ATA DA 10ª REUNIÃO DO

CONSELHO GESTOR DA APA DO IBIRAPUITÃ

No dia 26 de novembro de 2003, realizou-se no auditório do Sindicato Rural de Alegrete/RS a 10ª Reunião do Conselho Gestor da Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã. Inicialmente eu, presidente do conselho, Engº Florestal Tarso Isaia, expliquei aos conselheiros e demais presentes que, devido ao fato da Engª Agrª Berenice Santos Marques estar de Licença-Saúde e ao fato de eu ser o Chefe-susbstituto da APA, temporariamente estarei respondendo interinamente pelos assuntos relacionados a esta Unidade de Conservação, inclusive por seu Conselho Gestor. Expliquei também que a Srª Berenice havia pedido a exoneração do cargo de Chefe da APA do Ibirapuitã e que, enquanto a Gerência Executiva estava providenciando um novo Chefe, os assuntos relacionados à APA estarão sendo respondidos por mim. Em seguida a Analista Ambiental da APA do Ibirapuitã, Engª Agrª Eridiane Lopes da Silva, leu a Ata da reunião anterior que foi aprovada pelos demais conselheiros. O Sr. José Louís Sampaio, da FUNRIO, informou aos presentes que havia enviado um ofício para a Gerente Executiva do IBAMA/RS, Srª Cecília Hypólito, em que solicitava vistas ao processo através do qual o IBAMA passava para a FEPAM a competência sobre o licenciamento do Parque Eólico da GAMESA. Propus tocarmos neste assunto mais adiante na reunião para que toda a pauta pudesse ser cumprida, o que foi acatado por todos. A seguir, sugeri aos Conselheiros que deixássemos pré-marcadas as datas das Reuniões Ordinárias do Conselho para o ano de 2004 conforme o seguinte calendário: 10/março em Rosário do Sul/RS; 12/maio em Santana do Livramento; 14/julho em Quaraí; 15/setembro em Alegrete; 10/novembro em Rosário do Sul.  Conforme a necessidade de reunir o Conselho poderão ser marcadas reuniões extraordinárias fora destas datas.  O Méd. Vet. Vicente Celestino Pires da Silveira, da UFSM, alertou que em 2004 vencem os termos de cooperação entre as instituições que fazem parte do Conselho Gestor devendo os mesmos e as indicações dos nomes dos representantes de cada instituição serem refeitos para que haja renomeação dos Conselheiros da APA. Retomando a palavra, apresentei os técnicos presentes que estão trabalhando diretamente no processo de licenciamento do Parque Eólico que deseja se instalar dentro da APA: Sr. Lúcio Rodrigues, Coordenador do Núcleo de Licenciamento Ambiental do IBAMA/RS, Srª Lúcia Anello, Consultora em Licenciamento do IBAMA/RS, Sr. João Carlos Dotto, responsável pelo licenciamento de Parques Eólicos na FEPAM, assim como registrei a presença na reunião do colega Engº Agrícola Luís Eduardo Burgueño, chefe do Escritório Regional do IBAMA de Uruguaiana/RS. O Sr. Lúcio Rodrigues, Núcleo Licenciamento IBAMA/RS, disse que era com satisfação que vinha conversar com o Conselho, posto que a transparência nos processos é a principal diretriz desta administração atual do IBAMA. Em seguida acrescentou colocando toda a equipe à disposição para prestar informações sobre o processo licenciatório que envolve o Parque Eólico de Santana do Livramento/RS. A Srª Lúcia Anello, Consultora em Licenciamento da Gerência Executiva do IBAMA/RS, fez uma explanação cronológica sobre como havia se desenvolvido o processo até agora: 1º) em fevereiro de 2003 foi iniciada a conversação com o Conselho da APA após a chefia da APA ter recebido o Estudo Preliminar da Gamesa sobre a instalação do Parque Eólico; 2º) Conselho estudou e enviou relatório sobre o Estudo Preliminar; 3º) baseado no Relatório emitido pelo Conselho foi realizada nova reunião entre o Núcleo de Licenciamento e a Gerência do IBAMA/RS, onde os técnicos entenderam que não precisaria ser pedido um EIA-RIMA  e sim um Relatório Ambiental Simplificado (RAS), em conformidade com a Resolução CONAMA nº 279, de 27/06/2001; 4º) em 24/abril/2003 foi realizada nova reunião com o Conselho da APA onde a Gamesa apresentou aos Conselheiros o empreendimento e o Relatório Ambiental Simplificado (RAS); 5º) foi enviado pela Srª Berenice Santos Marques, presidente do Conselho, o memorando de nº 061/03 no qual afirma que o Conselho estava satisfeito com as explicações dadas pela Gamesa sobre o empreendimento e que deixava a decisão final sobre a instalação ou não do empreendimento para o órgão ao qual compete o licenciamento, solicitando ainda que fosse esclarecido ao Conselho a qual órgão competia tal licenciamento; 6º) Foi emitido pelo IBAMA/RS um parecer técnico sobre o Parque Eólico. 7º) iniciaram reuniões entre técnicos do IBAMA e da FEPAM no sentido de tratar sobre as restrições e exigências referentes ao monitoramento e locação do empreendimento, 8º) foi emitido Ofício assinado pela Gerente Executiva do IBAMA, Srª Cecília Hypólito, para a FEPAM, transferindo a competência sobre o licenciamento do Parque Eólico da Gamesa, em Santana do Livramento/RS, da União (IBAMA) para o Estado (FEPAM), trazendo nesse documento as manifestações sobre as restrições e condicionantes do IBAMA para este licenciamento. O Sr. João Carlos Dotto, FEPAM, explanou que o Mapa Eólico do estado foi elaborado por empresas em convênio com a Secretaria Estadual de Minas e Energia. Tal mapa não considerou o fator ambiental, apenas levando em conta as medições de vento e a proximidade com as linhas de transmissão existentes. A FEPAM apenas passou a tomar conhecimento e a fazer com que o fator ambiental tivesse participação no processo de divisão do Rio Grande do Sul quanto ao potencial eólico a partir do momento em que surgiram os primeiros processos de pedido de licenciamento ambiental para Parques Eólicos aqui no Estado. A literatura mundial já existente sobre o assunto permitiu que fossem feitas pelos técnicos da FEPAM as primeiras avaliações sobre os impactos causados pelos Parques Eólicos. A necessidade de rapidez nos processos de licenciamento dos Parques Eólicos deve-se ao fato do Governo ao lançar o PRO-INFA (programa que fomenta as instalações de geradoras de energia de fontes alternativas, por ex.: solar, eólica, biomassa, etc) ter colocado como uma condicionante para que as empresas participassem do leilão que daria a concessão para a exploração da energia eólica a necessidade da empresa ter conseguido junto ao órgão ambiental a expedição da Licença de Instalação do empreendimento. Segundo o Sr. João Carlos Dotto, FEPAM, os técnicos da FEPAM viajaram para a Holanda, Alemanha e Espanha (neste último país visitaram especialmente a região de Toledo), onde puderam ver como funcionam os Parques Eólicos e conversar com os técnicos de lá sobre os procedimentos para o licenciamento e os principais problemas ambientais encontrados. Afirmou ainda que a FEPAM  resolveu adotar o princípio da precaução sendo ainda mais rigorosa do que os europeus, visto que aqui temos uma maior riqueza de fauna. Prosseguindo, ele acrescentou que a FEPAM consultou o IBAMA sobre o licenciamento e, após ter recebido o Ofício em que o IBAMA passa tal competência para  FEPAM, fez Consulta Pública sobre o empreendimento em Rosário do Sul/RS, onde o posicionamento dos presentes foi unânime e a favor. A analista ambiental da APA, Eridiane Lopes da Silva, fez uma breve interrupção para informar que a grande maioria presente à reunião de Consulta Pública era moradora de Santana do Livramento/RS. O Sr. João Carlos Dotto retomou a palavra e relatou que foi liberada a Licença Prévia trazendo diversas condicionantes para o seu cumprimento, as quais expressavam a preocupação em melhorar as informações sobre os meios bióticos existentes no interior da APA do Ibirapuitã. A seguir a FEPAM liberou a Licença de Instalação (LI) para que a Gamesa pudesse estar apta para participar das licitações para instalar Parques Eólicos no estado, mas esta Licença não permite que nada seja instalado antes que sejam cumpridos os prazos e as condicionantes da LI. Caso o empreendedor não cumpra os prazos e/ou alguma das condicionantes, a Licença de Instalação automaticamente perderá a validade. Caso algum dos estudos no local, durante o monitoramento ambiental, comprove que alguma área em que está projetada a instalação de aerogeradores não seja adequada para tal fim, a instalação dos mesmos não será permitida.  Segundo os dados levantados pelos técnicos da FEPAM, a avifauna é quem mais sofre os impactos negativos dos Parques Eólicos.  Além disso, o monitoramento ambiental tem importância decisiva na concessão das licenças de instalação dos Parques Eólicos, uma vez que os dados locais através dele levantados são heterogêneos e podem determinar o zoneamento dos locais em que é permitido e onde não é permitido instalar aerogeradoes ou qualquer outra obra. Segundo o Sr. João Carlos Dotto, FEPAM, em outros países já foi constatado grande impacto causado por este tipo de empreendimento principalmente sobre a avifauna de grande porte, aves migratórias, aves de rapina e morcegos. Além disso, não pode ser desconsiderado o impacto ambiental causado pela fragmentação de ambientes, devido à construção e manutenção das estradas de acesso aos aerogeradores e demais instalações do Parque Eólico.  A emissão da Licença de Instalação para o Parque Eólico de Santana do Livramento, ao impôr condicionantes e prazos, reflete toda a preocupação da FEPAM nos âmbitos ambientais e econômicos, pois embora tenha emitido a licença para que a empresa participasse das licitações, garantiu que antes que sejam realizados os estudos ambientais mais aprofundados não será instalado ou alterado o local em que a empresa deseja instalar o empreendimento. Ele ainda afirmou que alguns Parques Eólicos do Estado podem ser até mesmo inviabilizados se, após a análise dos dados gerados pelos monitoramentos, ficar comprovado que deverá ser drasticamente reduzido o número de aerogeradores a serem instalados no Parque para garantir que os impactos sejam reduzidos a níveis seguros. Ele confirmou que realmente existe a pressão dos donos das áreas em que as empresas desejam instalar os Parques Eólicos, visto que normalmente se tratam de áreas de banhado ou sem outro uso econômico, e que os proprietários querem passar a receber pelo arrendamento das terras para as empresas, mas apesar dessas pressões a FEPAM não liberará licenças para os locais em que fique comprovado haver alguma incompatibilidade técnica ou ambiental para tal uso da área. O Sr. José Louís Sampaio, FUNRIO, lembrou a todos os presentes que entre as competências do Conselho Gestor estava o poder de chamar audiências públicas, a respeito do que o regimento interno do Conselho é claro. Colocou ainda que o Conselho se sentiu desrespeitado por não ter sido ouvido quando da transferência da competência do licenciamento da União (IBAMA) para o Estado (FEPAM). Ele informou a todos que 1000 habitantes de Santana do Livramento estão indo para Vacaria/RS para trabalharem na colheita da maçã, visto que não há emprego na região, e que a Gamesa tem se aproveitado e jogado com o desespero do povo Santanense, ao criar falsas expectativas de emprego, fazendo com que a comunidade se volte contra a APA e contra o Conselho. O Sr. José Louís afirmou que o Memorando 061/03 não diz que o Conselho Gestor aceita a instalação do Parque Eólico, mas que a apresentação do projeto foi satisfez as dúvidas dos conselheiros a respeito do relatório Ambiental Simplificado (RAS). Afirmou que a Licença Prévia foi emitida sem consultar o CONSELHO GESTOR. Quanto à viagem dos técnicos da FEPAM à Europa, ele disse que a Europa não serviria de exemplo, uma vez que eles primeiro degradaram todo o ambiente deles para só então começarem a se preocupar com isso. Quanto à Consulta Pública realizada pela FEPAM em Rosário do Sul, ele colocou que só a Gamesa e o Governo Municipal de Santana do Livramento conseguiram mobilizar e levar a maior parte do público presente, pois a divulgação foi muito em cima da hora e não deu tempo do pessoal se agendar para comparecer, visto que todos tem seus compromissos profissionais. Ele expôs a seguinte dúvida: se os mapeamentos e os quesitos constantes na Licença Prévia emitida pela FEPAM não foram cumpridos, como é que a Licença de Instalação pode ser liberada? Afirmou ainda que todos sabemos que os técnicos da FEPAM e do IBAMA são sérios, mas ainda assim devemos discutir mais a respeito deste empreendimento, afinal a FUNRIO tem certeza de que, por mais isentos que todos tentemos ser, as convicções políticas de cada um afetam nos seus pareceres técnicos. O Biólogo Eliseu Moraes, representante da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Alegrete, disse que o Conselho Gestor foi desconsiderado desde o início, mas que, apesar de não ter poder de veto ele possui legitimidade e deve fazer parte do processo de licenciamento. Ele afirmou acreditar na capacidade e idoneidade dos técnicos da IBAMA e da FEPAM que estão conduzindo o processo. O Sr. Ari Quadros, FUNRIO, questionou se nos processos de licenciamento que recebe a FEPAM não faz nenhuma distinção entre áreas protegidas, Unidades de Conservação e áreas comuns. O Sr. João Carlos Dotto, FEPAM, respondeu que há diferença nos procedimentos da FEPAM em relação ao licenciamento e que os procedimentos deste em áreas protegidas e em Unidades de Conservação eram muito mais rígidos que aqueles realizados para empreendimentos em áreas comuns. Disse que a FEPAM leva em consideração qual a finalidade da Unidade de Conservação e que se acaso no plano de manejo da APA constasse que a instalação deste tipo de empreendimento era proibido no interior da APA o licenciamento teria sido negado e nem teria tramitado dentro da FEPAM. Após checar que não há um impeditivo legal que impeça a instalação do empreendimento, o Sr. Dotto disse que o procedimento adotado pelos técnicos da FEPAM é o de refinar o conhecimento da área em que o mesmo deve ser instalado, observando o local em que deve ser instalado cada um dos aerogeradores e, se for comprovada alguma incompatibilidade técnica ou ambiental, a instalação daquele aerogerador fica impossibilitada. Quanto ao questionamento da viabilidade técnica da visita aos Parques Eólicos Europeus, o Sr. Dotto disse que a visita foi importante por permitir ver de perto quais são os impactos reais do empreendimento já instalado, visto que aqui no Brasil não temos nenhum grande parque eólico instalado, e que há áreas na Europa em que a instalação destes empreendimentos é proibida, ou devido aos danos que poderá causar à fauna local ou porque a população local vive do turismo e acha que não é interessante ter uma parque eólico na região, etc. Ele afirmou ainda que a idéia da FEPAM, ao solicitar aos empreendedores que realizem os monitoramentos ambientais, é juntar dados suficientes que permitam realizar um Zoneamento em que se indiquem áreas em que podem ser instalados Parques Eólicos e outras em que sua instalação é proibida. A Srª Lúcia Anello, IBAMA/RS, lembrou a todos que o licenciamento de empreendimentos dentro das Unidades de Conservação (UCs) só é obrigatoriamente realizado pelo IBAMA quando se trata de UCs de domínio da União e que em áreas de domínio particular, como é o caso da APA do Ibirapuitã, os procedimentos de licenciamento recebem o tratamento normal dispensado às outras áreas. Ela informou que os entornos das Unidades de Conservação funcionam da mesma forma que as APAs, onde a gestão da área deve ser integrada visando cumprir sua finalidade que é a de desenvolvimento do uso sustentável dos recursos naturais. Segundo ela, a competência para licenciamento na APA pode ser da FEPAM, do IBAMA e/ou do Município, conforme o tipo e a abrangência dos impactos do empreendimento; no caso do Parque Eólico o impacto é local, logo, a competência é do Estado. A Srª Lúcia também lembrou a todos que segundo o que determina o SISNAMA - Sistema Nacional de Meio Ambiente -, a FEPAM, o IBAMA e os órgãos municipais devem trabalhar juntos. Disse ainda que quando receberam o Memorando 061/03 assinado pela presidente do Conselho Gestor da APA, em que a decisão do Conselho Gestor não impede e ainda delega as decisões sobre o licenciamento em questão para o órgão licenciador, eles entenderam que estava tudo bem e que não haviam problemas a respeito da instalação do empreendimento no interior da APA. Afirmou que o Memorando 061/03 é claro ao dizer que estava satisfeito a respeito do processo e da instalação do Parque Eólico. Ela disse que quanto a este tipo de empreendimento, os técnicos da FEPAM atualmente estão mais preparados que os do IBAMA para licenciar Parques Eólicos. Concluiu dizendo que este Parque Eólico traz oportunidade rara de realizarmos uma boa gestão ambiental do desenvolvimento sustentável dentro da APA, através do controle do empreendimento, do acompanhamento do monitoramento e da assinatura de um Termo de Cooperação entre a APA e a Gamesa. O Sr. Vicente Pires da Silveira, UFSM, reconheceu que houve um grande problema de comunicação entre o Conselho e o IBAMA, lembrou que o Conselho Gestor da APA é o seu órgão gestor e como tal se sentiu desrespeitado. Afirmou que será preciso melhorarmos esta comunicação IBAMA-Conselho Gestor para que não ocorram mais mal-entendidos como esse. Expressou que a FEPAM poderia ter se fechado para resolver o problema do licenciamento, mas felizmente resolveu vir ao Conselho da APA conversar sobre ele. Disse ainda que devemos sentar e estabelecer estratégia sobre como o Conselho Gestor será ouvido e como será trabalhado o problema conjuntamente. O Sr. Miguel Oscar Leite, Comitê da Bacia do Rio Ibicuí, disse que até agora o Conselho Gestor só havia se reunido para discutir questões práticas para as áreas e questionou porque não havia se falado sobre o preço que o Governo pagará o Megawatt de energia produzido pelo Parque Eólico, cuja produção o Governo será obrigado a comprar, precisando dessa energia ou não e por um preço certamente superior ao preço de mercado. Ele também questionou a definição de "bons ventos" à qual tanto a Gamesa, quanto a Secretaria Estadual de Minas de Energia, se referem no Mapa Eólico do RS. Além disso, o Sr. Miguel Oscar questionou a sustentabilidade de um mega-projeto desses, o qual só beneficia a própria empresa multinacional, e questiona ainda porque não pulverizar o Parque Eólico e permitir que aerogeradores de pequeno porte sejam espalhados pelo interior da APA para fornecer energia limpa e mais barata para as comunidades que hoje não tem acesso à energia elétrica. Lamentou a existência de "atropelos" no processo de licenciamento devido às pressões para satisfazer interesses meramente políticos. Solicitou ainda que o Conselho Gestor passe a discutir mais a Gestão Sustentável e o Desenvolvimento Sustentável dentro da APA. O Sr. José Luís Sampaio, FUNRIO, concordou com o Sr. Miguel Oscar e disse que em quase 11 anos desde a criação da APA nós ainda não conseguimos nos constituir como um Conselho Gestor. Retomou o assunto sobre o Memorando 061/03 afirmando que a ATA da 8ª Reunião do Conselho Gestor da APA deixa claro que o memorando afirmava não haver dúvidas sobre a apresentação do projeto e não dizia que o Conselho era a favor da instalação do empreendimento dentro da APA. Segundo ele precisamos nos reunir para pensarmos juntos o Plano de Manejo da APA e o seu Zoneamento Ecológico e Econômico. Retomou o problema levantado pela Srª Lúcia durante a reunião e concordou que o problema com a irrigação das lavouras de arroz dentro da APA é muito mais sério e deverá ser resolvido. Ele disse ser necessário construir uma Política para a Gestão da APA do Ibirapuitã, sendo necessário realizarmos um Seminário para traçarmos as diretrizes que orientem a Gestão da APA. O Sr. Eliseu Moraes, Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Alegrete, afirmou que o Decreto de Criação da APA é claro ao dizer que os licenciamentos dentro dessa Unidade de Conservação Federal devem ser realizados pelo IBAMA. Quanto aos impactos de Parque Eólico serem apenas locais, ele discorda, pois devemos considerar que se afetam rotas migratórias, certamente estes impactos serão sentidos em outros locais fora da APA. Ele gostaria de ver a legislação que permite o licenciamento no interior da APA por parte do Estado e do município, pois desconhece este fato. Quanto às lavouras no interior de Áreas de Preservação Permanente (APPs), ele afirmou que, se a legislação atual for cumprida usando a cota mais alta das enchentes, condenaremos a atividade agrícola (principalmente o arroz) dentro da APA. Alertou que precisamos achar uma forma de diminuir o impacto sobre as APPs dentro da APA, sem com isso acabar com a atividade econômica. Informei a todos que as lavouras irrigadas estão obrigadas a fazerem licenciamento e, se estiver locada sobre APP não ganhará Licença de Operação e, conseqüentemente, não terá direito a financiamento junto aos Bancos.  O Sr. Luís Eduardo Burgueño, perguntou se o Conselho da APA do Ibirapuitã era Consultivo ou Deliberativo. A Srª Eridiane Lopes da Silva, APA do Ibirapuitã/IBAMA, informou que em seu decreto de criação consta como Deliberativo, mas que receberam a pouco tempo um memorando circular enviado pela Diretoria de Ecossitemas do IBAMA/DF, informando que a partir de agora os Conselhos Gestores de APAs passavam todos a serem Consultivos, e que este assunto estava sendo tratado entre todas as APAs Federais no sentido de reverter essa situação. Foi solicitado por ela que este assunto fizesse parte da pauta da reunião seguinte, para não atrapalhar o desenvolvimento da pauta prevista para a reunião atual. A Srª Lúcia Anello, IBAMA/RS, retomou a palavra afirmando que cada instituição tem sua competência e que a gestão da APA e dos problemas ambientais deve ser integrada entre diferentes órgãos. Disse que devemos estimular a descentralização do licenciamento para promover esta gestão integrada. Ela explicou novamente como passou de Licença Prévia para Licença de Instalação, sem com isso  permitir que nada seja instalado antes que se faça o monitoramento ambiental por 12 meses e que se cumpram as exigências e condicionantes impostas pela Licença de Instalação. Solicitou que seja criado um Grupo de Trabalho para estabelecer comunicação entre APA-CONSELHO GESTOR-IBAMA -FEPAM-GAMESA. O Sr. João Carlos Dotto, FEPAM, informou a todos que o processo de licenciamento é aberto e tem diferentes níveis de segurança de decisão. Questionou o que há hoje de conhecimento sobre os recursos naturais existentes dentro da APA e sobre qual o manejo mais adequado a ser feito com estes recursos, afirmando ainda que o monitoramento ambiental que deverá ser realizado pela empresa servirá para trazer dados importantes que subsidiarão a melhor gestão da APA. Informou ainda que a parte mais importante do Licenciamento ocorre após a emissão da Licença de Operação (LO), que é o momento em que podemos avaliar se os procedimentos seguidos durante o processo licenciador foram adequados. Lembrou a todos que a Licença de Operação pode ser cassada a qualquer momento, caso fique comprovado o surgimento de impactos que não haviam sido previstos ou maiores do que o previsto. Expressou seu desejo de que seja criado o Grupo de Trabalho para promover integração entre os órgãos licenciadores e os órgãos gestores da APA. Como a avifauna é a mais impactada por este tipo de empreendimento, comunicou que entre os mapas a serem gerados pela Gamesa foram solicitados mapas com as seguintes informações: áreas de repouso, áreas de nidificação, áreas de alimentação, áreas de reprodução, áreas de caça, entre outras, que estão dentro da APA na área em que será instalado o empreendimento. O Sr. Lúcio Rodrigues, IBAMA/RS, reafirmou que o processo de licenciamento do Parque Eólico de Santana do Livramento/RS é um processo claro e transparente, assim como é clara a posição do Conselho Gestor. Ele disse ter assumido a Coordenação do Núcleo de Licenciamento do IBAMA/RS em maio, entrou em contato com a Chefe da APA, Srª Berenice Santos Marques, se informando sobre o que estava acontecendo. Ele acredita que a participação da comunidade é fundamental, e afirma ainda que não é porque existe uma conjuntura política a favor da instalação do empreendimento que os técnicos e a Gerência do IBAMA/RS vão deixar de relevar a análise técnica, inclusive realizada pelos técnicos da FEPAM, quando da análise do empreendimento e do processo licenciador. Reconheceu que até agora não tivemos um bom diálogo, mas disse que isto pode ser revertido, que podemos retomar este diálogo e envolver direta e inteiramente o Conselho Gestor da APA no processo de licenciamento do Parque Eólico de Santana do Livramento/RS. Também expressou que precisamos nos unir para discutirmos o Termo de Cooperação entre Gamesa e APA do Ibirapuitã, e para discutir quais as necessidades da APA que deverão ser contempladas pelo Plano de Investimentos na APA, como forma de Compensação Ambiental caso seja instalado o empreendimento em seu interior. Informou que esta relação entre GAMESA e APA deve ser regulamentada. Também disse que se o empreendimento for instalado teremos como benefícios uma fonte de energia limpa sendo gerada dentro da APA, um monitoramento ambiental sendo realizado, permitindo uma gestão da APA em direção ao seu propósito de possibilitar o desenvolvimento sustentável. Disse haver a reversibilidade do processo a qualquer momento, podendo até mesmo ser solicitada a retirada do empreendimento e a recomposição ambiental, caso fique comprovado que o empreendimento está causando danos sérios ao ambiente. Por último, ele reafirmou que a falta de diálogo não foi por desejo do IBAMA.  O Sr. José Louís Sampaio, FUNRIO, tornou a dizer que a ATA da 8ª Reunião do Conselho Gestor foi clara e que o Conselho não  disse ser a favor da instalação do Parque Eólico, questionando que se o empreendimento nem foi instalado ainda e não temos acesso ao processo de licenciamento do mesmo, como podemos ter certeza de que poderemos ter acesso a ele se descobrirmos que o parque em operação está causando problemas ambientais. O Sr. Miguel Oscar Leite, Comitê da Bacia Hidrográfica do Ibicuí, disse que Memorando 061/03 expressava que o Conselho fez os questionamentos à Gamesa quanto ao Relatório Ambiental Simplificado (RAS) e que estes foram satisfatoriamente respondidos, mas ninguém contestou o empreendimento, até porque se o fizesse correria o risco de sofrer danos físicos, visto que a pressão popular mobilizada pelo município de Santana do Livramento/RS era muito grande no dia da reunião. Disse que o Conselho Gestor não se posicionou sobre o mal entendido, até porque não teve tempo de digerir uma licença e já saiu a outra. Lembrou a todos que ali ele representava uma entidade que se reúne a cada 2 meses e que ele tem que tratar com os demais participantes da entidade qual será o seu posicionamento junto ao Conselho APA, do contrário ele estará apenas apresentando a sua visão da situação e não representando o que a entidade que ele representa pensa a respeito do problema.  Também questionou o posicionamento e a contribuição do Conselho Gestor para o desenvolvimento sustentável e o nosso papel em relação ao meio ambiente, uma vez que nós mesmos estávamos esbanjando recursos naturais através do excesso de papel que estávamos produzindo. O Sr. Lúcio Rodrigues, IBAMA/RS, leu parte da ATA da 8ª Reunião do Conselho Gestor da APA, reafirmando como deixa claro que o Conselho passava a eles o poder de decisão e não via empecilho para a instalação do empreendimento. Reforçou junto aos presentes que o IBAMA não está na defesa do empreendimento e sim da clareza com que deve ser conduzido o processo de licenciamento. O Sr. Vicente Pires da Silveira, UFSM, disse que durante a 8ª Reunião do Conselho Gestor da APA os questionamentos macro que os conselheiros tinham foram respondidos, mas que chegamos então a uma questão que não poderia ser respondida pelo Conselho que era à quem cabia a competência de licenciar o empreendimento, para só então retomarmos a conversação com o órgão licenciador em questão. Lembrou que o problema é que dali por diante o Conselho não participou mais do processo decisório. O Sr. Eliseu Moraes, Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Alegrete,  informou aos técnicos do IBAMA e da FEPAM presentes que na reunião realizada em Santana do Livramento/RS houve grande pressão sobre o Conselho  e que sequer houve votação durante aquela reunião devido às condições não serem propícias para votar ou decidir algo. Retomei a palavra e pedi que concentrássemos os esforços nos trabalhos necessários, reforçando a necessidade de criação ainda nesta reunião do Grupo de Trabalho que deverá acompanhar o processo de licenciamento e ajudar na retomada da aproximação entre Licenciamento IBAMA-Licenciamento FEPAM-Conselho Gestor da APA. Lembrei aos presentes que é necessário acompanhar também qual a manifestação do empreendedor quantos às exigências feitas pela Licença de Instalação emitida pela FEPAM. Parabenizei a FEPAM pelas restrições e condicionantes elencadas na LI e, principalmente, por condicionar a LI ao cumprimento de 12 meses de monitoramento ambiental. Solicitei que fosse esclarecido a todos os presentes os porquês das condicionantes e exigências feitas pela FEPAM na LI, pois estes seriam importantes para determinarmos o Termo de Cooperação entre Gamesa-APA do Ibirapuitã. Ficou explícita a proibição de instalar qualquer construção dentro de APPs e, caso isto ou qualquer exigência da LI seja descumprido, o Ministério Público deve ser acionado e a LI deve ser cassada. O licenciamento do Parque Eólico gera outros licenciamentos correlacionados, pois os caminhos e acessos a todas as construções e aerogeradores também terão que possuir projeto e licenciamento para poderem ser instalados. Foi esclarecido pelo Sr. João Carlos Dotto, FEPAM, que a parte do projeto que estiver alocada sobre afloramento do arenito Botucatu não receberá licenciamento e não poderá ser instalado. O Sr. Vicente Pires da Silveira, UFSM, ponderou que segundo o prazo estabelecido na Licença de Instalação, já correram 30 dias do prazo dado à Gamesa e que o Conselho Gestor tem 90 dias para elaborar e apresentar à GAMESA uma proposta de Termo de Cooperação Técnica, pois do contrário quem estará emperrando o processo será o Conselho e sofreremos novas pressões que prejudicarão ainda mais a gestão da APA junto à comunidade de Santana do Livramento/RS.  A Srª Lúcia esclareceu que a LI tem prazo de vencimento de 2 anos, mas que uma das condicionantes de sua vigência durante este período é que a Gamesa tem 120 dias a contar da emissão da LI (28/outubro/2003) para cumprir o que foi exigido e vir conversar com o IBAMA e com o Conselho Gestor sobre este termo de Cooperação. Segundo ela, a Gerência do IBAMA/RS entende que o Conselho Gestor tem que participar de todas as decisões sobre a APA juntamente com a Chefia da APA, independente dele ser considerado Deliberativo ou Consultivo. Aconselhou que seja feito um Plano de Investimentos na APA do tipo "guarda-chuva", ou seja, com áreas dos projetos e descendo para sub-projetos dentro dele. Ela reforçou a necessidade de criação nesta reunião de um Grupo de Trabalho exclusivamente para tratar sobre este Termo de Cooperação GAMESA-APA, levantando 4 pontos essenciais a serem discutidos na elaboração deste Termo: 1) discussão da Compensação Ambiental, 2) como vamos tratar o monitoramento ambiental e a mitigação dos impactos, pois este será o instrumento de controle do empreendimento, permitindo que acompanhemos os levantamentos ambientais e as alterações que estão ocorrendo ou poderão ocorrer e que possamos decidir onde será instalado o empreendimento, onde não, ou até mesmo determinar a sua retirada e a recomposição ambiental, se for o caso, 3) determinar o grau de interação do empreendimento com a gestão do desenvolvimento sustentável no interior da APA, 4) medidas de Educação Ambiental a serem implementadas. A Srª Lúcia lembrou a todos que a Educação Ambiental e a mitigação serão as maiores demandas e que os 4 itens levantados por ela deveriam ser bem "amarrados" pelo Termo de Cooperação Empresa-APA. Destaquei o fato do empreendimento não necessitar de um EIA-RIMA, o que dispensaria a empresa de precisar investir em Compensação Ambiental, e que os técnicos da FEPAM e do IBAMA fizeram questão de firmar isto com a Gamesa, revertendo em favor da APA. Também concluí que o processo de monitoramento funcionará como um laboratório, que trará benefícios e dados científicos não só para a APA, mas que poderão ser usados quando do licenciamento de novos Parques Eólicos próximos de outras áreas protegidas. O Sr. Ari Quadros, FUNRIO, disse que desde o início ele próprio, assim como o Sr. Eliseu Moraes, presente à reunião, estiveram envolvidos no processo de criação da APA. Ele acrescentou dizendo ver com angústia a situação desse empreendimento no interior da APA, porque entende que sua instalação servirá de "porteira de entrada" para outros empreendimentos. Diz se encontrar em um dilema, pois é a favor da energia eólica e da energia solar, mas entende que, com tantos outros lugares no Estado, não deveria ser instalado o Parque justamente dentro da área da APA. Disse respeitar a opinião dos outros conselheiros, mas continua contra a instalação do empreendimento. Afirmou que a FUNRIO forneceu os dados sobre o processo de licenciamento para a Procuradoria da República e que eles continuariam fazendo o possível para que não se instale o Parque Eólico dentro da APA. Concluiu sua exposição dizendo que a FUNRIO respeita os técnicos do IBAMA e da FEPAM, mas discorda sobre a instalação do empreendimento na APA e sobre a forma como está sendo conduzido o processo licenciatório. O Sr. Eliseu Moraes, Secr. Mun. Meio Ambiente de Alegrete, reforçou aos presentes que o processo não se encerra no licenciamento, pelo contrário, o monitoramento ambiental será constante, trazendo dados sobre os recursos bióticos existentes dentro da APA. Lembrou ter ficado claro o comprometimento do empreendedor em investir nas questões ambientais ligadas à APA e concluiu lamentando termos hoje poucos dados de pesquisa sobre os recursos existentes no interior desta Unidade de Conservação, o que impede que possamos ter diagnósticos que nos ajudem no processo de gestão ambiental. O Sr. José Louís Sampaio, FUNRIO, solicitou que seja definido quem serão as pessoas que farão parte do Grupo de Trabalho e quando serão as reuniões. O Sr. Luís Eduardo Burgueño sugeriu que, para evitar futuras controvérsias como a causada pelo Memorando 061/03, todos os documentos emitidos pelo Conselho Gestor saiam com a assinatura do Presidente do Conselho, pelo regulamento definido como sendo o gestor da UC e funcionário do IBAMA, e mais 2 conselheiros. O Sr. Vicente Pires da Silveira, UFSM, afirmou que o problema é que as reuniões normalmente se estendem e cada um dos conselheiros é de um município diferente, precisando viajar de volta no mesmo dia, então os conselheiros tomavam as decisões em conjunto e deixavam que a Berenice redigisse os documentos e depois prestasse contas aos demais. Afirmou que não foi o Memorando 061/03 o causador do mal entendido, mas a falta de diálogo entre o Conselho Gestor e o órgão que foi definido como competente para licenciar o empreendimento. Retomei a pauta da reunião e informei aos presentes que, devido ao pouco tempo desde haver assumido interinamente a chefia da APA, não tinha condições para fazer o fechamento do ano, com o balanço do que foi feito em 2003, o que ficou prá trás, quais os objetivos alcançados e quais os próximos passos a serem dados. O Sr. Miguel Oscar Leite, Comitê da Bacia do Ibicuí, tornou a afirmar que ocupa cadeira no Conselho Gestor da APA como representante do Comitê, mas que as decisões são tomadas e não dá tempo de levá-las para o Comitê para decidir qual será a posição do mesmo junto ao Conselho da APA. Disse também que os conselheiros que não eram representantes de órgãos públicos tinham grande dificuldade de participarem das reuniões, pois não recebiam ajuda de custo e precisavam se deslocar para outros municípios, além de possuírem outros compromissos profissionais nos horários das reuniões. Informou que nos Comitês de Bacia estão discutindo a criação de  Agências de Bacias Hidrográficas, que funcionariam dentro dos comitês, as quais gerarão políticas ambientais uníssonas para cada Bacia, evitando assim discordância entre o discurso dos diferentes representantes dos Comitês. Assim, concluiu o Sr. Miguel, quando algum empreendedor quisesse instalar algo dentro da área de uma bacia hidrográfica, procuraria a Agência de Bacia e já saberia em que parte da bacia e se era permitido instalá-lo e todos os órgãos envolvidos na Agência tomariam conhecimento de que há o desejo de instalar tal empreendimento na Bacia, tendo tempo de formarem opinião a respeito desta instalação. Retomei a palavra e levantei algumas questões que deveriam ser ponderadas pelo Grupo de Trabalho: 1º) a função deste será acompanhar e encaminhar as propostas para o Termo de Cooperação Gamesa-APA e para o Plano de Investimentos na APA, bem como conversar com FEPAM e com IBAMA mantendo o fluxo de informações entre o Conselho, o chefe da APA e estes órgãos; 2º) a Compensação Ambiental poderá prever construção de instalações, compra de equipamentos, contratação de pessoas, etc, que sejam necessárias aos trabalhos da APA; 3º) quanto aos impactos causados durante a instalação e durante a operação do empreendimento deverá ser pensado quais ações serão tomadas para mitigá-los; 4º) será cobrada da empresa a produção de documentos técnicos baseados nos dados gerados através do monitoramento ambiental? 5º) como será desenvolvido o trabalho de Educação Ambiental com os funcionários da Gamesa que trabalharão na instalação do Parque Eólico? 6º) deverá constar na Licença de Operação emitida ao empreendimento que no caso de o Parque deixar de funcionar o

empreendedor fica obrigado a desmobilizar a obra e reconstituir o ambiente natural; 7º) como será feita a fiscalização durante a instalação para evitar que, por exemplo, seja colocada máquina sobre área de afloramento do arenito Botucatu, ou ainda que os funcionários envolvidos na instalação cometam crimes ambientais? O Sr. Eliseu Moraes pediu desculpas a todos, mas precisaria deixar a reunião por ter um outro compromisso marcado. Antes de sair pediu que, para permitir que o Grupo de Trabalho tenha sua operacionalidade garantida, o meio de locomoção intermunicipal a ser utilizado fosse o veículo da APA. O Sr. José Louís Sampaio ponderou que, uma vez que a maior parte da área da APA ficava localizada em Santana do Livramento/RS (cerca de 57%), entendia que deveria ser construído Centro de Estudos ou outra estrutura de apoio à pesquisa e a trabalhos de Educação Ambiental dentro da APA e dentro deste município. Ele expressou que gostaria que fosse instalado preferencialmente na Fazenda da Brigada Militar, em Santana do Livramento/RS. Disse que assim um fiscal poderia ficar alojado lá, permitindo a fiscalização na região inclusive durante a instalação do empreendimento, visto a proximidade com o local em que deverá ser instalado o Parque Eólico. Ele relevou que aqui na região não existe um Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), o que tem feito falta pois não temos para onde encaminhar os animais silvestres apreendidos ou que precisam de tratamento médico, sugerindo que seja incluído no Plano de Investimentos a construção de um CETAS dentro da APA. O Sr. Vicente Pires da Silveira, UFSM, solicitou que o fluxo de informações entre Grupo de Trabalho-Conselheiros-APA-IBAMA-FEPAM seja retroalimentado preferencialmente via e-mail.  Foi definido o Grupo de Trabalho para elaborar a Proposta de Termo de Cooperação, sendo formado pelo Sr. Eliseu Moraes, biólogo, representante da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Alegrete, pelo Sr. José Louís Sampaio, professor, representante da ONG Fundação Rio Ibirapuitã - FUNRIO, e pela Srª Eridiane Lopes da Silva, engenheira agrônoma, analista ambiental da APA do Ibirapuitã. Ficou acertado que o Grupo de Trabalho deverá manter os demais informados sobre o andamento dos seus trabalhos, bem como estar aberto às sugestões de todos os conselheiros. O Sr. José Louís Sampaio, FUNRIO, solicitou aos técnicos do IBAMA e da FEPAM que conversem com os representantes da empresa para que diminuam a agressividade de informações passadas para a imprensa de Santana do Livramento/RS porque isto só estava atrapalhando os trabalhos do Conselho Gestor, o que, por sua vez,  acabaria atrapalhando o processo de licenciamento. Informei ao Sr. José Sampaio que houve mudança na equipe de consultores da Gamesa e que o IBAMA já conversou a respeito disso com eles, tendo sido feitos ajustes na forma de interlocução entre a empresa e a imprensa. Ponderei que o ideal é que, findo o prazo de 120 dias constante na Licença de Instalação do empreendimento, os representantes do empreendedor venham até o Conselho Gestor com proposta baseada na nossa. Ficou acordado entre os presentes que até 19/12/2003 deveremos ter em mãos a proposta do Conselho pronta, para que seja enviada à GAMESA. A Srª Lúcia Anello, IBAMA/RS, solicitou que seja incluída na pauta da próxima reunião do Conselho a discussão de um Plano de Regularização das Atividades Irrigantes existentes dentro da APA, considerando que a partir de 2004, para poderem ser desenvolvidas, todas as Atividades Irrigantes deverão obter Licença de Operação junto ao órgão ambiental estadual (FEPAM), bem como Outorga para uso de água (captação), conforme determinação da Agência Nacional das Águas (ANA). O Sr. José Louís Sampaio, FUNRIO, questionou a situação do problema causado pelas atividades do Exército na Fazenda da Brigada Militar, dentro da APA. A Srª Lúcia Anello, IBAMA/RS, informou que o Exército foi notificado de que tais atividades não devem mais ocorrer no interior da APA. O Sr. José Louís Sampaio, FUNRIO, disse que o Sr. José Mário Viruê, chefe da Fiscalização/IBAMA/RS, foi informado sobre as atividades do exército dentro da APA e se omitiu de tomar qualquer atitude, por este motivo a FUNRIO solicita que o mesmo seja afastado do cargo para evitar que este tipo de situação torne a acontecer. O Sr. Rivadávia Leite, FEPAM Alegrete, declarou-se preocupado, pois parece ter sido providencial o afastamento da Berenice da chefia da APA e do envolvimento no processo de licenciamento da GAMESA. Disse estar realmente apreensivo porque há a cobrança da comunidade e a "culpa" recaindo exclusivamente sobre o gerente da Unidade, quando muitas vezes foge ao poder dele conseguir parar o processo de gestão. Citou exemplo de um empreendimento com o qual ele pessoalmente não concorda, mas encontra-se impotente diante do mesmo, não cabendo a ele poder para impedir que seja instalado, expressando ao final preocupação em futuramente acabar sendo responsabilizado pela comunidade pela instalação do mesmo em local impróprio. Informei ao Sr. Rivadávia que o afastamento da Berenice do cargo de chefe da APA foi solicitado por ela através de Memorando enviado à Gerente Executiva do IBAMA/RS, e que ela só não se encontrava presente à reunião do Conselho Gestor por haver solicitado afastamento do trabalho através de licença-saúde até o dia 28/11/2003. O Sr. Vicente Pires da Silveira, UFSM, perguntou se havia alguma possibilidade da Srª Berenice voltar a assumir a chefia da APA. Informei que a Srª Berenice havia solicitado sua exoneração do cargo de chefia, o qual foi aceito pela Gerência do IBAMA/RS, mas que a Gerência reconhecia o bom trabalho que ela vinha desenvolvendo na região e havia convidado-a para trabalhar coordenando os Projetos de Educação Ambiental desenvolvidos pelo IBAMA/RS na Fronteira Oeste do RS, em conjunto com o Sr. Luís Eduardo Burgueño, do Escritório Regional de Uruguaiana/RS, e que ela havia aceitado o convite. O Sr. José Louís Sampaio, FUNRIO, solicitou que antes de ser definido o novo chefe da APA gostaria que o IBAMA/RS discutisse com o Conselho Gestor da APA qual o perfil que a pessoa a ser indicada deveria ter em relação aos compromissos com a APA e com a forma com que deverá ser conduzida sua gestão dentro dos objetivos que geraram a criação desta Unidade de Conservação. Citou que não gostaria que se repetisse o que aconteceu com a primeira chefe da APA do Ibirapuitã, Srª Marília Portugal, que administrava a APA à distância, enquanto residia em Porto Alegre, praticamente sem conhecer a realidade local ou vir até aqui. Disse que gostaria que a próxima Chefia da APA possuísse comprometimento com um Plano de Desenvolvimento da APA como Unidade de Conservação. O Sr. Ari Quadros afirmou ser relevante a informação sobre os problemas que poderão ser causados pela instalação das lagoas da Estação de Tratamento de Esgotos em Alegrete/RS e já que o local escolhido para instalá-las é inadequado devemos tomar alguma atitude. Devido aos questionamentos dos presentes, a Srª Eridiane Lopes da Silva, APA do Ibirapuitã/IBAMA, informou aos presentes que a ETE em construção estava localizada fora da área de APA. O Sr. Rivadávia Leite, FEPAM Alegrete, disse que o problema colocado aos conselheiros e presentes não era a instalação da ETE em si, mas o fato do agente público ser cobrado pela comunidade mesmo exercendo de forma legal sua função. Retomei a palavra e encaminhei a reunião para seu encerramento. A Srª Lúcia Anello reafirmou que a saída da Srª Berenice da chefia da APA foi uma decisão pessoal dela, mas que a Gerência do IBAMA/RS deseja a continuidade dos trabalhos dela na região. Ela concluiu dizendo que, independente de quem assumir a chefia da APA, a Gerência do IBAMA/RS deseja manter proximidade com o Conselho Gestor, uma vez que a razão de ser da gestão ambiental compartilhada e participativa, integrando União e a comunidade, era uma das propostas de uma Área de Proteção Ambiental (APA). Retomei a palavra e conclui a reunião dizendo que todas as opiniões são importantes, agradeci a presença de todos e enfoquei o processo de resgate do relacionamento do IBAMA com a comunidade, especialmente em relação ao Escritório Regional de Uruguaiana.  Sem mais a acrescentar, lavrei a presente Ata, que vai por mim assinada. 

Engº Ftal. Tarso Isaia

Chefe-Substituto da APA do Ibirapuitã – IBAMA

Presidente do Conselho da APA do Ibirapuitã

 

 

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