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O novo
chefe da Divisão de Repressão a Crimes Ambientais da Polícia Federal,
delegado Paulo Tarso, afirmou que a legislação brasileira em vigor não trata
esse tipo de crime "da forma como deveria", ao não disponibilizar
ferramentas e instrumentos "tanto para quem fiscaliza quanto para quem
tem de combatê-lo". A afirmação foi feita no documentário "Amazônia
- terra cobiçada", que está sendo veiculado pelas rádios Nacional da
Amazônia e de Brasília (DF).
O delegado explicou que a Divisão contra Crimes Ambientais na Polícia Federal
foi criada porque a demanda estava muito grande. Acrescentou que o
crescimento desse tipo de crime ocorre em razão "do grande retorno
financeiro que ele rende aos infratores". Na Amazônia, afirmou o
delegado, existe uma "atuação organizada de grupos", principalmente
na área de animais silvestres.
O chefe da repressão ao crime ambiental da PF informou que os contrabandistas
chegam a levar até "partes de animais silvestres como, por exemplo,
dentes de uma onça". Há muitos casos ainda de artesanato indígena
exportado ilegalmente, penas de arara, de mutum e peixes ornamentais. De
acordo com o delegado, "eles pescam em grande quantidade e levam como se
fosse para consumo, mas na verdade são ornamentais."
A questão da madeira ilegal também preocupa a Polícia Federal e, segundo
Paulo Tarso, na Amazônia é importante a cooperação e a troca de informações
sobre os criminosos que estão atuando nessa área, entre "as embaixadas e
os adidos policiais". Como exemplo, ele citou a ida de uma comitiva
oficial do governo brasileiro, no dia 4 de abril, a
Lima, no Peru, para tratar da invasão dos madeireiros peruanos ao lado
brasileiro.
"Esses madeireiros peruanos estão ligados aos madeireiros asiáticos e há
até um conflito na região, envolvendo os indígenas da etnia Ashaninka, que têm uma parte no lado do Brasil e a outra
no lado do Peru, onde foi devastada grande área e agora eles estão invadindo
o lado brasileiro", disse Paulo Tarso. (Eduardo Mamcasz
/Radiobrás)
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