REVITALIZAR
O CHICO ANTES DE TRANSPÔR
Henrique Cortez
Sub-editor do Jornal do Meio Ambiente e Coordenador de Programas Socioambientais da Câmara de Cultura, e-mail [email protected]
Se a transposição é
um tema polêmico e sujeito a intermináveis discussões, a revitalização é
consenso. E é consenso exatamente porque sua necessidade e urgência são
amplamente conhecidas e reconhecidas. É inacreditável que ainda não se tenha
percebido a importância do reflorestamento e recuperação ciliar para o
desenvolvimento econômico e social, principalmente diante do potencial diante
da geração de 2 milhões de empregos diretos, na região que mais precisa desta
gigantesca frente de trabalho.
Ao anunciar a transposição
do rio São Francisco o governo reacendeu uma das mais consolidadas polêmicas
nacionais. Novamente o debate (ou ausência dele) configura-se de forma
polarizada – contra e a favor. Pena que este debate maniqueísta e ideológico
seja exageradamente simplificador, porque ao negar que o outro tenha, no
mínimo, razões aceitáveis, ele perde a oportunidade de aprofundar a discussão
na busca de melhores alternativas e soluções.
Nem os que recusam a
transposição cometem crime de lesa-pátria, nem os que defendem são
irresponsáveis empedernidos. A eterna discussão entre os estados doadores (que
são contra) e os receptores (que são a favor) também não contribui para a
solução do impasse.
O problema real da
discussão polarizada está em tangenciar dois temas extremamente relevantes para
o desenvolvimento sustentável no NE e, por conseqüência do próprio País – a
gestão integrada dos recursos hídricos e a revitalização do São Francisco.
Retomando o foco para estes
dois relevantes temas, estaremos evitando o debate bipolar e discutindo
questões e soluções muito mais significativas ao longo prazo. E, na medida do
possível, evitando o cipoal político e legal.
Ao compreendermos a
relevância da gestão integrada dos recursos hídricos e da revitalização do São
Francisco, estaremos visualizando um importante modelo de desenvolvimento
sustentável para o nordeste brasileiro, com a geração de, pelo menos, 2 milhões
de novos empregos.
1 - Gestão
integrada dos recursos hídricos no e para o Nordeste.
É obvio que o nordeste, uma
região que possui apenas 3% da disponibilidade hídrica (70% no São Francisco e
6% no Parnaíba) e 28% da população do País, precisa
desenvolver modelos extremamente eficientes de gestão deste recurso
escasso recurso – a água.
E a gestão integrada de
recursos naturais (o que inclui a água) é uma ferramenta
estratégica, que perde eficiência pela diluição de responsabilidades e
dispersão de atribuições em mais de uma dúzia de ministérios, órgãos,
departamentos, instituições de pesquisa, etc. O resultado óbvio é que, com
tantas autoridades envolvidas, ninguém têm a compreensão e a responsabilidade
sistêmica do gerenciamento hídrico no nordeste brasileiro e, o que é pior,
ninguém verdadeiramente planejando e executando uma política pública para os
recursos hídricos do semi-árido.
Retomando a concepção
estratégica do tema, percebemos que existem questões urgentes a serem
resolvidas, tais como:
A)Gerenciamento
da açudagem – no nordeste, a quantidade de açudes e
represas, de todos os portes, está estimada em mais de 70 mil e, de
fato, não existe um modelo, método ou programa que efetivamente gerencie os
estoques e usos dos açudes. Em tese, este conjunto de açudes e reservatórios
deveria acumular 30 bilhões de m3 de água. Em tese
apenas, porque falhas de projeto, de planejamento, execução e gerenciamento
comprometem este potencial.
Existem incontáveis açudes
de pequeno porte (os famosos açudes ‘pires de açúcar’, que além de rasos
dissolvem na água) reconhecidamente ineficientes, porque perdem mais água do
que acumulam, razão da base cristalina (em 60% da superfície do semi-árido) que
aliada à insolação potencializam a evaporação. Com quase 3 mil horas de sol por
ano, o semi-árido possui um potencial de evaporação maior do que de
precipitação, superior a 3 vezes, ou seja, 3000 mm/ano
de evaporação contra 800mm/ano de precipitação, sendo que alguns açudes e
represas perdem quase dois metros de lâmina d’água por ano.
É esta a razão pela qual,
na África do Sul, diversos açudes possuem menor diâmetro do que a nossa média,
mas são de 3 a 5 vezes mais profundos, visando reduzir a perda por evaporação.
Ao mesmo tempo eles são freqüentemente “cobertos”, isto é recebem uma cobertura
plástica micro-perfurada que é capaz capturar parte da evaporação e até de
coletar o orvalho.
São freqüentes as imagens
de açudes quase vazios, mas, ainda assim, com bombas de sucção superdimensionadas, coletando água para irrigação, mesmo
com a maior parte da população do entorno sedenta e dependendo de carros e
jegues-pipa, em clara violação da lógica, da ética e da legislação.
Muitos destes açudes pires
estão salinizados e/ou poluídos por esgotos, algas
tóxicas e resíduos agrotóxicos, tornando a água imprópria para consumo humano e
animal. No entanto, a população precisa usar esta água imprópria pela mais
absoluta falta de alternativa. Esta é a realidade da maioria das cacimbas tão
comuns na região.
Dizer que alguns reservatórios
são de “açúcar” ou “sonrisal” é uma forma jocosa de
indicar a facilidade com que eles, por serem subdimensionados
e mal projetados, não suportam a carga adicional em caso de chuvas mais
intensas, como aconteceu no início de 2004, quando em razão de precipitações 5
vezes maiores do que a média histórica, dezenas destas barragens entraram em
colapso.
Não basta um gigantesco
esforço para a construção de açudes e barragens, mas um modelo de gerenciamento
que garanta a sua eficiência e seu uso racional. Lamentavelmente isto ainda não
foi sequer debatido, quanto mais solucionado.
B)Fiscalização da outorga e
dos usos – em que pese a clara legislação relativa à
outorga da água, sabemos que ela não é cumprida e fiscalizada. Ao longo das
bacias do nordeste brasileiro é comum a imagem da irracional captação para fins
de irrigação, sendo que a captação irregular (e irresponsável) é estimada em
100 vezes maior do que a quantidade das captações com outorga.
Pelo menos 70% da
disponibilidade hídrica da região é usada para a irrigação, sendo ainda muito
comum à utilização de pivôs centrais, reconhecidamente um método de irrigação
que possui elevado índice de desperdício. Estudo do Professor Aldo Rebouças, da
Universidade de São Paulo (USP), indica que, na Espanha, a utilização de água
na agricultura é de 5 a 6 mil metros cúbicos por hectare/ano;
em Israel, de 3 a 5 mil; no Nordeste, de 18 mil metros cúbicos por hectare ao
ano. Observou também que, segundo o Banco do Nordeste, quem consome
mais de 7 mil metros cúbicos de água por hectare/ano
não consegue lucro na produção agrícola.
Triste exemplo, da falta de
programas de agricultura irrigada realmente adaptada à região, ocorreu no
Ceará, no entorno do açude Orós, com o incentivo à
produção de arroz, visando a auto-suficiência. A
produção vem se demonstrando claudicante, em razão das precipitações
pluviométricas irregulares e a reduzida garantia da oferta dos recursos
hídricos necessários. Considerando o solo, de base cristalina e a insolação,
podemos compreender a gigantesca perda de água por evaporação. Mais racional
seria, incentivar agricultura “à seco”, mais adequada
ao solo, clima e disponibilidade hídrica.
Desperdício de água é
reprovável em qualquer situação, mas no nordeste brasileiro é uma tragédia. É
responsabilidade da ANA e dos Comitês de Bacias reprimirem esta forma
predatória e irresponsável de uso dos escassos recursos hídricos do semi-árido.
Além disto, devem desenvolver um modelo realmente eficaz de integração com os
municípios, porque eles realmente estarão mais próximos do problema e seus
habitantes serão as reais vítimas do primeiro impacto do desperdício.
Diante da escassez crônica
nenhum uso irracional e irresponsável é admissível, qualquer que seja o poder
econômico e político do depredador.
C)Programa de apoio à
construção de cisternas – este é um tema muito falado e pouco realizado. Um bom
exemplo de programa de construção de cisternas para armazenamento da água de
chuva é da Cáritas Brasileira, ong que faz parte de
uma rede internacional da Igreja Católica. Diversos Estados possuem programas
semelhantes e até a FEBRABAN assumiu o compromisso de financiar a construção de
10 mil cisternas.
Pena que, até agora, as
ações tenham sido pontuais e insuficientes diante da necessidade de construção
de 1 milhão de cisternas. Bem, mas qual é a importância disto? É simples, uma
cisterna com 12 mil litros pode garantir o fornecimento de água para uma
família de 4 pessoas por 8 meses, que é o período normal de estiagem na região.
Um amplo e bem organizado
programa de apoio à construção de cisternas, com plena integração federal –
estadual – municipal, não apenas seria uma micro-solução importante para a
sobrevivência do sertanejo, como também, ao eliminar a indústria dos carros e
jegues-pipa, seria um grande golpe no modelo mais demagógico do coronelismo.
D)Sistemas de dessanilização – em muitas regiões do semi-árido a água de
subsolo é salobra, com teores salinos que a tornam inadequada para consumo
humano ou animal. É por isto que, em Mossoró, RN, a fruticultura irrigada de
exportação optou pela utilização de poços profundos, de 500 até 800 metros.
O processo de
dessalinização possui elevado custo operacional, mas produz água de excelente
qualidade porem desmineralizada, o que exige
correção, visando garantir a saúde da população usuária.
Em que pese seu custo
operacional e a necessidade de remineralizar a água,
a dessanilização é a única alternativa viável em
diversas regiões, considerando que a captação por poços profundos possui custos
ainda maiores.
E)Regularização fundiária e
acesso à água – este é um dos maiores e mais significativos problemas da
região.
Muitos potenciais usuários
da atual disponibilidade hídrica não possuem recursos para os investimentos
necessários para a captação da água, inclusive nos pontos de distribuição das
adutoras já existentes. Não podem sequer pleitear linhas oficiais de
financiamento porque não possuem existência legal (não possuem quaisquer
documentos – inúmeros habitantes do semi-árido sequer possuem certidão de
nascimento) e precisam de regularização fundiária, porque não podem comprovar a
titularidade da terra em que vivem e tentam produzir.
Ao longo da bacia do rio Piranhas-Açu (PB e RN) encontram-se incontáveis roçados
mortos ou esgotados ao lado de férteis fruticulturas, todos a menos de 100
metros de um ponto de distribuição de adutora. A diferença, entre um e outro,
está no acesso à água.
Em muitos pequenos
municípios esta estrutura quase feudal de acesso à água é uma importante razão
de fundo para a sua estagnação.
Qualquer programa
minimamente eficiente, com ou sem transposição, exige a efetiva garantia do
acesso à água. Se for para atender aos atuais privilegiados não é preciso fazer
nada, porque eles já têm acesso aos recursos hídricos disponíveis.
2
- Revitalização Hidroambiental da Bacia
Hidrográfica do Rio São Francisco
Na questão da revitalização
não é necessário inventar a roda, basta executar o "Plano de Revitalização
Hidroambiental da Bacia Hidrográfica do Rio São
Francisco", ou seja:
2.1• Planejamento e gestão
integrada dos recursos naturais da bacia do São Francisco;
2.2• Revegetação
de margens e nascentes do São Francisco e de seus afluentes;
2.3• Aumento das vazões de
estiagem no Médio São Francisco, melhorando suas condições de navegabilidade;
2.4• Programa de saneamento
básico e controle de poluição de cerca de 400 núcleos urbanos que, em sua
maioria absoluta, lançam esgoto sem tratamento no rio São Francisco ou em seus
afluentes;
2.5• Disciplinamento
e proteção da pesca; apoio às comunidades ribeirinhas do Baixo São Francisco.
Estes 5 itens são de
fundamental importância para a sustentabilidade da
região, ao mesmo tempo que podem gerar mais de 2
milhões de novos empregos.
Vejamos cada um deles
2.1• Planejamento e gestão
integrada dos recursos naturais da bacia do São Francisco.
Neste caso, os conceitos e
métodos já foram minimamente demonstrados quando discutimos a gestão integrada
dos recursos hídricos. É claro que existem variações quanto ao clima, solo,
índice pluviométrico, usos da água, etc, mas a lógica é basicamente a mesma.
Mas quero destacar e
insistir que, assim como deve ocorrer em qualquer bacia ou micro-bacia, os
municípios devem preparar-se para atuar firmemente na gestão de seus recursos
naturais, inclusive os recursos hídricos. Devem organizar-se inclusive em
consórcios intermunicipais (por bacias e micro-bacias), investindo na sua
capacitação técnica e qualificação de seus recursos humanos.
2.2• Revegetação
de margens e nascentes do São Francisco e de seus afluentes.
Isto pode ser traduzido em
reflorestamento e recomposição das matas ciliares. As matas ciliares têm
importante papel na ecologia e na hidrologia de uma bacia hidrográfica, pois
auxiliam na manutenção da qualidade da água, na estabilização do solo das margens,
evitando a erosão e o assoreamento, no desenvolvimento e sustento da fauna
silvestre aquática e terrestre ribeirinha e na regularização dos regimes dos
rios através dos lençóis freáticos (fonte SEMADS).
De forma simplificada, isto
permitiria reduzir o assoreamento, minimizar a evaporação e aumentar a recarga
das nascentes e mananciais, com a vantagem de gerar milhares de empregos.
Estudos da Fundação Joaquim
Nabuco estimam que a bacia do rio São Francisco já perdeu 75% da vegetação e
95% das matas ciliares. Ao longo prazo, isto significa o esgotamento de
qualquer bacia hidrográfica, tendo como o mais dramático exemplo o Mar de Aral.
O
reflorestamento, com vegetação nativa usa pelo menos 1000 mudas por hectare e, neste caso,
teríamos mais de 2 milhões de hectares a serem reflorestados/recuperados
o que significa mais de 2 bilhões de mudas. As 97 cidades ao longo do Velho
Chico poderiam criar os pólos de coleta de sementes e produção de mudas, bem
como as frentes de trabalho para o plantio e manutenção. Uma conta bem primária
indica criação de 1 emprego direto por hectare, por mais de 30 anos, para cada
cidade, ao custo de R$ 4 por muda plantada. A recuperação ciliar, no total,
custaria algo em torno de R$ 8 bilhões ao longo de 30 anos, o que é razoável, considerando
os impactos sociais, econômicos e ambientais. Isto sem falar que pode ser
financiado através de projetos de seqüestro de carbono, amparados pelo
Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL.
Aliás, cerca de um terço
desta revegetação poderia ser realizada simplesmente
cumprindo o Código Florestal Brasileiro, incluindo a recuperação e proteção das
reservas legais e das APP’s.
Este processo deve incluir,
necessariamente, a implantação de florestas para manejo florestal madeireiro,
para fins aproveitamento bioenergético e industrial. Certamente existem
investidores potenciais mais do que suficientes para viabilizar este componente
do processo
É inacreditável que ainda
não se tenha percebido a importância do reflorestamento e recuperação ciliar
para o desenvolvimento econômico e social, principalmente diante do potencial
diante da geração de 2 milhões de empregos diretos, na região que mais precisa
desta gigantesca frente de trabalho.
A compreensão da
importância deste fator é ainda mais relevante no nível municipal. Esta imensa
frente de trabalho seria fundamental para o desenvolvimento da maioria dos mais
de 500 municípios da bacia, muitos estagnados há décadas, tanto em termos
econômicos como sociais.
Os municípios estão sendo
ignorados no debate polarizado da transposição, mas eles mais do que ninguém
podem e devem defender projetos de desenvolvimento, absolutamente necessários
para a sua sobrevivência. Por outro lado, na prática, não existem empregos
federais ou estaduais porque eles são gerados no nível local, sempre trazendo
grandes benefícios para o município, à partir da
geração de emprego e renda.
Aos municípios, portanto,
cabe a responsabilidade de se fazer ouvir no desenvolvimento deste conjunto de
políticas públicas de desenvolvimento efetivamente sustentável.
2.3• Aumento das vazões de
estiagem no Médio São Francisco, melhorando suas condições de navegabilidade.
O assoreamento do rio São
Francisco é um grande desastre que praticamente inviabilizou sua tradicional
função de hidrovia. Em diversos trechos é possível atravessar o São Francisco a
pé, como em Traipú na divisa de AL com SE, com água
na altura dos joelhos.
Novamente citando estudos
da Fundação Joaquim Nabuco, descritos pelo pesquisador João Suassuna,
existem estimativas que dezoito milhões de toneladas de solos sejam carreados
anualmente para a calha do rio, justamente em razão da perda de cobertura
florestal, o que equivale a 5480 caminhões caçamba ao dia.
Qual o potencial de
transporte hidroviário (pessoas, carga, produção agrícola) que está sendo
desperdiçado e a que custo? Esta questão não trata da romântica imagem dos
“gaiolas” percorrendo o rio, mas sua utilização efetiva e eficaz como
importante via hidroviária.
A revegetação
corrigiria este problema ao longo prazo, mas medidas corretivas devem ser
iniciadas imediatamente, com grandes programas de dragagem e recuperação da
calha do rio.
A perda do potencial de hidronavegação é mais um fator de estagnação econômica da
bacia, impedindo a criação de condições geradoras de novos empregos e aumento
da renda média.
2.4• Programa de saneamento
básico e controle de poluição de cerca de 400 núcleos urbanos que, em sua
maioria absoluta, lançam esgoto sem tratamento no rio São Francisco ou em seus
afluentes.
Isto é uma tragédia sob
qualquer ângulo de vista e fica mais visível no reservatório de Sobradinho.
O reservatório de
Sobradinho cria, na prática, uma segunda nascente do São Francisco, que possui
vazões controladas, transformando o rio em um imenso canal. No entanto, o
reservatório também funciona como um imenso tanque de decantação, retendo todos
os sedimentos e efluentes orgânicos que nele chegam.
Como uma estação de
tratamento de esgoto, o reservatório de Sobradinho, em razão do tempo de
retenção hidráulica, “purifica” a água poluída a montante.
Em 2001, quando o
reservatório chegou a 7% de sua capacidade, a simples aproximação era
insuportável, tal a toxidade da água remanescente. Água esta utilizada
intensamente, não apenas para geração de energia hidroelétrica, mas para
irrigação. Qual a qualidade para consumo de produtos agrícolas irrigados com
esta água? Isto foi controlado, a produção contaminada descartada e os
consumidores avisados dos riscos? Evidente que não.
A importância de um consistente
programa de saneamento básico da bacia do São Francisco é indiscutível e possui
significativos resultados em termos de qualidade de vida, saúde pública,
aumento da expectativa de vida, redução da mortalidade infantil e qualidade da
produção agrícola em toda a região.
Quaisquer que sejam os
custos em fazer saneamento básico, ainda assim eles serão muito menores do que
não fazer. Estudos da OMS indicam que para cada R$ 1 investido em saneamento há
a economia de R$ 5 em saúde publica.
Novamente perguntamos
quantos novos empregos deixam de ser gerados com a não execução de programas de
saneamento básico? Em uma bacia hidrográfica com mais de 500 municípios podemos
acreditar que deixam de ser criados empregos da ordem de dezenas de milhares.
2.5• Disciplinamento
e proteção da pesca; apoio às comunidades ribeirinhas do Baixo São Francisco.
A recuperação hidroambiental permitiria a recuperação da ictiofauna da bacia, garantindo a pesca artesanal e de
subsistência, o que é, historicamente, fundamental para a sobrevivência da
população ribeirinha.
No
entanto, considerando os lagos formados em Sobradinho, Paulo Afonso e Xingo, ao
lado da recuperação das lagoas naturais da bacia, há um gigantesco potencial de
produção de pescado, em tanques rede, o que além de gerar emprego e renda
também é uma importante contribuição para programas de oferta de alimentos e
combate à fome.Mais uma vez a visão de curto prazo impede o desenvolvimento de
ações sustentáveis de longo prazo.
CONCLUSÕES
Estes cinco itens,
resumidamente apresentados, não esgotam as necessárias ações para a
revitalização hidroambiental da bacia hidrográfica do
rio São Francisco, mas possuem significativa importância e significado.
Sem a sua realização, a
transposição do São Francisco será ineficaz ao longo prazo, apresentando mais
problemas do que soluções. Será necessário, como já foi reconhecido pelo
governo, reforçar o volume do São Francisco com águas de afluentes do
Tocantins.
Ou seja, uma outra
transposição, desta vez interligando as bacias hidrográficas dos rios Sono e
Manoel Alves, afluentes do Tocantins, com a bacia do rio Preto, um dos
formadores do São Francisco, no oeste da Bahia.
Reconhecer a potencial necessidade de uma futura transposição do
Tocantins e´, também, reconhecer que a transposição do São Francisco,
isoladamente, tenderá ao esgotamento.
Se a transposição é um tema
polêmico e sujeito a intermináveis discussões, a revitalização é consenso. E é
consenso exatamente porque sua necessidade e urgência são amplamente conhecidas
e reconhecidas.
No longo prazo, a gestão
integrada dos recursos hídricos do nordeste e a revitalização do São Francisco,
serão muito mais relevantes do que quaisquer projetos de transposição ou adução
isoladamente, sem falar de que poderão gerar mais de 2 milhões de empregos
diretos.
Consciência e
responsabilidade diante destes temas são, certamente, o que o Nordeste e todo o
Brasil esperam e exigem das políticas públicas.
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