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Danielle Jordan / Ambiente Brasil
A grande maioria das escolas brasileiras está fazendo sua parte quando se
trata de formar cidadãos dotados de consciência ecológica. Segundo Marcos Sorrentino, diretor de Educação Ambiental do Ministério
do Meio Ambiente, 80 % das escolas brasileiras – entre públicas e
particulares – possuem projetos voltados à ecologia.
Ele explica que o MMA, em parceria com o MEC, está fazendo uma avaliação do
que vem sendo realizado, a fim de estabelecer novas políticas
públicas para promover melhorias. “Muito está sendo feito, mas uma boa parte
se limita a ações pontuais e descontinuadas”, diz. Para ele, mais importante
do que falar sobre o problema é levantar o debate, e dessa forma, estimular o
questionamento.
“O aprendizado é algo que se constrói com interação”, afirma Marcos, dando o
exemplo da água, em que não basta dizer para a criança que se trata de um
recurso finito e que deve ser preservado. É preciso fazer com que entendam a
importância e tenham uma postura de reverência a esse bem tão importante à
vida. A partir dessa compreensão, o educador deve elaborar estratégias, de
acordo com a faixa etária, para desenvolver ações práticas.
O exemplo também é um excelente mecanismo de aprendizado. É assim na Escola
Adventista Embu das Artes, em São Paulo, que está criando uma estação própria
para o tratamento de esgoto. Galerias captam a água das chuvas, reaproveitada
na irrigação e nos vasos sanitários. A água utilizada nos lavatórios e
chuveiros é reaproveitada também na irrigação. Além dos
indiscutíveis benefícios ecológicos, a reutilização pode significar uma
economia considerável no consumo. Adolfo dos Reis Filho, engenheiro
responsável pela obra, explica que o projeto ainda está em implantação na
escola e que o objetivo principal é a conscientização.
Silvana Francisca dos Santos, coordenadora pedagógica da escola, explica que
os alunos não vêem o procedimento na prática, mas sabem da sua existência.
“Eles percebem a importância de preservar o nosso planeta”, diz. As árvores
estão presentes em todos os lugares e uma mini fazenda estimula o contato e o
respeito com a natureza.
A Escola Umbrella, em Curitiba, também possui
diversos programas voltados para a conscientização
infantil, que vão desde o plantio de sementes de árvores, até a coleta
seletiva de lixo. O projeto “Patrulha da água” há seis anos alerta as
crianças sobre a importância da água e de seu consumo sem desperdícios. Os
pais sentem o reflexo dessa informação, sendo até vítimas de “broncas” quando
os filhos percebem não estão agindo corretamente. Torneiras abertas são o alvo principal das reclamações. O projeto ainda
envolve atividades como “rodas de conversa”, para entender a importância da
água na vida das pessoas, até a patrulha propriamente dita, explica a
coordenadora Anna Carolina Ribeiro. Nesta etapa, as crianças preparam
cartazes e espalham em pontos estratégicos, como os banheiros. Este ano, a
escola elegeu o tema Meio Ambiente para sua Feira de Ciências, realizada no
mês passado. Num dos stands foi montada uma mini estação de tratamento, com
auxílio da Sanepar, para mostrar o ciclo da água.
O contato com a natureza e a consciência de sua importância costuma
estabelecer novas ações que resultam em melhor qualidade de
vida. A alimentação saudável ganha mais espaço. Na escola Umbrella, o projeto Lanche Saudável atua paralelamente à
conscientização ambiental. No lanche oferecido sempre estão presentes frutas
e sucos naturais. A cantina também vende somente alimentos saudáveis. Essa
preocupação é anterior à lei estadual que proíbe a comercialização de
produtos industrializados em escolas. Outros estados já possuem legislação
específica para que os estabelecimentos públicos qualifiquem sua merenda,
integrando a seus componentes produtos naturais.
Ainda no Paraná, o Governo do Estado acaba de implantar a
Merenda Escolar Orgânica, comprando de produtores certificados alimentos
livres de agrotóxicos para os alunos da rede pública estadual.
Conscientização para multiplicadores
Se a Educação Ambiental é importante para os alunos, seus reflexos são ainda
mais visíveis quando novas consciências são formadas no âmbito dos
professores, que atuam como multiplicadores dos ensinamentos obtidos.
Em Sergipe, a pedagoga Denise Rocha e professora de Educação Física Thaís Mansur uniram-se na execução do projeto “Papeando sobre a
Vida”. O objetivo é levar os participantes a desenvolver três níveis de
conhecimentos – sobre si, sobre o outro e sobre a natureza.
Atuando nas redes privada e pública, o projeto busca criar o sentimento de
pertença, ou seja, o entendimento de que cada ser humano tem, na Terra, a sua
casa. A metodologia inclui sensibilizações, vivências e passeios por trilhas,
em contato direto com belezas naturais. “É visível como as pessoas passam a
ter uma maior consciência ambiental”, atesta Denise Rocha. “Os professores
ficam emocionados e saem com o maior ânimo para continuar os trabalhos em
sala de aula”.
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