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Para
quem acredita que educação ambiental só se faz nas aulas de ciências e artes,
José Mendonça da Silva, conhecido como Professor Bonança, da Escola Municipal
Professor Benjamin de Pádua, em Alta Floresta (MT), mostra que a matemática
pode estimular a conservação dos recursos naturais.
“Trabalhar álgebra é uma coisa complicada, ensinar fórmulas, essas coisas”
relata Prof. Bonança, “e o que a gente fez foi aproximar
esses conteúdos do cotidiano dos estudantes”. Com essa idéia, as aulas de
matemática serviram para calcular as áreas de preservação permanente das
nascentes, trabalho que exigiu, além de muita fórmula, estudos sobre o que
são nascentes, como é feita a recarga das águas
subterrâneas e a importância da preservação das matas ciliares.
E os estudantes gostaram da experiência. Durante a feira de ciências da
escola, na última sexta-feira, dia 12, o entusiasmo com a proposta era
evidente. “A gente nunca tinha trabalhado matemática e ciência, é uma
experiência nova”, relata Jéssica Aparecida de Carvalho Duarte, 13 anos, do
terceiro ciclo, acrescentando que, depois do conteúdo estudado, ficou com
vontade de conhecer uma nascente pessoalmente: “deve ser emocionante”.
Alinhavando o trabalho em toda a escola, a proposta interdisciplinar se
reflete no projeto demonstrativo do professor Rosinei Francisco de Lima. Ele
e um grupo de adolescentes montaram um sistema de tanques de recolhimento da
água do bebedouro, para mostrar à toda a escola o
volume do desperdício. A água é recolhida em um tanque, ligado por desnível a
outro, quando o segundo enche, transborda, mostrando que o nível de
desperdício está alto demais. “Em três meses, reduzimos a conta de água da
escola em R$ 300”, conta o Prof. Rosinei.
Parte da água é usada para regar o jardim comestível, conectando-se com outro
projeto da escola, no pátio interno localizado nos fundos da construção. Ali,
até 2000, era queimado o lixo da escola. Com a assinatura do Protocolo do
Fogo naquele ano, a escola aboliu o fogo e o espaço começou a ser recuperado.
Hoje abriga um lago artificial e canteiros com árvores frutíferas e diversas
plantas, todas cuidadas pelos professores e estudantes, baseados em
princípios da permacultura.
E as lições aprendidas estão chegando em casa. Que o diga Bruna Pinheiro, de
9 anos, da turma da professora Eliana Barreto. “Meu vô
planta mandioca e juntava todas as folhas e botava fora. Depois que aprendi a
usar o mulch, eu falei pra ele não jogar mais fora
e usar para proteger o solo”. Mulch é uma técnica
que usa material tal como palha, serragem e folhas espalhados na superfície
do solo, para protege-lo
dos impactos diretos das gotas de chuva e raios de sol.
Para o Prof. Bonança, o resultado é dos mais
promissores, tanto que está planejando utilizar o tema recursos hídricos para
trabalhar matemática financeira, com a última fase do ensino fundamental.
“Vamos tentar associar a vazão de uma nascente com o nível de consumo”,
adianta. A julgar pela conversa dos estudantes da escola, a matemática da
conservação está dando resultado. Exemplo disso é a reflexão de Larissa Ferreira de Sousa, 12 anos: “é importante
preservar as nascentes, senão diminui a água, a população aumenta... a gente
precisa de água para sobreviver”. (Gisele Neuls /
Estação Vida)
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