09/08/2005
Diagnóstico do Manejo da Arborização no Município do Recife (PE)

Maria de Fátima (*)


A ausência de um planejamento adequado para arborização urbana nas grandes cidades tem provocado um confronto constante entre as árvores inadequadas com os equipamentos urbanos e as redes de serviço (calçamentos, encanamentos, rede elétrica e telefonia), que são realizados posteriormente, na maioria das vezes, após a planta já estar desenvolvida no local. Estes problemas provocam um manejo inadequado e prejudicial às árvores. É comum as árvores podadas drasticamente terem como conseqüência grandes problemas Fitossanitários, levando-as, assim, ao tombamento, mutilação ou erradicação precoce.

Salienta-se que devido ao grande número de eliminação de árvores provocado pelo processo de expansão demográfica, os espaços estão se tornando cada vez mais restritos e há maior ocorrência de conflitos entre os subsistemas, acarretando aumento dos custos na manutenção de equipamentos e da arborização viária.

O objetivo deste trabalho foi diagnosticar a arborização no município do Recife, região Nordeste do Brasil, através do monitoramento e acompanhamento dos serviços executados pelo Departamento de Praças, Parques e Áreas Verdes, durante o período de janeiro de 2001 a outubro de 2004. O processo de solicitação dos serviços de plantio, poda e erradicação pelos munícipes, são realizados através do sistema de telefonia, gerando automaticamente um processo contendo nome do solicitante, endereço e qualificando o serviço. Os documentos são encaminhados às equipes responsáveis pela vistoria, plantio e fiscalização de forma que o técnico após visita técnica ao local emita o parecer para que o serviço seja executado.

Para elaboração da pesquisa foi realizado um cadastro contendo as espécies plantadas em áreas centrais, avenidas de grande fluxo e bairros mais afastados do centro. No total foram monitoradas 1000 mudas em localidades diferenciadas.

Como resultado, verificou-se que as espécies mais plantadas nos anos de 2001 e 2002, em Recife, foram: Nerium oleander L (espirradeira), Hibiscus rosa sinensis (papoula), Thevethia neriifolia Juss (Chapéu de Napoleão), Bauhinia monandra Kurz (mororó), Senna Siamea Lam, Tecoma Stans Juss (Paudarquinho), Felicium decipiens Thw (felício), predominando as espécies de pequeno porte. Em 2003 e 2004 foram Algodão de Praia Hibiscus tiliaceous L., Ipê roxo, Tabebuia heptaphylla (Vell.) Toledo, Filicius decipiens Thw.

Outra constatação foi que as árvores são produzidas em recipientes incompatíveis com o desenvolvimento das espécies. Essas mudas, quando vão para o plantio, já se encontram com o sistema radicular bastante desenvolvido, muitas vezes formado em novelos. Isso prejudica a sua fixação no solo, desenvolvendo-se superficialmente.

Em Recife, este problema é verificado quando o período de plantio é ultrapassado. As árvores têm uma especificidade diferenciada com relação ao desenvolvimento de suas raízes, devido ao fato de o lençól freático ser localizado próximo à superfície, estas se desenvolvem na zona de topo, sem aprofundamento suficiente, acarretando tombamentos constantes, principalmente em épocas chuvosas.

Concluindo a prática de erradicação, que se tornou tão constante no Recife, é devido a diversos fatores, cuidadosamente analisados, como manejo e como crime ambiental à arborização. Dentre os principais destacam-se: árvores causando danos às calçadas e muros; árvores inclinadas devido à falta de tutoramento, poda de formação e condução; árvores com doenças; árvores mortas; fatores climáticos e abertura de portões. O estudo demonstrou ainda a necessidade de planejamento no plantio, manutenção das espécies e ações integradas, de modo a reduzir a necessidade de erradicação de árvore nas vias públicas


Os dados encontrados foram:
(período de 2001 – out. 2004), Erradicação de árvores - 4.520, Árvores caídas – 707, Plantio realizado – 43.660. Da amostra realizada nas 1000 árvores plantadas, 30% não atingiram 6 meses no estágio vegetativo, foram eliminadas por vandalismo, 25 % morreram, algumas demonstraram deficiência hídrica, nutricional e por falta de manutenção e o restante permanecem no local de plantio, sendo monitoradas.


* Engenheira Agrônoma, mestre em Gestão e Políticas Ambientais – Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana – EMLURB – Prefeitura da Cidade do Recife

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