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Danielle Jordan / AmbienteBrasil
Recentemente o caso dos búfalos abandonados na Reserva do Vale do Guaporé em
Rondônia teve destaque da imprensa, mostrando o impacto ambiental resultante
da proliferação dos animais. Os búfalos foram introduzidos na região, com
incentivo do governo, na década de 50, e devido ao abandono e rápida
propagação, invadiram outras áreas buscando sua sobrevivência. Acabaram
deslocando-se para a Reserva.
Otávio Bernardes, presidente da Associação Brasileira de Criadores de
Búfalos, diz que a imagem selvagem relacionada ao animal na reportagem do
Fantástico é errônea, já que ele tende sempre à docilidade. “Na Índia, as
mulheres são responsáveis pela criação”, coloca, defendendo ainda que a
produção responsável não representa grandes problemas. “O impacto é
proporcional ao manejo”.
Ele concorda que os búfalos estão causando sérios transtornos na região da
Reserva de Guaporé, como a erosão do solo, a formação de córregos e a
destruição de árvores, que são usadas por eles para se coçar. Mas, os animais
não podem ser vistos como os culpados. “Por terem sido abandonados, tornaram-se
selvagens”, diz, reforçando o caráter atípico dessa condição.
Segundo Otávio, a associação não foi consultada em momento algum quanto ao
problema dos búfalos em Rondônia. Ele informa ainda que apresentou propostas
para que os animais fossem domesticados e encaminhados para criação em
pequenas propriedades, mas não teve resposta.
“É absurdo, estamos para votar um referendo para acabar com as armas e vão
acabar assim com os búfalos?”, protesta, questionando a alternativa da caça
amadora como instrumento de controle da população de animais, hipótese
aventada pelo governador daquele estado, Ivo Cassol.
Segundo ele, o "vilão" foi quem abandonou os animais. “Faz uma CPI
para descobrir”, brinca. Otávio é proprietário de um rebanho com cerca de 150
cabeças no Sítio Paineiras do Ingá, em Sarapuí,
Estado de São Paulo. Ele diz que, desde 1973, quando iniciou a atividade,
nunca teve problemas com a criação.
O presidente da Associação de Criadores faz críticas à postura da ONG
paranaense SPVS - Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental
-, que adquiriu algumas áreas na região de Guaraqueçaba
para uso em projetos de conservação e créditos de carbono, e está
encaminhando os animais que eram criados nelas para abate.
Eros Amaral Ferreira, coordenador de manejo da ONG nas reservas Serra Natural
Itaqui, em Guaraqueçaba,
e Cachoeira e Morro da Mina, em Morretes, confirma
a informação. “Eram mais de mil, hoje são aproximadamente 100 unidades que
devem ser abatidas até maio de 2006”. Ele diz ainda que alguns animais foram
permutados com criadores que continuam desenvolvendo a bubalinocultura
na região. Mas justifica a medida informando que os búfalos já tinham
anteriormente como destino o matadouro e que a SPVS está
obedecendo as normas para o abate correto.
Segundo Eros, não existem garantias de que os compradores não irão desmatar a
área, também. “A nossa missão institucional é a preservação, a presença dos
animais é incompatível com o local”, explica, relacionando-a à fragilidade do terreno da região. “Existem áreas mais
adequadas do que o litoral do Paraná”, conclui.
José Adriano Pinto é proprietário de uma fazenda na região, mas, com apenas
15 cabeças de búfalos, não se considera criador. Ele confirma que o impacto
ambiental realmente existe. “É um animal muito pesado, a erosão causada pelo
pisoteio do solo altera a permeabilidade do terreno”, diz. Mas ele é mais um
a atestar que a criação, se corretamente manejada, não representa problemas.
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