10/11/2004
Soja transgênica consome 30% mais herbicida
a partir do terceiro ano de plantio, aponta economista
A queda do custo de produção com o cultivo de soja transgênica
é ilusória. Estudos apontam que o consumo de herbicidas é 30% maior com o
cultivo da soja geneticamente modificada a partir do terceiro ano de plantio,
informa o professor Victor Pelaez, mestre e doutor em Economia da UFPR -
Universidade Federal do Paraná.
Pelaez é um dos participantes do curso
de capacitação e treinamento em Biossegurança de Organismos Geneticamente
Modificados, promovido pelo Ministério do Meio Ambiente e Secretaria da
Agricultura e do Abastecimento. O curso está acontecendo esta semana em Curitiba
(PR) e se encerra no dia 12. Tem como objetivo a discussão da legislação, as
questões políticas, técnicas, comerciais e empresariais do plantio de soja
transgênica.
Pelaez fez a projeção de aumento no
consumo de insumos com base em trabalhos científicos feitos nos Estados Unidos,
onde o plantio está legalizado. Ele apontou o estudo do pesquisador
norte-americano Richard Benbroock, feito para o departamento de Agricultura dos
EUA, o USDA, de que naquele país foi constatado o aumento do uso do glifosato
sobre a soja geneticamente modificada a partir do terceiro ano de plantio.
O
economista, que vem fazendo um acompanhamento econômico do rendimento da soja
transgênica há dois anos, disse que essa avaliação está se confirmando nos
Estados Unidos. Segundo ele, realmente nos dois primeiros anos há uma redução
no uso de herbicidas. Mas depois
essa
situação se inverte por causa da resistência da erva daninha ao uso freqüente
do glifosato.
Segundo Pelaez, os estudos do
norte-americano não são mais conclusivos porque as pesquisas que existem sobre
o assunto são feitas no máximo por dois anos, sendo que é necessário um período
mínimo de cinco anos para uma avaliação científica dos resultados.
Outra suspeita dos pesquisadores
brasileiros é de que a soja brasileira, que teve a produtividade incrementada
nos últimos anos graças à tecnologia do Rhizobium (bactéria) desenvolvida pela Embrapa,
esteja ameaçada de redução do rendimento no campo. Essa bactéria, que promove o
aumento da produtividade, pode ter seus efeitos inibidos com o uso de semente
geneticamente modificada.
Para Pelaez, cabe às lideranças
governamentais e dos produtores, que têm a visão de médio e longo prazo, a
função de alertar os agricultores que estão sendo iludidos com uma falsa
informação de redução dos custos.
De acordo com o coordenador do evento,
Carlos Alberto Salvador, que é chefe da fiscalização vegetal da Seab, o
encontro é a oportunidade para os participantes que pertencem a instituições
como Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais
Renováveis, Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Secretaria
da Saúde, universidades possam aprofundar conhecimentos e afinar os procedimentos
no campo que estão em missão de fiscalização ou mapeamento do impacto da soja
transgênica.
Fonte: Agência Estadual de Notícias