07/09/2005
EXCLUSIVO: Criação de búfalos pode causar danos ambientais, se manejada incorretamente

Danielle Jordan / AmbienteBrasil


Recentemente o caso dos búfalos abandonados na Reserva do Vale do Guaporé em Rondônia teve destaque da imprensa, mostrando o impacto ambiental resultante da proliferação dos animais. Os búfalos foram introduzidos na região, com incentivo do governo, na década de 50, e devido ao abandono e rápida propagação, invadiram outras áreas buscando sua sobrevivência. Acabaram deslocando-se para a Reserva.

Otávio Bernardes, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos, diz que a imagem selvagem relacionada ao animal na reportagem do Fantástico é errônea, já que ele tende sempre à docilidade. “Na Índia, as mulheres são responsáveis pela criação”, coloca, defendendo ainda que a produção responsável não representa grandes problemas. “O impacto é proporcional ao manejo”.

Ele concorda que os búfalos estão causando sérios transtornos na região da Reserva de Guaporé, como a erosão do solo, a formação de córregos e a destruição de árvores, que são usadas por eles para se coçar. Mas, os animais não podem ser vistos como os culpados. “Por terem sido abandonados, tornaram-se selvagens”, diz, reforçando o caráter atípico dessa condição.


Segundo Otávio, a associação não foi consultada em momento algum quanto ao problema dos búfalos em Rondônia. Ele informa ainda que apresentou propostas para que os animais fossem domesticados e encaminhados para criação em pequenas propriedades, mas não teve resposta.


“É absurdo, estamos para votar um referendo para acabar com as armas e vão acabar assim com os búfalos?”, protesta, questionando a alternativa da caça amadora como instrumento de controle da população de animais, hipótese aventada pelo governador daquele estado, Ivo Cassol.


Segundo ele, o "vilão" foi quem abandonou os animais. “Faz uma CPI para descobrir”, brinca. Otávio é proprietário de um rebanho com cerca de 150 cabeças no Sítio Paineiras do Ingá, em Sarapuí, Estado de São Paulo. Ele diz que, desde 1973, quando iniciou a atividade, nunca teve problemas com a criação.  


O presidente da Associação de Criadores faz críticas à postura da ONG paranaense SPVS - Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental -, que adquiriu algumas áreas na região de Guaraqueçaba para uso em projetos de conservação e créditos de carbono, e está encaminhando os animais que eram criados nelas para abate.


Eros Amaral Ferreira, coordenador de manejo da ONG nas reservas Serra Natural Itaqui, em Guaraqueçaba, e Cachoeira e Morro da Mina, em Morretes, confirma a informação. “Eram mais de mil, hoje são aproximadamente 100 unidades que devem ser abatidas até maio de 2006”. Ele diz ainda que alguns animais foram permutados com criadores que continuam desenvolvendo a bubalinocultura na região. Mas justifica a medida informando que os búfalos já tinham anteriormente como destino o matadouro e que a SPVS está obedecendo as normas para o abate correto.

Segundo Eros, não existem garantias de que os compradores não irão desmatar a área, também. “A nossa missão institucional é a preservação, a presença dos animais é incompatível com o local”, explica, relacionando-a à fragilidade do terreno da região. “Existem áreas mais adequadas do que o litoral do Paraná”, conclui.


José Adriano Pinto é proprietário de uma fazenda na região, mas, com apenas 15 cabeças de búfalos, não se considera criador. Ele confirma que o impacto ambiental realmente existe. “É um animal muito pesado, a erosão causada pelo pisoteio do solo altera a permeabilidade do terreno”, diz. Mas ele é mais um a atestar que a criação, se corretamente manejada, não representa problemas.




 

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