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Boletim POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS, Número 263 - 29 de julho de 2005
Além dos debates sobre os atentados terroristas e sobre as repercussões do
brutal assassinato do mineiro que morava em Londres, a imprensa britânica vem
dando grande destaque a descobertas científicas recentes que constataram que a
canola transgênica testada no país cruzou com uma planta silvestre transferindo
a ela sua característica de resistência a herbicida. O fato de a segurança dos
transgênicos conseguir cobertura da imprensa em meio a
tempos tão conturbados vividos pelos ingleses mostra a preocupação frente à
extensão dos impactos recém-desvendados.
A canola transgênica da Bayer, resistente ao herbicida glufosinato de amônio,
foi testada durante três anos pelo governo inglês. Governo, Bayer e cientistas
diziam que os riscos de cruzamento da variedade transgênica com outras espécies
eram inexistentes. Após a conclusão do experimento, cientistas do Centro de
Ecologia e Hidrologia continuaram monitorando esses campos e verificaram que
neles cresciam plantas que não eram controladas pelo herbicida. Essas plantas
são híbridas resultantes da canola transgênica com mostarda silvestre (Sinapis
arvensis).
Brian Johnson, um dos pesquisadores que integrou a equipe governamental encarregada
dos ensaios experimentais considera relevantes as
novas descobertas e afirma que "Basta uma ocorrência em milhões. Uma vez
criada, a nova planta tem enorme vantagem adaptativa e se multiplicará
rapidamente".
As sementes de mostarda podem ficar no solo por períodos de 20 a 30 anos antes
de germinarem, colocando sérias dúvidas sobre a possibilidade de se controlar a
variedade transgênica uma vez que ela produza sementes. No Canadá, onde a
canola transgênica é cultivada comercialmente, os produtores também enfrentam
problemas para controlar essas super plantas
invasoras, que não são mais controladas nem pela aplicação de dois ou três
tipos diferentes de herbicidas após o cultivo de variedades transgênicas
resistentes a herbicidas.
O relatório do estudo que relata a transferência de genes afirma que "no
ano subseqüente à conclusão dos ensaios com a canola transgênica, plantas que
cresciam espontaneamente na área foram testadas com a aplicação de herbicidas.
Uma única planta de mostarda não foi afetada e suas folhas foram então
submetidas a testes para detecção de modificação genética. A presença do gene
modificado foi confirmada. Verificamos que um e dois anos
após o experimento uma parte das plantas que cresciam no local era
tolerante ao herbicida glufosinato de amônio".
O ex-ministro do meio ambiente britânico Michael Meacher reagiu às informações:
"lembro de terem me garantido enquanto eu era ministro de que isso jamais
aconteceria. Não podemos aceitar o risco de plantas transgênicas contaminarem plantas
silvestres de forma imprevisível. Deveríamos proibir cultivos transgênico que
tenham parentes silvestres no país".
Saiba mais sobre esse caso em:
http://www.guardian.co.uk/gmdebate/0,2759,178400,00.html