10/12/2004
ECONOMIA EM DIA
Rotulação dos transgênicos
O sistema de comercialização (do produtor ao consumidor final) está desinformado a respeito da produção de alimentos geneticamente modificados. A rotulação dos produtos dá ao consumidor a opção de comprar ou não produtos transgênicos. Para isso, a legislação sobre transgenia deve ser clara, menos politizada e com vistas a ajudar a produção de alimentos. Esta é a opinião de Marco Antônio montoya, professor da Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis da universidade de Passo Fundo (UPF). Acompanha a entrevista concedida ao CORECON/RS.
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Quais são as vantagens do uso da soja transgênica?
Marco Antônio Montoya – Fundamentalmente, as vantagens no curto prazo são
econômicas: baixo custo e maior produtividade. Não é por acaso que produtores
gaúchos e de outras regiões substituíram a produção convencional por
transgênica. Outra vantagem é a utilização de uma menor quantidade de
herbicidas. Por um lado, se existe o comprometimento do ecossistema e da
diversidade ecológica, por outro, há depoimentos de produtores relatando o
retorno aos campos de aves e animais silvestres em função da utilização de
menos herbicidas. Essa é uma discussão contraditória.
E quanto às desvantagens?
Marco Antônio Montoya – Uma das desvantagens é que o fornecimento de
semente de soja geneticamente modificada é realizado por um número pequeno de
empresas, o que gera um problema de estrutura de mercado. No entanto, esta
questão pode ser resolvida através de legislação. O ponto que merece maior
destaque é a rotulação. Pesquisas demonstram claramente que a população em geral,
em um sistema de comercialização que abrange do produtor até o consumidor
final, está mal informada sobre, por exemplo, as repercussões dos produtos
geneticamente modificados para a saúde humana. Para a indústria e para o
varejo, não importa se o produto é ou não transgênico. O que interessa é o
melhor preço. Desta forma, dentro desse processo existe uma grande desinformação
de rastreabilidade do produto.
Essa questão poderia ser solucionada com a rotulação?
Marco Antônio Montoya – É preciso rotular o produto que é e o que não é
transgênico. É o consumidor, ciente ou não das repercussões para a sua saúde,
que compra e consome o produto. Através da rotulação, a população pode ter a
opção de qual produto consumir, desde que esteja bem informada. É uma questão
de escolha do indivíduo.
Qual é a sua opinião a respeito da produção de alimentos geneticamente modificados?
Marco Antônio Montoya – Eu sou muito esperançoso a respeito desse processo.
Trata-se de uma tecnologia que pode viabilizar a produção de alimentos em áreas
extremamente áridas, por exemplo. A partir desse ponto de vista, pode-se
solucionar muitos problemas sociais. No entanto, é necessário um bom
acompanhamento do processo. Há sete anos há produção de soja transgênica no
Brasil. Desde então, consumimos produtos transgênicos, seja como óleo vegetal
ou na forma de carnes. E agora existe uma grande discussão sobre a liberação
definitiva da produção de alimentos transgênicos. Esta é uma forma de
desorganização do agronegócio em termos de legislação.
Ainda há espaço no mercado para a soja convencional?
Marco Antônio Montoya – Existem nichos de mercado que preferem consumir os
produtos convencionais. A estratégia de o que, quando e como (tecnologia)
produzir, é do produtor. Essa questão vai ser solucionada na medida em que se
consiga rastrear o produto e destinar a soja transgênica para A ou B países e a
convencional para C ou D mercados. São estratégias e alternativas de produção
para diferentes mercados.
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Fonte: Jornal do Comércio, 10/12/2004, Seção Economia, página 10,
Coluna do Conselho Regional de Economia do RS (COREN/RS)