A sociedade  frente  ao  desperdício  de  água

Roosevelt da Silva Fernandes   


FERNANDES, Roosevelt da Silva -
Eng. Químico pela UF do Paraná, M,Sc. em Eng. de Produção pela COPPE - UFRJ, membro do Conselho Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e do Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA; Professor da disciplina de Ciências do Ambiente e Coordenador do curso de Engenharia de Produção Civil – UNIVIX. - José Alves, 301, Goiabeiras, Vitória, ES, Cep: 29075-080; tel: 3327-1500; e-mail: [email protected], [email protected]


Em recente pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental – NEPA, que teve como base os bairros de Mata da Praia, Jardim Camburi e Goiabeiras, foi analisada a percepção da sociedade, através de três segmentos sócio-econômicos diferenciados, frente à problemática do uso racional da água.

A pesquisa, que seguiu um plano de amostragem específico para cada um dos bairros amostrados, foi apresentada, em detalhes no evento V Jornada UNIVIX – A importância do Uso Racional da Água, quando foram explicitados fatos que merecem a reflexão não só da sociedade mas, sobretudo, dos idealizadores de campanhas junto à mídia, bem como dos órgãos governamentais competentes e, em particular, as próprias instituições de ensino (públicas e privadas).

Um dos pontos evidenciado pela pesquisa, diz respeito ao fato de que nos três segmentos sócio-econômicos amostrados há evidência do reconhecimento da necessidade do uso racional da água, porém é bastante reduzido o conhecimento das formas efetivas (ações práticas) de conduzir o processo.

Os entrevistados mostram desconhecer o consumo de água de situações comuns do dia-a-dia, como tomar um banho, escovar os dentes, torneira gotejando, etc, bem como as fontes de abastecimento atuais da região metropolitana de Vitória e o tempo estimado em que os rios Santa Maria e Jucú ainda têm condições de abastecer a região.

Apesar da maioria demonstrar conhecer o nível do desperdício médio de água no Brasil (cerca de 40%), ao serem perguntados quanto pagam mensalmente pela água consumida, particularmente nos segmentos sócio-econômicos mais favorecidos, não conseguem estimar o valor pago, quando perguntados tomando como base apenas a memória.

Indicam ser a industria o maior segmento econômico usuário de água (quando na realidade é a agricultura) e, em termos do que estabelece a Política Estadual de Recursos Hídricos (Lei 5818), 36% dos entrevistados da Mata da Praia acham que todos (como estabelece a lei) devem pagar pelo uso da água, enquanto que em Goiabeiras este valor praticamente dobra para 82%.

Quando perguntados se o Poder Público vem tratando de forma adequada à problemática do uso racional da água, apenas 4% na Mata da Praia concordam com esta premissa, valor este que sobe para 43% em Goiabeiras.

Quando a pergunta envolve o papel das instituições de ensino, 7% na Mata da Praia e 30% em Goiabeiras acham que o problema está sendo bem conduzido.

Quando as entrevistas foram conduzidas junto aos segmentos sócio-econômicos selecionados, perguntou-se aos entrevistados se aceitariam participar de um evento onde os resultados da pesquisa seriam apresentados, bem como formas práticas de assegurar o uso racional da água. Na Mata da Praia a aceitação se deu por 65% dos entrevistados, enquanto Goiabeiras acusou o percentual de 78%.

A pesquisa também mostra que há diferenças nas expectativas e comportamentos dos diversos segmentos sócio-econômicos em relação ao uso racional da água, diferenças estas que devem ser levadas em conta ao se conduzir uma campanha de conscientização da sociedade em termos do problema

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