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Mônica
Pinto / AmbienteBrasil
Até o próximo dia 15 de julho estarão abertas as inscrições para o 1º
Simpósio Brasileiro sobre Espécies Exóticas Invasoras, que acontecerá entre 4
e 7 de outubro no auditório Parlamundi, em Brasília (DF). O evento é
promovido pelo Ministério do Meio Ambiente e Ibama, em parceria com Fundação
Osvaldo Cruz, Embrapa, Instituto Hórus, Instituto de Oceanografia da USP e Universidade
de Viçosa.
Em sua primeira edição, o simpósio denota a preocupação dessas instituições
com uma ameaça biológica ao meio ambiente que traz prejuízos à economia e aos
ecossistemas naturais, além de riscos à saúde humana. As espécies exóticas invasoras
são consideradas a segunda maior causa de perda de biodiversidade, sendo a
primeira as alterações de habitats.
No texto de apresentação do Simpósio, o Ministério do Meio Ambiente explica
que, de acordo com a Convenção sobre Diversidade Biológica – CDB -, “espécie
exótica” é aquela que se encontra fora de sua área de distribuição natural.
“Espécie Exótica Invasora”, por sua vez, é definida como sendo aquela que
ameaça ecossistemas, habitats ou espécies. As exóticas invasoras, por
suas vantagens competitivas e favorecidas pela ausência de predadores e pela
degradação dos ambiente naturais, dominam os nichos ocupados pelas espécies
nativas, notadamente em ambientes frágeis e degradados.
Desde 2003, o Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental e a
The Nature Conservancy – TNC - realizam o Levantamento Nacional sobre
Espécies Exóticas Invasoras. Em 2004, o Ministério do Meio Ambiente lançou o
edital para realização de um informe nacional sobre o tema, que vinculou
outras instituições ao projeto em andamento. O Instituto Oceanográfico da
Universidade de São Paulo assumiu o levantamento em ambientes marinhos; a
Universidade Federal de Viçosa, em ambientes aquáticos de água doce. Além
deste mapeamento das exóticas invasoras em ambientes naturais, estão em curso
levantamento de espécies que afetam a saúde humana, pela Fundação Oswaldo
Cruz (RJ) e que interferem negativamente nos sistemas produtivos, este um
trabalho a cargo do Centro de Recursos Genéticos da Embrapa, em Brasília.
O Instituto Hórus e a The Nature Conservancy optaram por treinar e contratar
técnicos para realização de entrevistas com profissionais dos setores
público, privado e não governamental nos 26 estados e DF. “Esse levantamento
está em fase de conclusão e só nos falta agregar dados de mais dois estados”,
diz Sílvia Ziller, diretora executiva do Instituto Hórus e coordenadora do
Programa de Espécies Exóticas Invasoras para a América do Sul da The Nature
Conservancy.
Segundo ela, há hoje para o Brasil uma relação de pouco mais de 170 espécies
exóticas invasoras, de flora e fauna. Sua expectativa, porém, é que esse
número aumente para cerca de 300 espécies, quando acrescidos ao estudo os
dados de ambientes marinhos e águas continentais. O Simpósio reunirá
especialistas brasileiros e do exterior com o objetivo de traçar um
diagnóstico da presença de espécies exóticas invasoras no país, como passo
inicial para a elaboração de um programa nacional de controle desses
organismos.
No Brasil, já se sabe que problemas graves são causados por espécies
como mexilhão dourado, caramujo africano, mosca-do-Mediterrâneo,
capim anoni, pinus e a mosca-da-carambola, erradicada do Amapá após três anos
de trabalho. Entre as ações desenvolvidas pelo Ministério do Meio Ambiente
para aumentar o conhecimento e combater as espécies invasoras, estão a
avaliação de impactos ambientais e socioeconômicos, criação de mecanismos de
controle, prevenção e erradicação, e um levantamento da legislação nacional
específica.
Além disso, vem sendo organizada uma parceria entre os setores governamental,
não-governamental, acadêmico-científico e iniciativa privada para o combate
às espécies exóticas invasoras. Por meio do Projeto de Conservação e
Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira – ProBio -, MMA e
entidades parceiras estão investindo R$ 3,7 milhões para estudar os impactos
das espécies invasoras na agricultura, na pecuária, nos mares e na saúde. Os
resultados da pesquisa serão divulgados até o fim do ano.
“Os métodos de controle e erradicação variam de acordo com cada espécie e
precisam envolver princípios éticos, afinal as espécies não têm culpa de
estar num ambiente fora de casa”, diz Sílvia Ziller. “Mas o crescimento
populacional das invasoras, a competição por alimento e habitat, a predação
e a dominância são fatores reais e consagrados, e só podem ser resolvidos com
intervenção humana”, ressalta, lembrando que as exóticas invasoras não
convivem com as nativas. “Elas entram para dominar o ambiente, eliminar
espécies nativas e quebrar cadeias ecológicas que são chave para o
funcionamento ecossistêmico”.
No Rio Grande do Sul, já se estudam providências para combater os javalis –
uma espécie exótica invasora que acarreta graves prejuízos à agricultura.
Mas, apesar de exterminá-los ser uma medida passível de gerar protestos ou
polêmicas, estaria justificada quando contrabalançados ônus e bônus dessa
decisão. “A eliminação de espécies de fauna parece cruel porque os animais
alvo do controle ficam em evidência. Se pudéssemos colocar também em
evidência as centenas de espécies nativas de flora e fauna que são
prejudicadas pela presença das exóticas invasoras, o público certamente
escolheria com tranqüilidade a opção de sua eliminação”, defende Sílvia
Ziller.
A controvérsia do Pinus
Entre as exóticas invasoras, uma das que causa mais controvérsias é o pinus.
O Instituto Ecoplan tem alguns estudos sobre a espécie e defende seu uso como
opção para o reflorestamento. “Nossa experiência no bioma Mata Atlântica, em
áreas de empresas certicadas pelo FSC (saiba mais no final da matéria),
mostra que não existe a contaminação do pinus nas florestas nativas”, diz o
engenheiro florestal Marco Aurélio Ziliotto, do Ecoplan. “Até porque, se isso
ocorre, as empresas são obrigadas a tomar providências visando a eliminação,
ou por exigência da própria certificação, ou porque já incorporaram essa
consciência em sua política ambiental”.
Segundo ele, a observação de técnicos do Ecoplan em diversos povoamentos
homogêneos de pinus constatou in loco a ocorrência de espécies da
fauna, a exemplo de macacos-prego, antas, gralhas azuis, papagaios de peito
roxo e veados. Para o engenheiro florestal, a possibilidade do
pinus ser considerado uma espécie biocontaminante é motivo de preocupação.
“Isso impossibilita projetos de fixação de carbono, conforme previstos no
Protocolo de Kyoto”, diz Ziliotto, para quem o reflorestamento de exóticas
gera emprego e renda, fixa o homem no campo e apresenta grande produtividade
por unidade de área, o que diminui a pressão sobre florestas nativas. “Não há
por que impedir a silvicultura do pinus em áreas previstas legalmente”.
Sílvia Ziller diz que os danos dos reflorestamentos de pinus ao meio ambiente
dependem de sua extensão e da forma de manejo. "A compatibilidade entre
produção florestal e conservação ambiental é perfeitamente factível, o que
está faltando é que o setor reconheça que o problema existe e que é preciso
apreender novos elementos e incorporar novas práticas ao manejo”, diz ela,
ressaltando que na Nova Zelândia e na África do Sul se produz pinus sem
invasões. “Está tudo regulamentado e o setor florestal não quer ser poluidor.
O nosso setor precisa chegar lá e ter mais qualidade, seja por
conscientização própria ou por força de lei - o que acontecer primeiro”.
Marco Ziliotto sustenta que as políticas públicas para criação de Unidades de
Conservação já devem prever a divulgação de técnicas e práticas para o
controle da invasão do pinus em sua área, quando e se ocorrerem. Ele acredita
também que os proprietários do entorno podem atuar como agentes voluntários
nessa tarefa.
Quanto às espécies exóticas invasoras já presentes no Brasil, de um modo
geral, Sílvia Ziller defende a criação de incentivos e programas visando seu
controle e erradicação. “Começar por unidades de conservação tem lógica e
seria um bom aprendizado, pois há respaldo legal para isso acontecer”, coloca
ela, propondo aos setores produtivos que utilizam as espécies invasoras o
ajuste de suas práticas de forma a incorporar atividades preventivas e de
controle permanentes. “Existem bons modelos e bons exemplos de leis que não
ferem a produção, mas conseguem proteger o bem comum. Não é preciso
reinventar a roda.”
Saiba mais sobre as Espécies Exóticas Invasoras
De acordo com informação do Secretariado da Convenção sobre Diversidade
Biológica – CDB, as espécies exóticas invasoras já contribuíram, desde o ano
1600, com 39% de todos os animais extintos, cujas causas são conhecidas. Mais
de 120 mil espécies exóticas de plantas, animais e microrganismos já invadiram
os Estados Unidos da América, Reino Unido, Austrália, Índia, África do Sul e
Brasil.
* Considerando-se o número de espécies que já invadiram esses seis países
estudados, estimou-se que um total aproximado de 480 mil espécies exóticas já
foram introduzidas nos diversos ecossistemas da terra. Se imaginarmos que 20
a 30% dessas espécies introduzidas são consideradas pragas e que estas são as
responsáveis pelos grandes problemas ambientais enfrentados pelo homem, é
fácil imaginar o tamanho do desafio que, forçosamente, o Brasil terá de
enfrentar para o seu controle, monitoramento, mitigação e erradicação.
* Levantamentos realizados nos Estados Unidos da América, Reino Unido,
Austrália, África do Sul, Índia e Brasil atestam que as perdas econômicas
anuais decorrentes da introdução de pragas nas culturas, pastagens e nas
áreas de florestas atingem cifras que se aproximam dos 250 bilhões de
dólares.
* Cálculos sobre as perdas ambientais anuais relativas à introdução de pragas
nesses mesmos países indicam que o montante ultrapassa os 100 bilhões de
dólares. O cálculo do custo do dólar per-capita relacionados às perdas que
ocorrem em razão das invasões biológicas nessas mesmas seis nações
investigadas foram de, aproximadamente, 240 dólares/ano. Se assumirmos custos
similares para os países em âmbito mundial, os danos decorrentes das espécies
invasoras superaria 1,4 trilhões de dólares/ano, o que representa cerca de 5%
da economia mundial. (Fonte: Ministério do Meio Ambiente)
O que é a Certificação FSC
O FSC (Forest Stewardship Council) promove o manejo ambientalmente correto,
socialmente justo e economicamente viável de todas as florestas do mundo. É
uma organização internacional sem fins lucrativos que desenvolveu um sistema
para identificar e rotular produtos provenientes de florestas bem manejadas.
A organização desenvolveu 10 regras, ou princípios, que definem o que é um
manejo responsável da floresta, aplicáveis em florestas do mundo
inteiro.Quando uma floresta é bem manejada e respeita todos os padrões
estabelecidos pelo FSC, ela pode receber um certificado e toda a madeira que
sai dessa floresta carregará um selo.Porém, para que um produto acabado
(madeira serrada, cadeira, lápis, papel, etc) receba o selo, será necessário
também demonstrar um controle sobre essa madeira certificada durante o
processo de beneficiamento, e garantir a sua rastreabilidade.A esse processo
chamamos Cadeia de Custódia.
O selo informa aos consumidores que os produtos que eles estão comprando
provêm de uma floresta certificada e também significa que todas as empresas
envolvidas desde a saída da madeira da floresta até a transformação do
produto trabalham de acordo os padrões sustentáveis definidos pelo FSC.
O selo FSC é o único com reconhecimento mundial e o mais rigoroso sistema de
etiquetagem de produtos provenientes da floresta. Também é o único selo
florestal apoiado pelo WWF, Greenpeace, Amigos da Terra e por grandes
varejistas do mercado americano e europeu como Home Depot, B&Q e Ikea.
De uma simples idéia o FSC cresceu para transformar-se num sucesso global,
com mais de 46 milhões de hectares de florestas certificadas e presente em
mais de 66 países.Além disso, todo o processo de discussão sobre certificação
envolve pessoas e organizações dos setores sociais, ambientais e econômicas
do mundo todo, dando voz e voto para pessoas de todos os níveis da sociedade.(Fonte:
www.fsc.org.br)
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