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Mônica
Pinto / AmbienteBrasil
Recentemente, uma pesquisa do Núcleo de Estudos para o Meio Ambiente da
Universidade de São Paulo revelou que oito pessoas morrem por dia na capital
paulista, vítimas de doenças relacionadas à poluição, 70% dela oriunda da
fumaça dos carros. Pelos dados do levantamento, alguém que se mudar do interior
para a capital viveria um ano e meio menos, em função dos efeitos da má
qualidade do ar.
No dia cinco passado, o professor João Vicente de Assunção, do
Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da Universidade
de São Paulo (USP), disse à Agência Fapesp que os níveis de dioxinas e furanos – compostos altamente tóxicos - em São
Paulo mostraram-se mais altos que em muitas outras cidades de mundo.
Ainda segundo a Agência Fapesp, os cientistas alertam que são cada vez mais
necessários estudos sobre a presença dessas substâncias – que não existem de
forma natural no meio ambiente – em alimentos e no tecido humano.
A correlação entre degradação ambiental e doenças a assolarem as sociedades
não chega a ser novidade. O mais preocupante é que a saúde pública não esteja
fazendo todo o possível para dimensionar esse problema. Saindo da esfera da
notória poluição do ar na maior cidade do país, os Governos Federais e
Estaduais vêm sendo um tanto negligentes quando se
trata de proteger não só os cidadãos, mas sobretudo os trabalhadores cujas
carreiras os obrigam a exposição direta a produtos perigosos. A legislação do
Ministério do Trabalho só tem restrições – não proibições – para
quatro substâncias: benzeno, cloreto de vinila, quatro-aminobifenila e amianto.
E os riscos distribuem-se a todos, democraticamente. “Habitantes de uma
região no entorno de uma siderúrgica são mais propensos a terem leucemia,
pois o benzeno, substância utilizada na destilação do petróleo, atinge a
medula óssea”, explica a farmacêutica bioquímica Silvana Rubano Darretto Turci, sanitarista mestre em Toxicologia e chefe da Área
de Câncer Ocupacional da Coordenação de Prevenção e Vigilância do Instituto
Nacional de Câncer – Inca -, vinculado ao Ministério da Saúde. Os
casos podem agravar-se em pessoas que trabalham nas coquerias,
locais em que o gás encontra-se em maior concentração.
Segundo ela, fábricas que produzem amianto – também chamado de asbesto -,
material utilizado em telhas, caixas d'água, pisos,
pastilhas etc, são ambientes propícios à evolução de câncer de pulmão nos
trabalhadores, pois há exposição crônica de seus organismos à substância.
Essa modalidade da doença pode ser favorecida também pela sílica, presente na
areia que, por sua vez, é usada na construção civil, metalúrgica e
agricultura. “Sem perceber, o indivíduo respira micropartículas
de sílica, que vão direto para o pulmão”, diz Silvana.
A especialista alerta ainda que oficinas mecânicas vêm dedicando-se à
manutenção de baterias para carros e, desprovidas de qualquer infra-estrutura
de segurança para tanto, podem estar comprometendo seriamente a saúde dos
funcionários que lidam com os produtos. “O grande perigo do manuseio desses
artigos é a contaminação por metais pesados, como o cádmio, o níquel, o cromo
e o formaldeído”, adverte Silvana Turci, evocando a má situação em que, provavelmente, se
veriam estes trabalhadores ao descobrirem um tumor. “Imagino que, se nem
carteira assinada eles têm, nem as mínimas condições de trabalho, também não
terão assistência por parte do empregador.”
As atividades profissionais apresentam estreita ligação, por exemplo, com o
câncer de pele, que, apesar de ter forma simples de prevenção (leia no
final da reportagem), ainda é um dos de maior incidência no Brasil.
“Muitos trabalhadores, como os carteiros, pescadores e trabalhadores rurais,
estão diariamente expostos ao sol, sem nenhum tipo de proteção”, diz Silvana,
para quem um dos maiores problemas em relação a essa doença especificamente é
que o câncer tem um tempo de latência em geral longo. “Um paciente pode
manifestar a doença de 15 a 20 anos após a contaminação”.
A incessante busca feminina pelo padrão de estética vigente também pode fazer
com que algumas mulheres paguem preços altos. A chama escova progressiva, que
virou moda como alternativa para o alisamento duradouro dos cabelos, fazia
uso de uma substância altamente cancerígena para o fígado: o formaldeído. “O composto é metabolizado
nesta área do corpo”, explica Silvana, alertando que muitos cabelereiros ainda utilizam o formol em cremes de
alisamento, sem informar tal fato às incautas clientes.
A genética como fator decisivo
Um dos conferencistas do 43º Congresso Científico do HUPE (Hospital
Universitário Pedro Ernesto), o professor Luís Felipe Ribeiro Pinto, do
Instituto de Biologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, falou sobre
as novas perspectivas para o diagnóstico precoce do câncer através da análise
do DNA. O evento, cujo tema foi “Os desafios do Envelhecimento”, aconteceu de
22 a 26 de agosto passado, no Rio de Janeiro.
"O ambiente favorece o desenvolvimento da doença, mas sem o componente
genético ela não surgirá. Um exemplo é o fato de que 98% dos casos de câncer
de pulmão ocorrem em pacientes com história de tabagismo. Ainda assim, apenas
10% dos fumantes serão acometidos por este tipo de câncer", disse o
biólogo, citado em reportagem distribuída pela Agência Notisa.
O especialista deu outro exemplo de como a predisposição genética atua na
incidência deste mal. "A análise molecular dos genes responsáveis pelo
câncer de esôfago foi capaz de detectar o alcoolismo como fator ambiental
fundamental para o desenvolvimento desta doença. Mas sem o componente
genético, ela não se desenvolveria", afirmou o professor.
Para maiores informações sobre prevenção – o melhor caminho -, clique em Dez
Dicas para se proteger do câncer
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