18/11/2004
Transformação de água salobra em potável revoluciona vida
no semi-árido nordestino
A dessalinização de água salobra no semi-árido nordestino
está revolucionando a vida dos pequenos agricultores da pequena comunidade de
Atalho, a 70 km da cidade de Petrolina (PE) e foi apresentada nesta
quinta-feira (18) por Everaldo Porto, engenheiro agrônomo e pesquisador da
Embrapa, na 1ª Conferência Internacional de Tecnologia Social, que acontece até
esta sexta-feira, em São Paulo (SP).
Além de produzir água potável para consumo da população local, o projeto,
desenvolvido pela Embrapa com a Codevasf - Companhia de Desenvolvimento do Vale
do São Francisco e Compesa - Companhia de Abastecimento de Água do Estado de
Pernambuco, utiliza os resíduos do processo de dessalinização para criação de
peixes e cultivo de uma planta utilizada como ração para animais.
O sistema integrado de produção de água potável, criação de Tilápia e cultivo
de erva-sal para engorda de caprinos e ovinos é uma alternativa para a
instalação de processos produtivos em pequenas comunidades rurais do
semi-árido. Desenvolvido a partir de uma pesquisa conduzida pela Embrapa e
financiada pela Fundação Banco do Brasil, o sistema foi inicialmente testado em
área experimental da empresa. Em outubro de 2003, foi implantado na comunidade
de agricultores familiares de Atalho, como forma de elevar a renda e aumentar a
oferta de alimento de boa qualidade para as famílias.
Cerca de 80% dos poços perfurados na região de Atalho apresentam teores de sais
acima do limite aceitável para o consumo humano. Esta água é tratada por um
equipamento de dessalinização. Uma parte é transformada em potável, de boa
qualidade para consumo humano. Os rejeitos, no entanto, ficam com níveis muito
elevados de concentração de sal, explica o pesquisador. São estes rejeitos que
são utilizados para a criação de peixes e para irrigação da erva-sal.
O manejo da criação dos peixes permite a obtenção de quatro safras de Tilápia
Rosa por ano. Segundo Everaldo Porto, a Tilápia é um peixe muito resistente a
doenças, suporta baixos valores de oxigênio e desova o ano todo nas regiões
mais quentes do país, além de possuir uma carne saborosa, com baixo teor de
gordura e de calorias e rendimento de filé de aproximadamente 40%.
O rejeito dos tanques de criação de peixes, fertilizado com o estrume da
Tilápia, é utilizado para irrigar a erva-sal. "Essa planta alcança índices
produtivos semelhantes ao da alfafa", garante o pesquisador da Embrapa.
Sua proteína bruta varia de 12 a 22% e a produção de matéria seca atinge entre
10 e 15 toneladas por hectare por ano.
A ração resulta na engorda de 130g por dia por animal. Para Everaldo Porto
ganho importante é a redução do impacto causado pela deposição do rejeito da
dessalinização no solo. A tecnologia também é apontada como opção sustentável
para apoiar os objetivos dos Programas Fome Zero e Sede Zero, do governo
federal. (Mylena Fiori / Agência Brasil)
Fonte: www.ambientebrasil.com.br