Olá todos!
O V Encontro da Associação de Professores de
Filosofia do Espírito Santo foi ocasião de se
discutir sobre o ensino da filosofia, mas,
principalmente, a meu ver, foi uma oportunidade
privilegiada para que muitos colegas capixabas
celebrassem e renovassem o ânimo para enfrentarem o
compromisso diário da docência de filosofia.
Ao longo deste ano, o Projeto de Extensão “Formação
de Professores” teceu essa celebração por meio de
uma série de reuniões com poucos e valorosos
combatentes. Apesar dos obstáculos, conseguimos
chegar à recompensa e satisfação em produzir um
encontro pleno de vida, história e reflexão. Cabe
registrar, por sinal, que o segredo do sucesso desse
evento foi sua construção em mutirão:
presencialmente ou por e-mail, as sugestões e os
encaminhamentos aconteciam sempre a partir de uma
participação coletiva.
Pensamos o encontro numa certa lógica. De início,
quisemos conhecer a leitura governamental acerca do
papel da filosofia no processo educacional.
Aceitaram o convite e contribuíram com o debate, as
secretárias municipais de educação da Prefeitura de
Cariacica e de Vitória, além do diretor jurídico do
SINDIUPES (cabe ressaltar a eloqüente ausência da
SEDU...). Logo depois, houve uma resgate da luta
pela implementação da filosofia no ensino médio;
assim, fizemos importante memória do caminho
percorrido pelo Departamento de Filosofia da UFES (e
desde antes, de quando havia apenas professores de
filosofia) em seu histórico compromisso com essa
causa. Luta representada, num segundo momento, pelo
Prof. Anacleto Silva, homenageado pelo Departamento,
por ex-alunos e por todos que lá compareceram,
notadamente sua esposa e filhos.
Na tarde de sábado, os colegas do Núcleo de Estudos
Filosóficos da Infância da UERJ, capitaneados pelo
Prof. Walter Kohan, proporcionaram-nos, a partir do
pensamento de Michel Foucault, uma provocante
reflexão sobre o campo semântico da temática central
do encontro: crítica, cidadania e democracia;
corporeidade e subjetividade; disciplina, conteúdo
programático e avaliação escolar. Debate que
culminou na concretude de três oficinas em que tal
reflexão se fez experiência ou, talvez, em que a
experiência de cada um se tornou pensamento...
No dia seguinte, professores de filosofia das redes
públicas (federal, estadual e municipal de
Cariacica) e particulares (Vitória e São Mateus)
protagonizaram uma conversa com os demais
participantes a respeito da realidade institucional
do ensino de filosofia, conversa entremeada com
esperanças e frustrações. Marcantes, ainda, nesse
dia foram a presença das professoras e crianças de
São Mateus, que mostraram o valor pedagógico e
humano da formação filosófica!
O encontro mostrou a relevância de se partilhar a
visibilidade institucional da filosofia no espaço
escolar. Sua presença instituída e disciplinar não
pode prescindir de sua presença instituinte,
produzida em fóruns como esse, do encontro, em que
os atores sociais de sua efetiva implementação
possam repensá-la e ressignificá-la ante as
exigências e demandas por uma atitude educacional
significante, ou seja, por uma atitude crítica dos
diversos pressupostos (filosóficos) aceitos, porém,
tacitamente em nossa sociedade, em que pese a
pretensão de “politicamente corretos”.
Não haverá políticas públicas consistentes para o
ensino de filosofia sem um movimento em sua defesa e
sem uma constante problematização de sua práxis. Com
humildade, apresentamos o processo de realização do
V Encontro, achamos que, tanto em sua estrutura, com
a exigência de articulação entre teoria e prática,
quanto em sua metodologia, pela participação democrática,
ele se tornou um locus de elaboração
filosófica sobre o ensino de filosofia.
Enfim, a APFES e seu V Encontro são fruto de todos
nós. Sem ambos, há o risco de o instituído se
sobrepor e, com o peso da burocracia escolar, termos
dificuldade de respirar e de percorrer caminhos
novos de experiência e pensamento sobre o ensino de
filosofia.
Não deixemos estes espaços acabarem. Precisamos de
sua ajuda. Junte-se a nós em defesa do ensino da
filosofia!
