Capítulo 4
A sala em que Eduardo ficava,estava sempre de porta entre aberta,todos que passavam
o viam compenetrado nos computadores,ele nem percebia a movimentação lá fora.As vezes Paulo
entrava sem pedir licença e ele nem notava.
-Tem alguém aqui?
-Oi Paulo e você?Estava tão concentrado aqui e nem vi quando entrou.
-É você gosta mesmo disso,outro dia entrei aqui e saí sem que percebesse.O que esta
vendo?
-As vezes recebemos algumas denúncias por e-mails e temos que ver se são
verdadeiros.
-Encontrou algo?
-Não,a maioria das denúncias são brincadeiras de mau gosto
Uma voz interrompeu a conversa deles.
-Paulo!Telefone para você.
-Obrigado já vou atender.
Era seu amigo Nelson dos tempos do colégio ,apesar deles terem seguidos caminhos
diferentes nunca deixaram de se encontrar,sempre que podiam visitavam um ao outro.
-Alô!Paulo falando.
-Alô Paulo,sou eu Nelson,tenho uma coisa muito ruim para lhe falar.
-O que foi?Parece nervoso.
-A Débora,foi assassinada,estou num desespero.
-Não acredito!Onde você esta agora?
-Estou em casa,acabei de voltar da delegacia.
-Já estou indo aí,até mais.
Ele mal acabou de desligar o telefone e saiu correndo para a casa de Nelson,imaginando
como ele estaria, nem prestou atenção direito ao trânsito,dirigiu como um louco.
-Oi Nelson,sinto muito o que aconteceu.
-Obrigado,como esta sendo difícil.
-Como foi que aconteceu?
-Assaltaram ela aqui em frente de casa,deram dois tiros nela dentro do carro e levaram
sua bolsa.
-Levaram o carro?
-Não ,mataram ela apenas para pegar sua bolsa.
-Verei quem é o delegado aqui da região e pedirei para eu mesmo investigar,prometo
fazer o que for possível.
-Nada pode ser feito agora,mas espero que prendam os bandidos.
Débora estava casada com Nelson a 1 ano,ele possuía uma casa de comércio de
materiais de construção e ela era formada em ciências de computação,trabalhava em casa como
"web designer",construía e administrava alguns "sites",tanto pessoais como
comerciais,possuía sua
própria página pessoal onde procurava divulgar seu trabalho e também informar os internautas das
novidades da internet,sabedora dos gostos deles conseguia uma ótima visitação em sua página,ficava
o dia todo praticamente conectada,atualizava os sites quase que diariamente,saía muito pouco de casa,
só mesmo quando tinha que discutir algum assunto pessoalmente com seus clientes ou para ir a
academia de ginástica de manhã 2 vezes por semana e justamente numa destas vezes ela foi abordada
e assassinada.A rua onde morava no Bairro do Tatuapé era muito calma,todas as casas possuíam
muros altos e não havia comércio,por isto não houve testemunhas.
Paulo apesar de não ficar encarregado do caso procurou ficar atento e ajudar o
investigador que estava cuidando do caso,tudo indicava se tratar apenas de mais um caso de
latrocínio,seria muito difícil encontrar o assassino,mas mesmo assim ele fez tudo o que pôde para
achar alguma pista,era uma questão de honra para ele,pois tratava da esposa de seu melhor amigo,
todos os dias dava uma passada na casa dele para tentar ajudar de alguma forma.
-Oi Nelson,como você esta?
-Péssimo,não quero nem trabalhar mais,aliás,nem vontade de sair da cama tenho,mas
a vida continua,amanhã acho que reabrirei a loja,estou sem gerente no momento.
-Trabalhando talvez ajude um pouco.
-Minha mãe esta comigo,ela veio para me ajudar.
-É bom,nada como a mãe nas horas difíceis ,passei aqui apenas para ver como esta,
vou indo,se precisar me ligue.
-Obrigado.
No outro dia Nelson resolveu voltar a trabalhar,fazia 5 dias desde o assassinato,a loja
que possuía era bem estabelecida,e tinha uma ótima clientela,principalmente pequenas construtoras,a
primeira providência era procurar um gerente para ajudá-lo ,Débora praticamente controlava a loja na
parte de controle de estoque e mercadorias e da parte financeira também,fazia tudo isso de casa sem
que interferisse no seu trabalho,por isso ele ainda não tinha substituído o gerente que se demitira,só
tinha que se preocupar com a parte operacional do negócio.Os funcionários que eram apenas 5 ,assim
que ele chegou foram prestar solidariedade a ele,estava meio abatido,o dia seria longo,assim que o
horário comercial dos bancos começou,recebeu um telefonema do banco que possuía conta.
-Alô,Sr. Nelson.
-Sim.
-Temos alguns cheques aqui que o senhor passou ,mas sua conta nao tem fundos.
-Como assim?As contas estão todas controladas.
-O fato é que a conta não tem saldo,o Sr. poderia passar aqui o mais rápido possível?
-Sim ,irei daqui a pouco.
Nem recomeçara sua vida e os problemas foram aparecendo,o que descobriria no
banco só viria piorar seu estado.
Segundo o banco,todo dinheiro que possuía até mesmo as aplicações financeiras que
possuíam tinha sido transferida para uma outra conta desconhecida deles.Débora era quem cuidava de
tudo e sempre usava a internet para movimentar a conta ,até mesmo as aplicações financeiras usava
este meio,ela confiava muito na segurança destes sites bancários,ele praticamente nem tomava
conhecimento do que ela fazia mas a confiança nela era muito grande como deve ser entre um casal,
por isto pensou logo em procurar Paulo e foi o que fez.
-Paulo, preciso de sua ajuda.
-Sente-se, o que foi? esta muito nervoso.
-Voltei do banco agora, não tenho nada no banco, me falaram que todo dinheiro foi
transferido para outra conta.
-Como assim?Vocês tinham outra conta?
-A Débora usava a internet para mexer na conta e nas aplicações, apenas o que não
era possível fazer assim, eu ia pessoalmente ao banco.
- Transferência para outra conta? Pela internet?Quando foi?
-Sim,foi um dia antes do crime.
-Não acredito! Já ouvi essa história antes.Quero que me passe todos os dados da
conta, irei investigar isso. Agora vá para casa descansar, cuidarei do caso.
-É vou mesmo, hoje o dia esta sendo péssimo, tenho aqui os extratos, serve?
-Sim, deixe comigo para verificar.
-Tchau, então.
-Cuide-se.
Paulo acompanhou Nelson até a porta e assim que separaram ,voltou correndo em
direção a sala de Eduardo que estava como sempre ,entretido nos computadores.
-Cara! Precisa ver o que descobri.
-Fala, deve ser importante para me interromper.
-Acabei de falar com meu amigo e ele disse que todo o dinheiro que tinha, sumiu ,da
mesma forma que o da Luciana.
-Via internet?
-Sim no dia anterior ao crime
-Mentira? Muita coincidência.
-Peguei os dados com ele estão aqui,mãos a obra.
-E para já ,vou mandar os dados para a delegacia central e até amanhã terei as
respostas.
-Você acha que podemos descobrir algo?
-Pelo menos a verdade ou não da operação.
-Minha opinião pessoal, e que os crimes tem algo em comum.
-Estes crimes acontecem todos os dias aqui em São Paulo,vamos ver se tem mesmo.
-Vou pedir os resultados da perícia de balística e comparar se a arma é a mesma.
-Para adiantar nosso serviço, você não gostaria de trazer o computador dela para
averiguarmos,como e seu amigo não precisa de um mandato.
-Estou indo buscar ,apenas a CPU esta bom?
-Opa! aprendeu rápido ,logo será um expert em informática.
No mesmo dia ele trouxe o computador para a delegacia ,mas como chegou tarde ,
Eduardo já tinha ido embora,mas no outro dia ele sabia que algo seria encontrado para ajudar nas
investigações,como tinha as chaves da sala entrou e colocou o computador em cima da mesa e
escreveu um bilhete,"aqui esta nossa prova,cuide bem disto".
Ao chegar no outro dia Eduardo já estava vasculhando tudo.
-Bom dia! Chegou cedo, encontrou algo?
-Comecei agora, tem muita coisa aqui,vou demorar até de tarde.
-Vou deixar você sozinho e pedir que ninguém perturbe.
-Faça isto para mim, peça alguém para trazer um almoço bem legal,ao meio dia.
-Tá legal,mandarei trazer um cachorro-quente do carrinho ali da frente.
Paulo aproveitou este espaço de tempo para visitar Nelson e fazer algumas perguntas,
foi também ao banco ver exatamente o que tinha acontecido,estava preocupado no que seria
encontrado no computador,pressentia que algo que levasse ao criminoso seria encontrado, para isto
confiava em Eduardo,não quis voltar muito cedo,queria dar tempo suficiente para que a investigação
fosse feita da melhor forma possível,voltou a tarde e encontrou Eduardo comendo um sanduíche em
frente a delegacia.
-Fazendo um lanchinho na hora do trabalho?
-Pô cara !Nem almocei ainda,você prometeu o cachorro-quente ,e como não me
mandaram vim aqui comer.
-Deixa para lá, temos que conversar.
Entraram juntos ,Eduardo ainda tentando engolir o lanche.
-O que encontrou?
-Nada,este é o problema,encontrei algumas operações bancárias, coisas pequenas,mas
aquela ainda não.
-Olhou tudo ?
-Sim olhei ,e veja só o resultado da investigação sobre a conta dela,a operação partiu
do computador dela sim,segundo a provedora, a linha telefônica dela era digital ,ela ficava conectada o
dia todo por causa do seu trabalho, na hora estava conectada.
-Então foi ela com certeza?
-Tudo indica que sim,revirei se encontrava algum tipo de programa que permite invasão
por "hackers "e nada encontrei.
-Estamos no mesmo lugar...alguma coisa que relacione o caso com o do parque da
Aclimação?
-A única coisa de igual nos dois computadores é que a Débora tinha uma página
pessoal e lá indicava o livro digital que a Luciana leu e que ela também leu.
-Mas isto não significa nada.
-Nada,também estou lendo o livro.
-É bom pelo menos?
-Fala sobre crimes,estes escritores sempre nos colocam como incompetentes para
resolver os crimes, da até raiva...
-Depois desta vou para casa dormir.