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"A
fiscalização na Amazônia é uma ficção", lamenta o jornalista ambiental
Washington Novaes. Ex-secretário de Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia do Distrito
Federal, Novaes é um dos principais especialistas do país da questão
ambiental.
Ele não vê com otimismo o futuro do projeto de lei que pretende disseminar a
prática do manejo sustentável nas florestas nacionais, PL 4776. Segundo
Novaes, o projeto não segue um modelo geral de exploração inteligente da
Amazônia. Ele elogia o modelo para a região, inscrito no Projeto Amazônia
Sustentável, apresentado pelo governo federal. "Teoricamente, tem muitos
méritos e muitas direções corretas. Mas a prática não tem acompanhado
exatamente o que está lá", diz.
Na opinião de Novaes, o mesmo tende a acontecer com o projeto que regula a
gestão pública de florestas. Sem um aumento da fiscalização, a concessão de
uma terra pública para exploração pode ser apenas um incentivo à depredação.
"Não há sinal de melhoras na fiscalização, por isso não há razão para
ser otimista".
A preocupação de Novaes é sustentada por exemplos internacionais. "Não
há um só caso de país que tenha entrado por esse caminho e tenha dado certo, seja
na América Latina, Ásia e África", diz. O jornalista cita o estudo do
pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia Niro Higui para mostrar que, em
outros países que aplicaram o mesmo projeto, "acabou havendo uma
sobre-exploração, com redução de suas florestas sem resultados econômicos
significativos". (Daniel Merli/ Radiobrás)
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