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O
dispositivo desenvolvido na Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de
Guaratinguetá, aparenta ser bastante simples. Uma placa em formato parabólico
com 3 metros de comprimento por 1 metro de largura, formada por uma fina
folha de aço recoberta por uma película de polietileno refletivo. É a parte
mais visível de um novo e eficiente tipo de aquecedor solar.
“Além disso, no foco da placa é fixada uma serpentina formada por cinco canos
de cobre enegrecido, com 3 metros de comprimento”, explica Teófilo de Souza,
professor da Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, responsável pelo
invento. “Quando a água passa pelo sistema ela atinge entre 185ºC e 200ºC.
Nos produtos similares, a temperatura chega apenas a 60ºC.”
Além da novidade representada pela película, a movimentação do aquecedor no
sentido do Sol ao longo do dia é outra das explicações dadas por Souza para
justificar o sucesso do dispositivo. “Além do sensor luminoso, existe um pequeno motor, usado em furadeiras, para promover o
deslocamento da peça. A energia elétrica necessária nesse caso é bem pequena,
mas também estamos desenvolvendo uma bateria para acionar o mecanismo”, disse
o pesquisador à Agência FAPESP.
Funcionar sem nenhum tipo de energia elétrica é essencial para que a novidade
consiga desempenhar com sucesso uma de suas finalidades, especificamente em
ambientes rurais. “O vapor produzido pelo aquecedor pode substituir o
querosene e o gás de cozinha no funcionamento de geladeiras”, conta Souza.
Outra utilidade, segundo o responsável pelo projeto que também contou com a
participação de alunos da Unesp, seria em residências que têm acesso à
energia elétrica. Pelas contas do professor de engenharia, o Brasil tem hoje
30 milhões de casas ligadas à rede elétrica. Com cinco pessoas em média,
esses lares gastam em torno de R$ 40 com o chuveiro elétrico, ou 40% da conta
de luz.
“A economia indireta total, nesse caso, pode chegar a R$ 1,2 bilhão”, calcula
Souza. Segundo o pesquisador, como o preço aproximado do seu aquecedor solar
é de R$ 300, não custaria muito para o próprio governo colocar esses
dispositivos nas casas dos brasileiros. “Além disso, em um ano e meio de
funcionamento, ele ainda não precisou de nenhum tipo de manutenção”, garante
Souza, que desenvolveu suas pesquisas no âmbito do Centro de Energias
Renováveis da Unesp de Guaratinguetá. (Eduardo Geraque / Agência FAPESP)
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