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O ISA
- Instituto Socioambiental e Fórum Brasileiro de ONGs produziram um estudo para demonstrar
a relação entre a expansão da área cultivada de soja e o desmatamento de
florestas "virgens", principalmente na região do médio e norte do
Mato Grosso. A pesquisa foi elaborada depois de uma reunião com o ministro da
Agricultura, Roberto Rodrigues, que, na época, pedia a comprovação desta tese
dos ambientalistas.
O trabalho se baseia numa coleta de dados sobre os 65 maiores desmatamentos
de 2003 no Mato Grosso. Todos eles acima de 1.300 hectares. A partir desses
focos, o grupo organizou sobrevôos para fotografar e filmar 21 dos principais
pontos desmatados. "Identificamos que desmatamentos de 2002, 2003 e até
de 2004 já estão plantados com soja, o que mostra uma relação direta entre a
soja e a motivação do desmatamento", diz André Lima, advogado do ISA e
um dos autores do estudo.
A área mato-grossense estudada abrange mais de 25 municípios do médio e norte
do estado, incluindo, por exemplo, Sinope e
Sorriso. Segundo o estudo, a soja também tem uma relação indireta com o
desmatamento, ao substituir áreas que antes estavam com a pecuária. Com isso,
a soja passa a "empurrar" a criação de gado para as fronteiras
agrícolas, aumentando ainda mais a devastação de "áreas virgens".
Nesta semana, o Ipea - Instituto de Pesquisas
Econômicas Aplicadas divulgou um documento sobre o crescimento da agricultura
e a explosão das áreas cultivadas pela soja no país. Na pesquisa, o Ipea não vincula o desmatamento ao crescimento da soja.
"O nosso trabalho não se trata de um contraponto às hipóteses levantadas
pelo Ipea, mas visa abrir uma agenda de discussões
e trabalho com o Ministério da Agricultura para desenhar estratégias de
ordenação e orientação da consolidação e expansão da fronteira agrícola,
principalmente na Amazônia", diz o advogado do ISA.
Estudo do Ipea O estudo do Ipea mostra que o crescimento da área plantada de soja
teve uma explosão nos últimos três anos agrícolas (2001/2002, 2002/2003 e
2003/2004), com expansão média anual de 13,8%, mas não chegou a
"invadir" a Amazônia. Esse percentual significa dizer que essa
expansão foi quatro vezes superior à média de 3,6% registrada nos 10 anos
anteriores.
O estudo sugere que esse aumento da área plantada de soja se baseia na
conversão de "pastagens degradadas" e não de áreas
"virgens", ou seja, de "fronteira propriamente dita (no
cerrado ou na Amazônia)". A conclusão do documento também sugere que as
áreas virgens de cerrado ou da floresta amazônica disponíveis não possuem a
infra-estrutura necessária para uma atividade como a soja. "O mesmo problema
não ocorre com regiões ocupadas com a pecuária, já que essas últimas tendem a
ser muito mais bem situadas do ponto de vista
logístico".
Na visão de Gervásio de Rezende, um dos autores do
documento, uma expansão tão rápida e tão volumosa nunca poderia ter sido
feita através de abertura de áreas novas seja de cerrado seja de floresta
amazônica. "Abrir o cerrado e a floresta amazônica leva tempo. Nunca
poderia ter havido aumento de produção de soja através desses mecanismos.
Isso é fisicamente impossível", argumenta. A visão do estudo do Ipea é questionada por ambientalistas.
Nos últimos cinco anos, conforme o Ipea,
"rompendo um padrão de crescimento agrícola em que a área plantada
permaneceu praticamente constante durante toda a década dos 1990", o
crescimento agrícola no Brasil experimentou forte expansão da área total
plantada. Isso pode ser notado especialmente no caso da soja, que registrou
um aumento na taxa média anual de 3,6% no período de 1990-1991 a 2000-2001
para nada menos do que 13,8% entre 2000-2001 e 2003-2004.
Em comparação com "outros grãos" (menos a soja), mostra o estudo, a
taxa de crescimento média anual da área total plantada também mudou seu
comportamento, passando de –3,5% para –0,7% na comparação dos dois períodos.
Entretanto, lembra o Ipea, o agregado da área total
plantada com todas as lavouras (menos soja) praticamente não mudou seu
comportamento no período.
Enquanto no período de 1990-1991 a 2000-2001, a área plantada de soja cresceu
apenas nas regiões Centro-Oeste e Norte/Nordeste,
no período recente, a área plantada com soja passou a crescer em todas as
regiões do Brasil. Principalmente por causa do ambiente internacional
favorável para os preços do produto.
Mesmo com os preços de mercado em baixa e os custos de produção mais elevados,
a cultura da soja deverá crescer 6% na área plantada em 2005, totalizando
22,758 milhões de hectares. Com isto a produção esperada deverá atingir
63,243 milhões de toneladas - um crescimento de 29% em relação à produção da
soja na safra de 2004. Os dados, divulgados pelo IBGE - Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística, dizem respeito ao segundo prognóstico para a
próxima safra. (Agência Brasil)
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