09/08/2005
EXCLUSIVO: Projeto de Lei regulamenta a profissão de catador de lixo

Danielle Jordan / AmbienteBrasil


O Projeto de Lei 5649/05, de autoria do deputado Eduardo Valverde (PT-RO), está em tramitação na Câmara dos Deputados e prevê a regulamentação da profissão de coletor, catador e reciclador de lixo. O PL estabelece as funções das atividades relacionadas, assim como seus direitos e deveres trabalhistas e previdenciários. Valverde cita o problema do lixo como um dos mais graves da atualidade e diz que sua proposta tem como objetivo “formalizar a atividade como profissão, tirando-a da marginalização no processo produtivo”. Além do benefício social, o deputado destaca o ganho ambiental, uma vez que o impacto será amenizado, através da reciclagem.


Com a vantagem de estimular a coleta seletiva, espera-se que os catadores transformem-se também em recicladores. O incentivo às cooperativas contribui para a organização da profissão. Elas atuarão buscando financiamentos para serem aplicados em compra de equipamentos e investimento em tecnologia. O lucro ainda será obtido através da venda dos materias coletados, só que agora, com maior valor agregado. O deputado diz que algumas empresas já possuem projetos que repassam financiamentos para essas cooperativas.


A proposta diferencia as profissões de garis e catadores. Os primeiros são responsáveis pela coleta de lixo, poda de árvores, limpeza de monumentos, valas e sarjetas, sendo subordinados à empresas públicas ou privadas e com jornada de trabalho fixada em seis horas diárias. Cabem aos catadores a coleta de material reciclável. Eles trabalharão em regime autônomo, com registro nas Delegacias Regionais do Trabalho ou nos órgãos públicos conveniados. Poderão, ainda, estabelecer parcerias com universidades públicas a fim de conhecerem e implantarem novas tecnologias.  A atividade pode ser vista como o primeiro elo da reciclagem de materiais, segundo o autor do PL, dizendo que um dos objetivos é transformar os catadores em recicladores também. As cooperativas terão papel fundamental nessa organização e problemas como a armazenagem dos materiais coletados poderão ser solucionados por meio delas, segundo o deputado. Atualmente, o lixo recolhido geralmente é depositado em terrenos baldios ou até mesmo na residências dos catadores.
  

O projeto coloca ainda o trabalho de reciclagem de lixo como atividade insalubre, o que dá aos empregados das centrais o direito a benefícios trabalhistas e previdenciários. Serão, também, instaladas escolas de ensino fundamental próximas às centrais de reciclagem, para atender as famílias dos profissionais. Valverde lembra que trata-se de uma atividade coletiva, em que geralmente toda a família participa. “Dessa forma passam a integrar o processo produtivo e garantem que os filhos não tenham que ficar na rua”, diz.


De acordo com o deputado, a idéia surgiu em um Congresso realizado em Brasília, em junho de 2001, pela própria categoria.  A Secretaria Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, com sede em São Paulo, tomou conhecimento do PL através de AmbienteBrasil. O projeto deve ser  discutido entre hoje e amanhã em reunião onde estarão presentes membros da equipe de articulação nacional dos catadores de diversas regiões do país.

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