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As
queimadas que envolvem a colheita da cana e o clima frio e seco dos meses de
inverno pode ser uma combinação que aumente o número de casos de afecções respiratórias
nos hospitais do interior de São Paulo. Para investigar essa hipótese o
pesquisador Fábio Lopes estruturou um Sistema de Informações Geográficas
(SIG) utilizando as informações sobre queimadas obtidas no Instituto de
Pesquisas Espaciais (INPE). Os dados sobre internações são de um levantamento
da DATASUS -banco de dados do Sistema Único de Saúde (SUS) -, realizado em
hospitais do interior paulista.
A proposta de Fábio Lopes é inovadora, pois, "apesar de existirem
inúmeras bases de dados no País e recursos informáticos avançados, as
informações sobre queimadas e internações respiratórias não são cruzadas,
impossibilitando que pesquisas multidisciplinares sejam desenvolvidas".
A metodologia utilizada na pesquisa analisou os mapas de áreas de queimadas
produzidos pelo IBGE de 2000 a 2004, depois focando na região de Bauru (SP),
sobrepondo aos dados de internações relacionadas a problemas respiratórios
nessa região.
O SIG é um software que auxilia na fusão de dados obtidos em bases
diferentes. A fusão acontece por meio da elaboração de gráficos e mapas por
sobreposição de camadas, fundindo os mapas em um, possibilitando uma análise
da situação observada. Essa ferramenta tem se mostrado útil como apoio a
estudos interdisciplinares, onde a combinação de dados não é feita de modo
automático.
Foram criadas cartas temáticas - mapas que relacionam mais de um tipo de
dados - a partir das variáveis levantadas e identificadas áreas de interesse
para estudos em escala local. Algumas técnicas de geoprocessamento
como ampliação de mapas (zoom) e buffer (delimitação de
área circundando um ponto específico) foram utilizadas nesta pesquisa.
Lopes aplicou a técnica buffer demarcando áreas de impacto de queimadas a
partir dos focos de calor captados por satélite (indício de queimadas).
A dissertação de Lopes não estabelece uma relação de causa e efeito entre os
dois fatores e o objetivo do pesquisador é analisar a questão mais
profundamente, num programa de doutorado, para minimizar as internações
criando políticas de saúde pública preventivas: "Precisamos aprofundar o
estudo, eliminando as variáveis de confusão, - fatores que podem distorcer a
análise -, para poder determinar se há uma relação de causa e efeito entre os
fatores estudados", explica ele.
Legislação
Ainda que danoso ao ambiente e à saúde, a prática
das queimadas oferece algumas vantagens aos produtores de cana. Já o uso de
colheitadeiras acaba por danificar algumas plantas, não produzindo total
rendimento; a colheitadeira colhe e separa a cana das
folhas com um custo econômico maior e produtividade menor.
O decreto-lei Estadual 47700/2003 prevê que até o ano de 2031 a colheita não
deverá mais ser feita utilizando-se de queimadas. A
preocupação da indústria canavieira é buscar alternativas a esse
método de colheita, otimizando a produção e não encarecendo os custos.
Esse é um aspecto importante, pois existe a previsão de crescimento de 50% do
setor canavieiro nos próximos dez anos. Atualmente, o setor responde por 6%
do PIB nacional. O principal impulsionador desse crescimento é a demanda do
setor automobilístico pelos chamados carros "flex-power"
(carros bi-combustíveis, que utilizam gasolina e
álcool). (Charles Nisz / Agência USP)
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