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Mais da metade das 50 milhões de residências do país não
são atendidas
por uma rede pública de esgoto, segundo levantamento feito em 2003 pelo IBGE
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O governo brasileiro
reconhece que este é o maior desafio para alcançar as metas do milênio.
As oito metas, que deveriam ser atingidas em 2015, foram estabelecidas pelos
governos na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável realizada em
2002 em Johannesburgo, África do Sul. A sétima meta
é "Garantir a sustentabilidade
ambiental", em que está incluído o atendimento com
serviço público de esgoto.
Mas os investimentos que vêm sendo feitos pelo governo são insuficientes para
levar o esgotamento sanitário a pelo menos a metade
da população desprovida, admitiu nesta terça-feira (16) Gilney
Viana, secretário de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável do
Ministério do Meio Ambiente. Gilney participou hoje
de encontro no Rio de Janeiro, com empresários e representantes de
organizações não-governamentais para avaliar o cumprimento das Metas do
Milênio.
"O saneamento é uma das metas mais difíceis para qualquer país em
desenvolvimento, porque requer investimentos de grande monta e as obras são
invisíveis, mas necessárias do ponto de vista ambiental e também para a saúde
pública. Acho até possível chegarmos a 2015 com 100% de cobertura, mas ainda
não está visível no horizonte", acrescentou.
Viana lembrou, no entanto, que o Brasil vem avançando na preservação da
biodiversidade, na proteção da camada de ozônio, na melhoria da qualidade da
água e também no combate à Aids.
Para o presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento
Sustentável, Fernando Almeida, os avanços conseguidos nos últimos três anos
foram insuficientes e "não haverá tempo para recuperar as ações até
2015, quando nova reunião será feita para avaliar a situação do
planeta".
No caso do Brasil, Almeida defendeu uma mudança de rumo das políticas
públicas. "As ações têm que ser mais socialmente inclusivas e de uma
forma que possam agregar a manutenção dos recursos naturais",
acrescentou. Ainda segundo o empresário, além do saneamento, as metas sobre
inclusão social, pobreza e renda também serão difíceis de ser atingidas.
O encontro, no auditório do BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social segue até esta quarta-feira (17) com palestras sobre pobreza,
fome, inclusão social, recursos naturais e planejamento governamental para o
desenvolvimento sustentável. (Cristiane Ribeiro/ Agência Brasil)
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