23/08/2005
EXCLUSIVO – Workshop promove apresentação integrada de projetos visando fixação de carbono

Mônica Pinto / AmbienteBrasil

Nestas segunda e terça-feiras, especialistas reuniram-se no Rio de Janeiro no 1° Workshop Petrobras de Projetos de P&D de Fixação de Carbono em Biomassa. O evento contempla os objetivos do Programa Tecnológico de Meio Ambiente – Proamb - da empresa, criado em 1993.

A Petrobras investiu, desde 2001, R$ 20,5 milhões em 26 projetos de sequestro de carbono, através de seu Centro de Pesquisas e em parceria com Universidades Brasileiras. O Workshop reuniu os projetos em sua fase final, para uma apresentação integrada. Dois deles - um da Universidade de São Paulo (USP); o outro, da Federal do Paraná (UFPR), em parceria com a ONG Instituto Ecoplan - se debruçam sobre sequestro de carbono em florestas e tiveram um aprofundamento metodológico mais consistente. “A meta agora é unificar as propostas de ambos”, explica o professor Carlos Sanquetta, da UFPR, antecipando que, em seguida, será feito o encaminhamento do projeto finalizado conjuntamente ao Comitê Executivo de MDL da ONU. No evento, Sanquetta discorreu sobre “Níveis dinâmicos e estabilidade biológica nas taxas de crescimento de florestas plantadas no sul do Brasil e seu potencial na geração de créditos de carbono”. “Nossa expectativa é que tenhamos projetos brasileiros aprovados na área florestal”, diz ele.

Em sua primeira fase, até o final de 1999, o enfoque estratégico do Programa Tecnológico de Meio Ambiente da Petrobras estava voltado para o controle de emissões, remediação de áreas impactadas e tratamento de resíduos.  Nos anos seguintes, de 2000 até 2003, os trabalhos estiveram focados nas metas do Programa de Excelência na Gestão Ambiental e Segurança Operacional da Petrobras - Pegaso- , com ênfase no desenvolvimento de tecnologias para previsão, detecção e controle de emergências ambientais, monitoramento ambiental costeiro e oceânico, tratamento de resíduos e áreas impactadas, visando a eliminação do passivo existente.

No ano passado, o Proamb passou a ter como prioridade a prevenção, alicerçada em princípios de sustentabilidade e de eco-eficiência nos processos. Dentre os nove projetos sistêmicos atualmente em curso, com previsão de atividades até 2008, dois deles são diretamente relacionados à melhoria da qualidade do ar. O primeiro projeto - Redução da geração e minimização de impactos de emissões atmosféricas -, inclui tratamentos de fim de tubo, tecnologias de avaliação e prevenção de impactos. Seu objetivo oficial é “disponibilizar tecnologias para a avaliação dos impactos atmosféricos de produtos e processos da Petrobras e para a minimização da emissão de gases formadores do efeito estufa, contribuindo para a redução das emissões das diferentes áreas de negócio.

O segundo projeto - Tecnologias e mecanismos para a redução da concentração de carbono na atmosfera - inclui seqüestro, captura e armazenamento de carbono, mecanismos de desenvolvimento limpo - MDL -, metodologias para crédito de carbono e metodologias para avaliação de contribuição para a sustentabilidade. Este visa “disponibilizar rotas tecnológicas para seqüestro de carbono na Petrobras considerando o ciclo de vida, a sustentabilidade e o potencial como créditos no mercado de carbono, bem como a inserção da Companhia no mercado de carbono”.

A Petrobras é membro do Carbon Sequestration Leadership Forum, criado em 2003 visando a cooperação internacional em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias relacionadas à separação e captura de CO2 diretamente de fontes emissoras e a seu armazenamento em estruturas geológicas ou mesmo no fundo dos oceanos.

Algumas das mais importantes iniciativas da Petrobras para a gestão do risco carbono, retiradas do portal da empresa na internet, estão descritas a seguir:


* Aumento do suprimento de gás natural para o mercado. O Plano Estratégico 2015 prevê um crescimento médio de 14,2% ao ano do mercado de gás natural no Brasil, no período 2003–2010. O gás natural já constitui o principal energético utilizado nos processos produtivos da Companhia;

* Redução da queima de gás associado ao petróleo produzido (gas flaring). Registrou-se uma redução da ordem de 13,6% de 2003 para 2004, com a queima passando de 4,4 milhões de m3/dia em 2003 para 3,8 milhões de m3/dia no ano seguinte;

* Implementação desde 2001 de esforços de pesquisa e desenvolvimento relacionados à mudança climática. Foram realizados os seguintes investimentos em energias menos agressivas ao meio ambiente: R$ 40,4 milhões em 43 projetos de energia renovável; US$ 6,6 milhões em 29 projetos na área de hidrogênio; R$ 55,3 milhões em 47 projetos na área de gás natural; R$ 19,3 milhões investidos em oito projetos de eficiência energética;

* Investimento de aproximadamente R$ 4,92 milhões, desde 2003, em 13 projetos de seqüestro de carbono por fixação de carbono na biomassa, através do CENPES (Centro de Pesquisas) em parceria com Universidades brasileiras;

* Participação, através do CENPES, de um projeto multicliente de captura de CO2, desenvolvido pela Universidade de Regina no Canadá e em um outro grande projeto multicliente, no mesmo tema, liderado pela British Petroleum e com a participação das principais empresas de petróleo e energia, desenvolvido por várias instituições internacionais. Essas duas participações envolvem investimentos de US$ 2,10 milhões;

* O CENPES está negociando a participação em outro projeto multicliente liderado pelo Institut Français du Pétrole (IFP) sobre armazenamento de CO2 com investimento da ordem de US$ 450 mil e de um projeto bilateral, também com o IFP, para o estudo de armazenamento de CO2 em reservatórios no Recôncavo Baiano.


A Petrobras concluirá ainda, até o segundo semestre de 2006, o projeto do ônibus movido a hidrogênio, com capacidade para 109 passageiros. O projeto, de R$ 3 milhões, está sendo desenvolvido com a UFRJ, o Instituto de Tecnologia do Paraná, a Caio-Induscar e a Eletra, com recursos da Petrobras e do Ministério da Ciência e Tecnologia. O combustível será produzido pela Petrobras. Há vários outros projetos de pesquisa e desenvolvimento na área de hidrogênio em andamento: projetos de células a combustível, produção de hidrogênio a partir de etanol e o projeto do primeiro posto de abastecimento com hidrogênio da América Latina.

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