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Fora-da-lei |
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AGROTÓXICOS
ILEGAIS, VENENO MILIONÁRIO |
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O contrabando de
defensivos agrícolas movimenta |
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A compra de
defensivos agrícolas contrabandeados pode baratear o custo final em até 40%
com relação ao produto convencional. Essa diferença deve-se ao
não-recolhimento de taxas e impostos, reconhecimento de patentes, dentre
outros fatores. O preço atrativo pode seduzir alguns produtores, no afã de
reduzir custos com o plantio das safras, mas também pode se tornar um
verdadeiro pesadelo. Segundo João Hilário Pires, fiscal federal agropecuário,
“os produtos oriundos do contrabando não oferecem nenhuma garantia ao
produtor, pois caso este não surtam os efeitos desejados, ele não poderá
reclamar para ninguém, além de correr o risco de perder a safra toda”
declara. Hilário Pires acrescenta que esses produtos são perigosos por não se
saber ao certo quais os componentes químicos que eles contêm. “Eles compram
pensando que é um fosforado e pode ser um mercurial”. Os produtos à base de
mercúrio são proibidos no Brasil já há várias décadas por causar deformações
genéticas e contaminar o meio ambiente. Segundo dados
divulgados pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa
Agrícola (Sindag), Mato Grosso do Sul é um dos oito Estados visados pelos
contrabandistas de agrotóxicos, juntamente com o Paraná, Rio Grande do Sul,
Santa Catarina, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso e Goiás. O contrabando entra
no Estado através do Paraguai e da Bolívia. Celso Luiz
Antonialli, chefe de Defesa Vegetal da Delegacia Federal da Agricultura
declarou que os compradores de produtos contrabandeados são, geralmente,
grandes produtores agrícolas. “Eles usam os herbicidas pirateados para
preparar o terreno antes do plantio nas culturas de soja, milho e algodão”.
Segundo ele, os produtos contrabandeados trazem os rótulos em espanhol, já
nos produtos originais, a língua portuguesa é obrigatória “mesmo os produtos
sendo originários do Mercosul”, esclarece. As revendedoras
de agrotóxicos são obrigadas a recolher as embalagens vazias dos produtos que
não fazem a tríplice lavagem, precisando para isso de licença ambiental,
justamente para dificultar a falsificação e evitar a contaminação do meio
ambiente. “O agricultor que não fizer a tríplice lavagem pode ser penalizado
pela má utilização de agrotóxicos”, afirma. Em outubro deste
ano, em Salvador, o Sindag se comprometeu a promover a destruição de todo
material oriundo de contrabando e falsificação apreendido pela Polícia
Federal em todo o Brasil, incluindo o transporte e a destruição em São Paulo. Hamilton Rondon
Flandoli, engenheiro agrônomo, coordenador da Câmara Especializada de
Agronomia do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Mato
Grosso do Sul (Crea/MS) disse que no Estado existem oito pontos de coleta de
embalagens vazias: São Gabriel do Oeste, Campo Grande, Chapadão do Sul,
Maracajú, Rio Brilhante, Dourados, Ponta Porã, Naviraí e Caarapó, que são
instalados em parceria com o Instituto Nacional de Processamento de
Embalagens Vazias (Inpev), associações de revendas agrícolas e as
prefeituras. “A Lei 9974/2000 regulamentou esse processo e delegou obrigações
para todo mundo: agricultores, revendedores e fabricantes”. Este ano, o Inpev
conta recolher 845 toneladas em Mato Grosso do Sul, ou seja, 70% do total das
embalagens vendidas. A média nacional gira em torno de 50 %. “Os agricultores
que utilizam os produtos contrabandeados, geralmente, queimam as embalagens
vazias, jogam nos rios, córregos ou enterram, para escapar da fiscalização,
infringem a lei por usarem produtos oriundos de contrabando e cometem crime
ambiental”, explica. A penalidade varia da multa até a reclusão (de quatro a
dez anos de prisão). O destino final das embalagens vazias é a incineração
das que não podem ser lavadas, que correspondem a 8% e 92% são recicladas. O
Inpev é o responsável pelo transporte, incineração e reciclagem, sendo o
lucro obtido no último processo, revertido para as associações de revenda. Flandoli explica
que a fabricação de um agrotóxico leva entre cinco e oito anos, até chegar ao
mercado. “Ele passa por testes no Ministério da Saúde, da Agricultura, no
Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(IBAMA) e isso tudo tem um custo”, argumenta, “já os agrotóxicos contrabandeados
não, o que diminui o preço pela metade”. Ele explica que os danos causados no
organismo - a maioria é utilizado nas culturas de soja e milho - geralmente,
destinados à exportação, só poderão ser sentidos a longo prazo. A
Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) é feita através da Agência Estadual
de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), Secretaria de Estado do Meio
Ambiente e Recursos Hídricos/MS (Sema), CREA, Fundação Nacional da Saúde
(FUNASA), Ministério do Trabalho e Corpo de Bombeiros. As apreensões são
feitas pela Polícia Federal. Ele afirma que o
contrabando cresce proporcionalmente ao aumento da área plantada a cada
safra. O mercado de agrotóxicos movimenta US$ 3 bilhões no país, dos quais
Mato Grosso do Sul, US$ 150 milhões. As perdas com o contrabando
representariam 20% do total arrecadado. |
Fonte: http://www.metropolenet.com.br/edicoes/66/agrot01.php