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Um
pescador do Rio Grande do Norte deu o exemplo. Mesmo perdendo 60 kg de
pescado, ele libertou um peixe-boi que havia ficado preso em sua rede de
pesca. A decisão a favor da vida de um dos mais ameaçados animais da fauna
brasileira confirma a mudança na relação entre homem e peixe-boi no litoral
do nordeste.
Se, há quase quatro décadas, a caça ainda acontecia, hoje os técnicos do
Projeto Peixe-Boi testemunham o comprometimento cada vez maior das
comunidades litorâneas com a conservação do animal. Essa consciência
ambiental é resultado das campanhas anuais de sensibilização e mobilização
direcionadas para os moradores das áreas de ocorrência dos peixes-bois.
O feito foi obra do pescador Raimundo Félix da Silva Neto, de 47 anos, sendo
33 dedicados à pesca. “soltei porque sei que é proibido matar peixe-boi e
porque tem pouco (animal) na natureza”, disse ele a executora do Centro
Mamíferos Aquáticos/Ibama no Ceará, Solange Zanoni. Antes de encontrar o peixe-boi, o pescador tinha
recolhido do mar cerca de 80 kg de pescado. Na terceira tentativa de tirar a
malha da água, o Seu Raimundo, que estava acompanhado de cinco pescadores,
sentiu o peso da rede, percebeu a presença do mamífero e ajudou o animal a
livrar-se dela.
De acordo com o chefe do CMA/Ibama e coordenador
nacional do Projeto Peixe-Boi, Régis Lima, "são atitudes como esta que
demonstram a efetividade dos 25 anos de trabalho do Projeto Peixe-Boi junto
às comunidades litorâneas e nos garante um futuro melhor para estes animais
historicamente caçados no Brasil".
Solange Zanoni afirma que a atitude do pescador o
credenciou como colaborador-voluntário do Projeto Peixe-Boi. O colaborador é
o elo entre a comunidade e o Projeto. Tudo o que acontece na sua localidade
que diz respeito ao peixe-boi, o colaborador avisa aos técnicos. “Na próxima
campanha de conscientização e mobilização, prevista para acontecer entre
setembro e outubro próximo, vamos voltar na casa do Seu Raimundo”, atesta
Solange.
O Projeto Peixe-Boi é executado pelo Centro Mamíferos Aquáticos/Ibama
em co-gestão com a Fundação Mamíferos Aquáticos e
patrocinado pela Petrobras desde 1997. (Luís
Boaventura/ Ibama)
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