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Maria
de Fátima (*)
A ausência de um planejamento adequado para arborização urbana nas grandes
cidades tem provocado um confronto constante entre as árvores inadequadas com
os equipamentos urbanos e as redes de serviço (calçamentos, encanamentos,
rede elétrica e telefonia), que são realizados posteriormente, na maioria das
vezes, após a planta já estar desenvolvida no local. Estes problemas provocam
um manejo inadequado e prejudicial às árvores. É comum as
árvores podadas drasticamente terem como conseqüência grandes
problemas Fitossanitários, levando-as, assim, ao
tombamento, mutilação ou erradicação precoce.
Salienta-se que devido ao grande número de eliminação de árvores provocado
pelo processo de expansão demográfica, os espaços estão se tornando cada vez
mais restritos e há maior ocorrência de conflitos entre os subsistemas,
acarretando aumento dos custos na manutenção de equipamentos e da arborização
viária.
O objetivo deste trabalho foi diagnosticar a arborização no município do
Recife, região Nordeste do Brasil, através do monitoramento e acompanhamento
dos serviços executados pelo Departamento de Praças, Parques e Áreas Verdes,
durante o período de janeiro de 2001 a outubro de 2004. O processo de
solicitação dos serviços de plantio, poda e erradicação pelos munícipes, são
realizados através do sistema de telefonia, gerando automaticamente um
processo contendo nome do solicitante, endereço e qualificando o serviço. Os
documentos são encaminhados às equipes responsáveis pela vistoria, plantio e
fiscalização de forma que o técnico após visita técnica ao local emita o
parecer para que o serviço seja executado.
Para elaboração da pesquisa foi realizado um cadastro contendo as espécies
plantadas em áreas centrais, avenidas de grande fluxo e bairros mais
afastados do centro. No total foram monitoradas 1000 mudas em localidades
diferenciadas.
Como resultado, verificou-se que as espécies mais plantadas nos anos de 2001
e 2002, em Recife, foram: Nerium oleander L (espirradeira), Hibiscus
rosa sinensis (papoula), Thevethia
neriifolia Juss
(Chapéu de Napoleão), Bauhinia monandra Kurz (mororó), Senna Siamea Lam, Tecoma
Stans Juss (Paudarquinho), Felicium
decipiens Thw (felício), predominando as espécies de pequeno porte. Em
2003 e 2004 foram Algodão de Praia Hibiscus
tiliaceous L., Ipê roxo, Tabebuia
heptaphylla (Vell.)
Toledo, Filicius decipiens
Thw.
Outra constatação foi que as árvores são produzidas em recipientes
incompatíveis com o desenvolvimento das espécies. Essas mudas, quando vão
para o plantio, já se encontram com o sistema radicular bastante
desenvolvido, muitas vezes formado em novelos. Isso prejudica a sua fixação
no solo, desenvolvendo-se superficialmente.
Em Recife, este problema é verificado quando o período de plantio é
ultrapassado. As árvores têm uma especificidade diferenciada com relação ao
desenvolvimento de suas raízes, devido ao fato de o lençól
freático ser localizado próximo à superfície, estas
se desenvolvem na zona de topo, sem aprofundamento suficiente, acarretando
tombamentos constantes, principalmente em épocas chuvosas.
Concluindo a prática de erradicação, que se tornou tão constante no Recife, é devido a diversos fatores, cuidadosamente analisados,
como manejo e como crime ambiental à arborização. Dentre os principais
destacam-se: árvores causando danos às calçadas e muros; árvores inclinadas
devido à falta de tutoramento, poda de formação e
condução; árvores com doenças; árvores mortas; fatores climáticos e abertura
de portões. O estudo demonstrou ainda a necessidade de planejamento no
plantio, manutenção das espécies e ações integradas, de modo a reduzir a
necessidade de erradicação de árvore nas vias públicas
Os dados encontrados foram:
(período de 2001 – out. 2004), Erradicação de árvores - 4.520, Árvores caídas
– 707, Plantio realizado – 43.660. Da amostra realizada nas 1000 árvores
plantadas, 30% não atingiram 6 meses no estágio vegetativo, foram eliminadas
por vandalismo, 25 % morreram, algumas demonstraram deficiência hídrica,
nutricional e por falta de manutenção e o restante permanecem no local de
plantio, sendo monitoradas.
* Engenheira Agrônoma, mestre em Gestão e Políticas Ambientais – Empresa
de Manutenção e Limpeza Urbana – EMLURB – Prefeitura da Cidade do Recife
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