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O
ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, afirmou que dentro de dez
anos o país pode se tornar exportador de urânio enriquecido. Segundo Rezende,
o país não tem qualquer interesse na retomada da construção de bombas
nucleares. O assunto voltou à tona com as declarações do ex-presidente José
Sarney. Ao assumir a presidência, ele recebeu a notícia de que o país
trabalhava para ter sua própria bomba atômica com instalações nucleares na
serra do Cachimbo (oeste do Pará).
De acordo com o ministro, o país gastou recursos com as instalações da serra
do Cachimbo e com o projeto de desenvolvimento de urânio à época do governo
de José Sarney.
"Isso (o enriquecimento) era feito escondido, eventualmente tinha fins
militares, não de fazer uma bomba, mas de fazer submarino nuclear. Todo esse
projeto foi convertido para atuação civil, com fins pacíficos. Todo o
aprendizado conseguido de enriquecimento de urânio está sendo usado agora
para enriquecer urânio para combustível nuclear", afirmou.
Segundo Rezende, o país tem comprovadamente a sexta maior reserva de minério
de urânio, mas um cálculo mais exato levando em conta a abrangência nacional
poderia levar o Brasil até para a terceira colocação em reserva do minério.
Existem alguns entraves para que o país possa se tornar exportador de urânio
enriquecido. Antes disso, seria necessário alterar a Constituição, que prevê
que o país não pode se tornar exportador. Além disso, o país precisa
desenvolver tecnologia para produção em massa maior. O Brasil precisaria
também de uma autorização da AIEA - Agência Internacional de Energia Atômica.
"Essa hipótese não deve ser descartada. Um país que tenha a sexta,
quinta ou terceira reserva de minério de urânio tem de ter capacidade de
exportar esse produto, porque ele é de alto valor agregado", disse.
Rezende destacou ainda que o produto deverá ganhar maior importância a longo prazo com o cenário de escassez do petróleo dentro
de 30 ou 40 anos. "Existem indicações de que em dez anos nós poderíamos
ser exportadores de urânio enriquecido", disse.
O ministro ressaltou que o país não tem um programa acabado para este fim,
mas que a discussão sobre o programa nuclear brasileiro deve se acelerar nos
próximos meses. O Brasil gasta hoje US$ 15 milhões por ano para importar
urânio enriquecido. (Janaina Lage/ Folha
Online)
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