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Pesquisadores
da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolveram um novo praguicida a
partir da mistura de açúcar e óleo de soja. Durante os primeiros testes em
laboratório, o produto mostrou eficiência no combate a algumas pragas
agrícolas. Além disso, a substância tem baixo custo de produção e pequeno
impacto ambiental.
O pesticida foi produzido a partir de reações químicas entre a sacarose da
cana-de-açúcar, o óleo de soja e um catalisador. “O catalisador é um produto
químico que simplesmente acelera a mistura dos dois elementos, gerando um
terceiro produto conhecido como éster de sacarose”, explicou Reinaldo José
Fazzio Feres, um dos coordenadores da pesquisa, à Agência FAPESP.
Após sua obtenção, o produto é dissolvido em água em diferentes proporções,
dependendo da praga que se deseja atingir. “O segredo está em testar
diferentes concentrações do éster de sacarose antes de utilizá-lo. É preciso
definir a dosagem para cada tipo de praga”, conta Feres.
Resultados promissores foram verificados em laboratório no combate aos ácaros
Calacarus heveae, que afeta seringueiras, e Tetranychus ogmophallus, praga do
amendoim e de plantas ornamentais. Nos dois casos, o produto apresentou uma
eficácia de até 93%. Nos testes com insetos, a substância eliminou entre 90%
e 100% das populações da lagarta-do-cartucho-do-milho e da mosca-branca, que ataca mais de 700 espécies de plantas.
“Aparentemente, o produto é bastante eficiente, mas apenas sucessivos testes
em campo poderão comprovar esses resultados, por conta da existência de uma
grande quantidade de abrigos no ambiente natural, como galhos e folhas”,
disse Feres. “Uma primeira aplicação em campo do produto já foi feita em um
pomar comercial de citros com resultados bastante animadores."
O pesquisador conta que, no campo, após a aplicação do praguicida numa
proporção de 5 gramas de éster por litro de água, o índice de infestação do
ácaro da leprose dos citros (Brevipalpus phoenicis) caiu de 7,5% para 2,5%.
“O mais interessante foi que, com uma concentração de 10 gramas de éster por
litro, a infestação de 7,5% foi reduzida a zero”, comemora Feres.
Segundo ele, além de os números comprovarem a eficácia do novo praguicida,
outra grande vantagem é seu baixo custo de produção. Com cerca de R$ 5 é
possível adquirir açúcar e óleo de soja em quantidade suficiente para
produzir 1 quilo do produto. “Ao ser diluído em água, esse volume pode render
até 200 litros”, explica.
Além disso, por ser formulado basicamente por ésteres de sacarose,
substâncias naturais derivadas do açúcar e utilizadas, por exemplo, na
produção de alimentos sem gordura, o produto não oferece risco para a saúde
humana e não afeta o desenvolvimento da planta.
Os trabalhos foram realizados por uma equipe coordenada por Feres e pelo
professor Mauricio Boscolo, do Instituto de Biociências, Letras e Ciências
Exatas (Ibilce), em São José do Rio Preto, e Odair Aparecido Fernandes, da
Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV), em Jaboticabal.
Fonte: Agência Fapesp
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