06/08/2005
A Educação Ambiental como instrumento de consolidação de uma sociedade sustentável

Enilda de Paula Avelar (*)


RESUMO

O sucesso da implantação da gestão ambiental dentro de um empreendimento tem como condição básica o comprometimento de todos os colaboradores, incluindo a alta direção. São necessárias mudanças de comportamento envolvendo uma compreensão maior da importância da preservação do meio ambiente e do compromisso individual com o desenvolvimento sustentável. A Educação Ambiental desempenha um papel fundamental nesse processo.

Nesse sentido, este artigo pretende abordar a importância da Educação Ambiental como instrumento de informação e sensibilização social sobre a complexa temática ambiental, estimulando o envolvimento em ações mais amplas, que promovam hábitos sustentáveis de uso dos recursos naturais, além de propiciar reflexões sobre as relações ser humano-ambiente, voltadas para o resgate e a criação de novos valores sintonizados com uma ética global.


PALAVRAS-CHAVE: Educação Ambiental, Ética, Desenvolvimento Sustentável, Recursos Naturais.


INTRODUÇÃO
As alterações ambientais globais são
provocadas por padrões de consumo insustentáveis, impostos por modelos de desenvolvimento distantes da capacidade de suporte de nosso planeta.

A capacidade de um ecossistema sustentar indefinidamente um número de criaturas sem sofrer degradação é chamada de capacidade de suporte. Ultrapassada esta capacidade, haverá um colapso do ecossistema. O crescimento populacional, os hábitos insustentáveis de consumo, o uso e ocupação desordenados do solo, os meios de produção e a forma segundo a qual o ser humano maneja os recursos naturais estão desenhando o processo de exaustão do ecossistema global.

Diante desse quadro, surgem necessidades prementes de atitudes concretas e eficientes. A educação ambiental tem papel preponderante na viabilização dessas atitudes, na medida em que dela depende a conscientização de que o homem é parte integrante do meio ambiente e que o seu futuro depende do tanto quanto cada um se envolver para preservá-lo ou, até mesmo, para recuperar parte dos recursos naturais que hoje se encontram degradados. Cabe também à Educação Ambiental, o resgate dos padrões éticos de comportamento, levando em consideração a cultura, as experiências e o respeito entre os seres humanos e os outros componentes do meio ambiente.

Diante de tanta responsabilidade, é necessário pensar programas de Educação Ambiental que levem em conta a realidade local, o perfil do grupo a ser trabalhado e que seja coerente com as diversas especificidades.

A maioria dos empreendimentos que desenvolvem uma gestão voltada para as questões ambientais ainda o faz em uma atitude reativa, ou seja, impulsionada por fiscalizações de órgãos públicos ou pressões de mercado. A concepção de que o crescimento econômico anda em paralelo com a proteção do meio ambiente ainda se encontra pouco assimilada pela grande massa econômica da maioria dos países. Ainda são pequenas as publicações de experiências de sucesso econômico e social associados ao desenvolvimento sustentável.

O estudo de caso apresentado visa abordar dados contemplados na publicação “Ecos de um Projeto de Educação Ambiental” (FREIRE, 2005), que se referem aos resultados de aplicabilidade deste projeto junto à Universidade Católica de Brasília – UCB, no período compreendido entre 1999 a 2004.


DISCUSSÃO
Diante da necessidade de adequar a sua prática à promoção do Desenvolvimento Sustentável, e conseqüentemente diminuir o seu passivo ambiental, foi realizado um diagnóstico que serviu de norte para o desenvolvimento de um trabalho de catalização de ações dentro da UCB que ajudassem a sensibilizar as pessoas, promovendo as mudanças de hábitos necessárias para o desenvolvimento de uma nova cultura de responsabilidade sócio-ambiental.

O diagnóstico ambiental da UCB destacou, principalmente, as seguintes não-conformidades ambientais:
* Disposição inadequada de resíduos sólidos;
* Poluição atmosférica (incinerações irregulares);
* Poluição sonora (sirenes e outras fontes estressantes);
* Desperdício de combustíveis, água e energia elétrica;
* Manejo inadequado da área verde (uso excessivo de venenos, eliminação da flora nativa, mutilações das árvores nativas, plantio de espécies inadequadas);
* Maus tratos à fauna silvestre (destruição de ninhos).

Para firmar a sua posição em relação à questão ambiental e assumir publicamente o seu compromisso, em maio de 2000 foi aprovada a Política Ambiental da UCB, cujo conteúdo assume compromisso principalmente com:
* Abrangência de todas as atividades de ensino, pesquisa e extensão;
* Comunicação e implementação em todos os níveis da organização e das partes interessadas;
* Inclusão da dimensão ambiental em todos os cursos;
* Redução de efluentes e resíduos;
* Eliminação do passivo ambiental;
* Aprimoramento contínuo / Prevenção da poluição;
* Comunicação com as partes interessadas;
* Cumprimento da legislação ambiental.

Os principais resultados obtidos com a implantação do Programa de Educação Ambiental da UCB foram os seguintes:
* A UCB foi a primeira Universidade privada do País a ter uma Política Ambiental definida;
* Promoção de 55 seminários internos de sensibilização, envolvendo cerca de 70% dos funcionários;
* Ocupação de 95% das vagas de voluntários (agentes ambientais) do Parque Nacional de Brasília, bem como um corpo de voluntários para atuação interna;
* Instituição da preciclagem – preferência a produtos ecologicamente corretos;
* 21 parcerias e interações intra e extra-institucionais;
* Racionalização de consumo de combustíveis fósseis obtendo 15% de economia e a redução da poluição atmosférica – economia de 9.144 litros de combustíveis, evitando a emissão de 24 toneladas de CO2;
* Reciclagem de 23.880 kg de papel, evitando o corte de 405 árvores e economizando 238 mil litros de água; 240 mil latinhas ou 3,12 toneladas de alumínio; 2.411 baterias de celular; 23,8 toneladas de plástico, metal e vidro;
* Produção de 24 toneladas/ano de adubo orgânico;
* Central de reuso: doação de 17 toneladas de produtos reutilizáveis;
* Redução de 15% do volume da água consumida;
* Redução de 20% do consumo de energia elétrica;
* Redução de seis agentes estressores da qualidade sonora (desligamento / substituição de sirenes, revestimento de pés de carteiras, reescalonamento de horários de atividades específicas, orientações para motoristas).

Culminando a apresentação desses indicadores ambientais, o balanço das despesas e receitas do Programa de Educação Ambiental da UCB gerou um superávit de US$ 242.631,00 a cada ano.


CONCLUSÃO
Ao observarmos os resultados obtidos no case apresentado, podemos concluir que o desenvolvimento de sociedades sustentáveis é viável. Demonstram também que práticas ambientalmente corretas associadas ao comprometimento e à cooperação, oferecem resultados mensuráveis e reais.

Cabe aos detentores de outras experiências, em áreas diversas, publicá-las para que possam servir de incentivo e fortalecimento da concepção de que é possível caminhar rumo à construção do Desenvolvimento Sustentável.

Conforme LOVINS, et al (2000) “Se nós não mudarmos de rumo, pode ser que cheguemos aonde estamos indo. Se quisermos chegar a outro lugar, precisamos nos orientar pelas estrelas. Talvez o primeiro passo nessa direção seja descrever o tipo de destino que queremos alcançar.”


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1-FREIRE, G. D. Ecos de um Projeto de Educação Ambiental. Universidade Católica de Brasília. Brasília, 2005. 84 p.
2-FREIRE, G. D. Educação Ambiental - princípios e práticas. 7. Ed. São Paulo: Gaia, 2001. 551 p.
3-LOVINS, Amory et al. Capitalismo Natural. Criando a próxima revolução industrial. 1. Ed. São Paulo: Cultrix, 2000. 358 p.


* Enilda de Paula Avelar, técnica em Meio Ambiente pelo Colégio Pio XII, educadora ambiental pelo Centro Universitário UNI/BH e pós-graduada em Engenharia Ambiental Integrada pelo Instituto de Educação Tecnológica – IETEC.
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