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Milhões
de toneladas de uma rica fonte de energia são desperdiçadas ou queimadas
todos os anos no Brasil. É a palha da cana-de-açúcar, capaz de dobrar a
produção de energia feita a partir do bagaço da planta. Um projeto do PNUD em
parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia e o GEF (Fundo para o Meio
Ambiente Mundial) concluiu que o país produz por safra anual mais de 40
milhões de toneladas de palha de cana. Pelo menos metade disso pode ser usada
na geração de energia, segundo Luiz Antônio Dias Paes, pesquisador do Centro
de Tecnologia Canavieira, um dos parceiros do projeto.
Palha é tudo o que é retirado antes do processo de esmagamento que extrai o
caldo da cana (utilizado para produzir o açúcar e o álcool). Isso inclui não
somente as folhas secas, mas também as verdes e o “ponteiro” (ponta) da
planta. “Em cada tonelada de cana, 14% é palha”, afirma o coordenador do
projeto, Suleiman José Hassuani.
É impossível, com a tecnologia atual, colher a cana totalmente livre da
palha. Por isso, os agricultores preferem queimá-la antes da colheita, para
facilitar o corte. Mas esse processo emite grandes quantidades de monóxido de
carbono e de carbono particulado (a fuligem, ou carvãozinho)
— a ponto de no Estado de São Paulo uma estabelecer prazos para eliminação
desse método.
Sem ser queimada, a maior parte da palha fica no campo, jogada no solo — onde
tem a função de proteger contra a erosão. Além disso, conforme se decompõe,
ela serve de adubo, por ser rica em nutrientes. Parte dela, no entanto,
sempre acaba nas usinas de produção de açúcar e álcool. Lá, a palha acaba no
lixo, por não ter utilidade.
A maioria das usinas brasileiras que produz energia através da cana-de-açúcar
desenvolve o processo para consumo próprio, em caldeiras de baixa pressão.
Nesse sistema, a palha não faz diferença. Mas se as usinas trocarem o
equipamento por caldeiras de alta pressão, como defende Hassuani,
e gerarem energia com o bagaço de cana, a adição da palha pode, sozinha,
dobrar a produção de energia. “Uma tonelada de bagaço de cana-de-açúcar em um
sistema de alta pressão gera cerca de 50 quilowatts/hora.
Com a palha, isso vai a 100 quilowatts/hora”,
afirma Hassuani.
Uma das primeiras tarefas do projeto foi, então, quantificar quanto de palha
o Brasil teria disponível para essa operação e quanto poderia ser levado para
as usinas para gerar energia. O trabalho ficou a cargo de Luiz Antônio Dias
Paes e seus colegas. “A quantidade de palha que a cana produz é muito
variável. Depende da idade que a plantação tem quando você faz o corte, da
região onde o canavial se encontra e da variedade da cana com que se
trabalha”, explica.
O trabalho mostrou que o país produz anualmente mais de 40 milhões de
toneladas de palha. Mas, como o resíduo tem a função de proteger o solo, Paes
acredita que apenas metade poderia ser usada para a geração de energia. “O
melhor a fazer aqui é encontrar o equilíbrio. A palha é importante para gerar
energia, mas é importante para o solo também. Então, nós acreditamos que o
melhor seria deixar metade da palha ali e a outra metade viria para as
indústrias”. Para isso, no entanto, é preciso que toda a produção de cana
siga o exemplo do Estado de São Paulo e elimine a queima dos resíduos.
Paes falou sobre o uso da palha na geração de energia por biomassa na
quarta-feira passada, durante o seminário Alternativas
Energéticas a partir da Cana-de-Açúcar, que discutiu os resultados do
projeto Geração de Energia Elétrica por Biomassa, Bagaço de Cana-de-Açúcar e
Resíduos e analisando as perspectivas do Brasil no setor.
(Fonte: Marília Juste / PrimaPagina)
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