17/09/2005
Brasil será o primeiro da América Latina a ter pregão de créditos de carbono

A BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros), a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro e o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio lançaram ontem (15) o Banco de Projetos do Mercado Brasileiro de Redução de Emissões. O lançamento representa o primeiro passo para a implantação do pregão de créditos de carbono, que deverá ser o primeiro da América Latina.


A Bolsa vai elaborar até o fim do ano um regulamento de operações que será submetido à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para que seja implantado o pregão. A cotação média da redução de emissão de carbono por tonelada é de US$ 5.


O Protocolo de Kyoto estipula que os países industrializados signatários deverão reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. Países em desenvolvimento não têm compromissos de redução ou de limitação de suas emissões por terem prioridade no atendimento às necessidades sociais e de desenvolvimento econômico.


Segundo o secretário do Desenvolvimento da Produção, Antonio Sérgio Martins Mello, o novo banco de projetos vai permitir que empresas e instituições invistam em potenciais Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), que são mecanismos que possibilitam aos países desenvolvidos cumprir suas metas para reduzir emissão de gases por meio do financiamento de projetos em países em desenvolvimento.


O Brasil tem hoje 74 projetos em processo de validação na Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima. Isso coloca o Brasil em primeiro lugar no ranking de países hospedeiros de projetos MDL à frente da Índia, que tem 54 projetos em validação. Não existem metas oficiais de aumento da participação brasileira em projetos MDL, mas estudo do Núcleo de Assuntos Estratégicos indica que a demanda por créditos de emissões em 2012 será de US$ 30 bilhões por ano e a participação brasileira pode alcançar 10% desse total.


Segundo o chefe de departamento de Projetos Especiais da BM&F, Guilherme Fagundes, só serão negociados créditos gerados por projetos que já foram registrados na Bolsa e que estejam em linha com o protocolo de Kyoto. Na prática, a Bolsa se tornará o primeiro órgão a fazer uma análise formal do projeto. Para garantir a análise, a Bolsa já fechou parceria com entidades de pesquisa. Os projetos precisam estar estruturados e serão analisados por entidade certificadora específica reconhecida pela ONU (Organização das Nações Unidas), por uma comissão interministerial e pela própria ONU.


Até agora, o banco conta com um projeto validado, o de captação e queima do biogás produzido no Aterro Sanitário Anaconda, que tem previsão de redução de emissões de 840 mil toneladas de gás carbônico em sete anos. Existem ainda oito inscritos como intenção de projeto.


"A colocação do banco não substitui, mas antecipa a possibilidade de venda e dá mais visibilidade ao projeto. É um sistema de registros fomentador de negócios no mercado de carbono", afirmou Fagundes.


O valor dos negócios dependerá não só da oferta quanto do enquadramento às regras do protocolo de Kyoto. "É um mercado que vai se desenvolver no curto e médio prazo. Depende do grau de desenvolvimento do projeto, quanto mais avançado, menor o risco dele não atender as regras", disse. (Janaina Lage / Folha online)

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