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Mônica
Pinto / AmbienteBrasil
Apesar do direito à informação ser previsto na Constituição Federal, 23,3% da
população brasileira se reconhece “mal” e “muito mal” informada sobre as
questões ambientais. Cinqüenta e cinco por cento sentem-se “mais ou menos
informados” e apenas 21,6% acham-se “muito bem” e “bem informados” sobre Meio
Ambiente e Ecologia. Esse percentuais, revelados em uma
pesquisa do Iser, realizada em 2004 pelo
Ibope em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, foram comentados em duas
palestras do II Congresso Brasileiro de Comunicação Ambiental, encerrado
nesta sexta-feira, em São Paulo.
A pesquisa demonstra que o nível de desinformação é alto em todo o país, com
predominância no Nordeste, onde atingiu 53% dos entrevistados. “A população
quer saber mais sobre danos reais ao meio ambiente e sobre os riscos
potenciais”, disse Simone Jardim, jornalista pós-graduada em Educação Ambiental
que, no evento, discorreu sobre “Livre acesso à informação ambiental de
interesse público”.
As dificuldades nesse aspecto foram de certa forma elucidadas na palestra de
Débora Anger, da Escola de Comunicação e Artes da
USP, autora de um dos cinco trabalhos escolhidos para apresentação no
Congresso. Em sua avaliação, ONGs, Governos e
empresas não têm sido eficazes no sentido de, através da informação, criar
uma nova consciência de conservação do meio ambiente. As ONGs
pecariam por, em geral, lançarem mão de um discurso catastrófico, alarmante,
que procura dividir responsabilidades - “você não está fazendo nada?”. “Isso
gera certa ansiedade e não deixa claro como a pessoa pode colaborar”, disse
ela. “Fala-se muito pouco do papel do voluntariado, por exemplo”.
O Governo, em suas várias esferas, por sua vez, dedica-se quase que
exclusivamente a campanhas pontuais, sem explicar em profundidade os
problemas e desafios de ordem ambiental. “Deveria falar mais abertamente
sobre os programas, manter as ações e usar mensagens mais informais e menos
autoritárias”, avaliou Débora.
Já o meio empresarial, ao arregimentar para si os méritos das atividades
empreendidas no campo da responsabilidade ambiental, capitalizando-os como
estratégia de marketing, corre o risco de incentivar o comodismo - “as
empresas estão fazendo por mim”. O contraponto dessa estratégia
equivocada seria a integração maior do consumidor com os vários projetos, os
investimentos efetivos em educação ambiental e em uma cultura de consumo
consciente.
A administradora de empresas Marisa Pasicznik, que
falou sobre “O direito à informação e a Comunicação Ambiental na Empresa”,
também citou a pesquisa do Iser/MMA para ilustrar o
nível de desconhecimento geral sobre as questões relacionadas do meio
ambiente. Utilizou outro levantamento para corroborar tal fato, este assinado
pelo Instituto Brasileiro de Educação para o Consumo de Alimentos – IBCA -,
que ouviu mais de 500 pessoas. A pesquisa constatou
que grande parte dos consumidores lê o rótulo dos produtos, mas não
compreende o significado das informações apresentadas. Isso vale desde para
os alimentos genéticamente modificados até para
símbolos como o da reciclagem do alumínio, confundido por entrevistados como
“álcool” e “desce redondo”.
Um entendimento quase unânime entre os palestrantes foi que essa dificuldade
cria um obstáculo concreto à tarefa de informar riscos ambientais e de
gerenciar crises nascidas, por exemplo, de um acidente ambiental. “A crise
não é o fato ocorrido, são os desdobramentos”, colocou Fernando Altino,
vice-diretor do Instituto de Química da UERJ. Já para Iris
Regina Poffo, da equipe de atendimento emergencial
da Cetesb, a credibilidade – essencial para um projeto de comunicação de
riscos – pode ser afetada por qualquer lapso. “Esse trabalho necessita
preparo e planejamento”.
O II Congresso Brasileiro de Comunicação Ambiental ofereceu ainda
o I Workshop de Comunicação Ambiental e, nas palestras, debates
sobre temas como a metodologia Apell, do Pnuma, da comunicação de indicadores econômicos,
ambientais e sociais, da promoção do diálogo com as partes interessadas; da
NBC - T15, que estabelece procedimentos para evidenciação de informações de natureza social e
ambiental, com o objetivo de demonstrar à sociedade a participação e a
responsabilidade social da empresa; da comunicação de riscos ambientais; e cases
de sucesso em comunicação ambiental, entre outros.
O evento recebeu apoio do Conselho Regional de Quimica
de São Paulo, da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha e de Ambiente
Brasil, sendo organizado pela AG Comunicação Ambiental.
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