. Nele estudaram personalidades dsta minas Gerais a fora.
Outro testemunho insuspeito na mínima interferência do poder publico são os indivíduos apalermados que doidivanavam na cidade, mas hoje contam com o centro de tratamento CESAMAR.

Alguns nomes de pessoas que merecem o reconhecimento de seus conterrâneos provavelmente não seram citados aqui. Essa omissão, no entanto , não retira destas pessoas o direito a história, tendo em vista que outros se ocuparam desta tarefa. Um nome que pertence de direito a história de Araçuaí e que não pode deixar de citar é o Sá Luiza, o generoso coração, respeitável e estimada benzedeira que muito contribuiu para acalmar os animos aflitos dos quebrantados.
Embora Leopoldo Pereira tenha conjecturado que Araçuaí nunca será uma grande cidade, uma cidade moderna, porque lhe faltam para isso os principais elementos, como a água, por exemplo, ainda sim os que vivem acreditam numa reversão desse quadro. A lição da história, na experiência e a observação do presente segundo ele mesmo, nos habilitam a fazer conjecturas de esperanças. Lentamente se desenvolvendo entregue a seus proprios recursos, quase sem auxilio e propeção dos poderes públicos, haverá Araçuaí de acreditar na reversão pela probidade pela boa fé, pela boa hospitalidade, pela busca de alternativa, pelo afastamento dos maus políticos, e pelo tesouro físico moralmente inexploráveis que são as suas riquezas, que aqui estam de reserva para futuramente se revelaram:

"Ai minha Araçuaí
Outro lugar tão lindo assim eu nunca vi".

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