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A ALL -
América Latina Logística e a Bunge estão negociando
uma parceria que, se concretizada, permitirá a exportação de grãos
geneticamente modificados pelo porto de Paranaguá (PR) – e, conseqüentemente,
poderá estimular o plantio de soja transgênica no
estado. De acordo com a ALL, as empresas criaram a PGT - Paranaguá Grains Terminal e estudam a viabilidade de construir um
silo próprio fora do espaço público de embarque, em um terreno da
concessionária. Ali, a soja transgênica seria
rotulada e seguiria por dutos independentes até os navios.
Em 11 de agosto, o superintendente da Appa -
Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina,
Eduardo Requião, havia anunciado a possibilidade de a iniciativa privada
bancar um terminal para transgênicos, mas sem
divulgar quais eram as empresas envolvidas. Na última terça-feira (30), ele
teria discutido o assunto em reunião com a ALL, Bunge,
Soccepar - Sociedade Cerealista
Exportadora de Produtos Paranaenses e operadores portuários. A ALL não deu
mais detalhes sobre a parceria e, procurada pela reportagem, a Bunge não retornou as ligações.
A assessoria da Appa confirma que houve uma
conversa e que “o porto está aberto a essa proposta e quer cumprir a lei”.
Hoje, o embarque é proibido pelo governo do Paraná, que alega que o porto não
tem condições de segregar e rotular a soja transgênica.
Mas, para cooperativas, produtores e exportadores, essa seria apenas uma
desculpa para inibir o plantio de transgênicos no
estado – que foi definitivamente liberado após a aprovação da Lei de Biossegurança, em março.
O secretário de Agricultura, Orlando Pessuti, diz
não acreditar que a eventual construção do novo terminal possa atrapalhar a
pretensão do governo estadual de declarar o Paraná área livre de transgênicos. “O governo vai continuar defendendo o
plantio da soja convencional e orgânica. Não há nenhum recuo de nossa parte”,
diz. “O terminal particular seria apenas uma oportunidade de resolver os
problemas que o porto tem com o embarque dos transgênicos.”
Pessuti diz que não há um levantamento sobre o
tamanho da área que deverá ser plantada com soja transgênica
este ano, mas informa que dados extra-oficiais sobre as vendas de sementes
indicam que o índice não chegará a 10% da área total. Já a Faep - Federação da Agricultura do Estado do Paraná
estima que esse percentual será de, no mínimo, 15% – e tende a crescer para
50% na safra seguinte, 2006/07.
Carlos Albuquerque, assessor da presidência da Faep,
defende que não há necessidade de construção de um novo terminal exclusivo
para transgênicos. “Há muito tempo o porto tem
condições de segregar a soja transgênica e só não
exporta por teimosia do governo. Hoje já existem pontos de embarque
totalmente independentes, que permitiriam a segregação”, diz. Para
Albuquerque, liberar a exportação somente pelo novo terminal – que teria
capacidade para 80 mil toneladas – provocaria filas e atrasos no embarque. “A
partir da safra 2006/07, metade da produção de soja do estado será transgênica. Como embarcar 6 milhões de toneladas em um
único local?”, questiona. (Fernando Jasper/ Gazeta
do Povo/PR)
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