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O Rio
Grande do Sul pode plantar, por mais um ano, sementes de soja transgênica usadas no último plantio. Um decreto assinado
nesta quinta-feira (8) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva permite que
os agricultores gaúchos replantem sementes da safra passada para a de
2005/2006. A lei de Biossegurança permitia o uso
dessas sementes somente até este ano.
Essa medida foi tomada porque estão muito baixos os estoques de semente de
soja certificadas e permitidas pelo governo. Segundo o secretário de
Segurança Agropecuária, Gabriel Maciel, existem cerca de 1,6 milhão de sacas
autorizadas, que correspondem a 17% das sementes necessárias para a próxima
safra. Desse total, apenas 600 mil são de soja transgênica
permitida para plantio.
De acordo com Maciel, o uso da soja não autorizada pelo ministério tem
causado um desequilíbrio na porcentagem das sementes que são autorizadas e
das que não são autorizadas. "O Rio Grande do Sul é o estado que
tradicionalmente vem plantando este tipo de soja transgênica
e naturalmente sem origem definida e sem identidade genética, ou seja, nós
não conhecemos o patrimônio genético nem a origem genética, porque ele foi
introduzido sem termos essa identificação do material, nem o registro no
Ministério da Agricultura. Isso vem causando um grande desequilíbrio de
oferta e procura de sementes certificadas", disse.
O secretário afirma que o decreto tem o objetivo de equilibrar a oferta de
sementes de soja para a safra 2006/2007 período em que todas elas deverão ter
certificação comprovada. "O agricultor terá que usar a semente adquirida
neste ano, com capacidade de demonstrar que ela realmente foi adquirida de
forma legal, que não foi introduzida sem identificação. Mas o grão que ele
está plantando neste ano é proibido para a próxima safra", explica.
Esse é o terceiro ano em que o governo federal e o Ministério da Agricultura
tentam regularizar a situação no Rio Grande do Sul, mas o secretário espera
que seja o último. "Nós estamo dando tempo
suficiente para essa reestruturação. E com a possibilidade de atendimento de
toda a oferta necessária de sementes, a exemplo dos outros estados, onde há
um equlíbrio entre as sementes ofertadas e a
demanda". (Michèlle Canes/
Radiobrás)
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