09/09/2005
EXCLUSIVO: Instituto Butantan está desenvolvendo soro antiofídico em pó

Redação AmbienteBrasil

Jararacas, cascavéis e surucucus. Só os nomes desses animais já metem medo. As cobras habitam o imaginário das pessoas em geral associadas a perigo, impressão reforçada pela serpente bíblica, origem de todo o mal. A fama não é de todo injusta: apesar de apenas um quarto das espécies de cobras ser venenosa, o Brasil registra, por ano, cerca de 28 mil acidentes ofídicos.


Essa preocupação passa ao largo dos grandes centros urbanos, onde animais ao vivo e em cores limitam-se aos cães e gatos. Mas é constante nas regiões em que a natureza e os seres humanos têm convívio mais estreito. Biólogos e engenheiros florestais, entre outros profissionais cujo “escritório” é a mata, costumam deparar-se com cobras, ainda que, na maioria dos contatos, esse encontro transcorra sem maiores percalços.


Não deixa de ser tranquilizante, porém, a notícia de que o Instituto Butantan, ponto de referência na fabricação de soros e vacinas, esteja desenvolvendo uma solução mais prática para as doloridas mordidas de cobras: o soro antiofídico em pó.


A grande inovação estabelecida pelos pesquisadores está no fato de que a substância - utilizada para neutralizar os efeitos das picadas de cobra - em pó, diferentemente da líquida, não necessita de refrigeração. Esse diferencial facilita o armazenamento do produto, o que auxilia o uso por pessoas que se embrenham com freqüência nas florestas, principalmente militares.


Ivone Yamaguchi, farmacêutica e responsável técnica pelo soro, diz que a produção ainda se encontra em caráter experimental. “Estamos fazendo testes em animais, numa parceria com o Instituto de Biologia do Exército Brasileiro”, afirma. A farmacêutica comenta que o desafio encontrado pela equipe está na consistência do pó, que precisará ser reconstituído na hora da utilização.

A previsão de lançamento do produto é para o final deste ano. Porém, Ivone acredita que serão necessários seis meses para que o soro em pó chegue aos postos de saúde e hospitais públicos do país. “Nosso compromisso é o de repassar toda a produção da substância ao Ministério da Saúde, que distribui o soro pelas Secretarias de Saúde dos estados do Brasil. Se existir algum excedente, nós venderemos a quem costuma entrar nas florestas”, diz.


No caso do soro antiofídico, a auto-medicação – constantemente praticada nos lares brasileiros - é muito perigosa.  “Os médicos são contra a aplicação de soro intra-muscular, porque pode causar choque anafilático”, explica Ivone, recomendando que a pessoa picada por cobra busque assistência no hospital mais próximo, onde receberá o soro diretamente na veia – o modo correto de administração.

Segundo a médica Fan Hui Wen, diretora do hospital Vital Brazil, centro médico especializado no tratamento de acidentes por animais peçonhentos, 90% dessas ocorrências se dão com as jararacas. As cascavéis vêm em segundo lugar, vitimando uma pequena parcela dos brasileiros. “A sururucu vem em terceiro. Porém, os casos são mais freqüentes na Amazônia”, diz. A cobra que mais mata é a cascavel, por ter o veneno mais forte.

O Hospital Vital Brazil disponibiliza em seu site algumas dicas sobre como proceder em caso de acidente com cobras. Comumente, amarra-se o membro onde houve a picada com um pano, na tentativa de impedir a circulação do sangue com o veneno. Contudo, a medida não impede a absorção da substância. Além disso, costuma-se cortar o local da picada, algo também não recomendado, pois muitas mordidas causam, por si só, hemorragias. Recomenda-se que a vítima fique em repouso e seja transferida até o serviço de saúde mais próximo.


Conheça algumas curiosidades sobre cobras

* Há serpentes peçonhentas e não-peçonhentas. Ambas produzem veneno, mas só as peçonhentas têm um aparelho para introduzi-lo no corpo da vítima e podem causar acidentes com o homem. Serpentes como a jibóia e a sucuri, que não têm dentes especializados para inocular a peçonha, não oferecem esse risco. Elas podem até morder alguém, mas não injetarão o veneno no organismo da pessoa.


* No Brasil, há cerca de 260 espécies catalogadas de serpentes, das quais cerca de 40 são peçonhentas.

*  Para tratar a intoxicação provocada pela peçonha de cada grupo de serpentes, há um soro específico. Por isso é tão importante o médico definir qual a espécie ou o grupo da serpente que picou a pessoa. Há um soro para neutralizar a peçonha da coral, outro para impedir a ação do veneno da jararaca e assim por diante.

*O melhor mesmo é prevenir! Então, anote: evite andar descalço pelo mato. De cada dez picadas, sete acontecem abaixo do joelho. Além disso, não coloque as mãos dentro de buracos, montes de folhas ou troncos de árvores. Prefira usar um pedaço de pau, pois de cada seis picadas, uma é nas mãos.
(Fonte: portal Ciência Hoje das Crianças – http://cienciahoje.uol.com.br)

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