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Preso
desde o final da semana passada numa cela da PF - Polícia Federal de
Santarém, Pará, o fazendeiro José Dias Pereira, acusado e multado em R$ 20
milhões pelo Ibama por derrubar e queimar dois milhões de árvores na Terra do
Meio, em Altamira, afirma que fez a mesma coisa que muitos madeireiros e
fazendeiros também fazem na Amazônia: "desmatei para criar gado e poder
sustentar minha família".
Interrogado, ele disse que para derrubar 6,8 mil hectares usou motosserras, tratores e cem homens durante cinco meses.
Ao contar com detalhes o crime ambiental que praticou e pelo qual poderá ser
condenado de três meses a três anos de prisão, além do pagamento de multa,
Dias Pereira, de 58 anos, expôs a incapacidade do Ibama em fiscalizar uma das
regiões mais extensas e cobiçadas da Amazônia.
Os fiscais do órgão admitem enfrentar grandes dificuldades para fazer seu
trabalho. São mal remunerados, muitas vezes tiram dinheiro do próprio bolso
para pagar as diárias de suas operações e nem sempre podem contar com a ajuda
de helicópteros, carros e lanchas para flagrar os criminosos. No Pará,
existem apenas 172 fiscais para cobrir 1, 2 milhão de quilômetros quadrados.
Dias Pereira é reincidente na prática da devastação: ano passado, após
desmatar e queimar dois mil hectares, recebeu do Ibama multa de R$ 3 milhões.
Ou seja, em menos de uma ano foi responsável pela destruição
completa de uma área do tamanho de dez mil campos de futebol. Como seu crime
é afiançável, depois de prestar depoimento à Justiça Federal ele deverá ser
solto. (Carlos Mendes/ Estadão Online)
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