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CONSCIÊNCIA SOBRE A
ÁGUA
Olimpio Araujo
Junior
Geógrafo-ambientalista; Diretor de
Comunicação da Rede de Comunicação
Ambiental EcoTerra Brasil [email protected] Fones: (41) 232 6700 ou (41) 9212
7266
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Segundo a Organização Mundial
de Saúde, no Brasil, morrem atualmente 29
pessoas/dia por doenças decorrentes da qualidade
da água e do não tratamento de esgotos e
estima-se que cerca de 70% dos leitos dos
hospitais estão ocupados por pessoas que
contraíram doenças transmitidas pela água.
A superfície de nosso planeta é
constituída por apenas 30% de terra firme, os
70% restantes são de água, mas nem toda essa
água está disponível para uso humano, 97% são
águas salgadas e apenas 3% são doces. Destes,
apenas 0,6% são águas doces superficiais sendo
que um pouco mais da metade está disponível nos
lagos e nos rios. Nosso corpo também é em sua
maior parte constituído por água e por isso
nossa vida depende diretamente dela.
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Cada
vez mais vemos crescer a consciência sobre sua
importância vital, porém, mesmo sabendo da
incomensurável importância para nossas vidas e
do risco eminente da falta da mesma, muitos
ainda continuam poluindo rios e reservatórios
com esgotos domésticos e industriais, retirando
vegetação protetora das margens e mananciais, o
que apressa seu assoreamento, envenenando com
metais pesados e agrotóxicos, construindo em
suas margens e modificando seus cursos, além de
muitas outras agressões. Ao mesmo tempo,
empresas multinacionais, que já entenderam o
valor vital da água, resolveram agora embutir um
valor econômico, transformando o que deveria ser
direito de todos em mais um bem de consumo, um
produto para enriquecer ainda mais quem já tem
bastante dinheiro.
 Imagem:
http://www.educarede.org.br/ |
A natureza, o homem e até mesmo as
cidades estão interligados e dependem de um
equilíbrio do ciclo da água. Apenas quando
tivermos um destino adequado para todo o lixo e
todo esgoto produzido nas áreas urbanas,
poderemos garantir a conservação de nossos rios
e mananciais. Por isso é preciso combater a
poluição dos rios, impedir a ocupação irregular
de seus leitos e, principalmente, investir em na
recomposição das matas ciliares e dos
mananciais. A vegetação ciliar, ou matas de
galeria, atuam como um amortecedor das chuvas,
ajudando o solo a absorver cerca de 99,5% das
suas águas, que são posteriormente liberadas
lentamente para o lençol freático, mantendo
desde mananciais e rios até olhos d’água e
nascentes. |
A ÁGUA EM NOSSAS
VIDAS
A água, como todos
sabemos, é um elemento essencial para que a vida
exista na Terra. Nenhum ser, animal ou vegetal
sobrevive sem ela. Mas esse não é seu único
papel na natureza. Como agente intempérico ela
molda rochas, modifica paisagens, forma rios,
mares e lagos. Sem sua ação intempérica não
teríamos o solo que nos dá alimento e é
sustentação de grande parte da vida vegetal
existente.
A água também enfeita nossos
céus. Quem nunca brincou de descobrir a forma
das nuvens quando era criança, quem nunca parou
para observar as nuvens no horizonte durante o
crepúsculo. Na imensidão branca do Alaska, ou no
deserto de gelo da Antártida, assim como nos
cumes das montanhas a água se apresenta em
estado sólido, formando paisagens exuberantes
que atraem a curiosidade de milhares de
aventureiros.
No ambiente urbano a água
tem um papel fundamental, podendo ser fonte de
vida ao saciar nossa sede e ajudar em nossa
higiene, ou fonte de graves doenças, quando é
poluída por nossos próprios dejetos
transformando-se em um veículo para micro e
macro organismos maléficos. Ela também é
essencial para regular o clima da cidade, pois
como tem capacidade de armazenar calor pode
colaborar com o arrefecimento da mesma. Em
cidades onde a água e a vegetação aparecem com
menor freqüência, o micro clima urbano pode
variar em até 9ºC a mais do que em ambientes
naturais.
A chuva faz parte do ciclo da
água, e é graças a ela que muitos de nossos
mananciais se mantém abastecidos, que nossas
lavouras continuam produzindo alimentos para
nossa mesa, porém, ao encontrar o solo
impermeabilizado da cidade, o que é uma dádiva
para a agricultura pode se tornar um pesadelo
para muitos.
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A ocupação irregular em áreas de alagamento
(várzeas), a poluição excessiva, a retirada
indiscriminada das matas ciliares e a própria
impermeabilização do solo urbano são
responsáveis por enchentes que deixam milhares
de pessoas desabrigadas todos os anos. É a
natureza dando sua resposta pelos ataques que
sofre.
A água no ambiente urbano
também pode ter sua função estética e de lazer.
Enfeitando praças e chafarizes, formando lagos,
ou sendo utilizada em parques aquáticos e
clubes, ela também ajuda a melhorar nossa
qualidade de vida.
A água é uma grande
aliada da vida, mas muitas vezes nós mesmos a
transformamos em uma arma por não respeitá-la da
forma devida. O futuro de todo o planeta depende
dela, e está em nossas mãos encontrar meios para
preservá-la. |
PERIGO NO
PLANETA ÁGUA
Nos últimos 50 anos
a população mundial passou de 2,5 bilhões de
pessoas para 6,1 bilhões. Estima-se que
até 2050 nosso palneta tenha entre 9 e 11
bilhões de habitantes. Com este crescimento
populacional, cresce também a demanda por
alimentos, por energia, água e recursos
minerais, aumentando também a poluição e a
degradação ambiental.
Atualmente a
proporção de área cultivada por pessoa
caiu de 0,24ha/pessoa em 1950 para 0,12ha/pessoa
em 2000. Calcula-se que em 2050 a proporção será
de 0,08ha/pessoa. A terra agriculturável é cada
vez mais escassa e a biotecnologia já provou não
ser eficiente no aumento da
produtividade.
Dentro deste contexto, nos
resta uma grande esperança nos oceanos e nos
mares. Dois terços da superfície do planeta
estão cobertos por águas salgadas,
caracterizando-se como uma fonte importantíssima
de riquezas, de energia e principalmente, de
alimentos. Se forem explorados de maneira
sustentável, os oceanos e os mares podem
contribuir em muito com a solução de nossos
principais problemas.
Todos os anos
são capturados no mundo cerca de 90 milhões de
toneladas de peixes, que além de gerar renda
para milhares de famílias de pescadores e de
comerciantes, ainda ajudam a amenizar a fome e a
melhorar a dieta de muitos. Os oceanos também
ajudam a estabilizar o clima mundial, são fonte
de água potável, após tratamento especial, em
muitos países onde a água doce é escassa, e
também são considerados uma importante fonte
alternativa de energia elétrica e de
combustíveis fósseis. Trinta por cento da
produção mundial de petróleo provém dos mares,
sendo que o Brasil é líder mundial na exploração
em grandes profundidades. O transporte marítimo
é responsável hoje por oitenta por cento do
comércio mundial.
Com todos estes
argumentos, fica fácil perceber que a vida e o
futuro na Terra dependem também da utilização
correta dos mares e dos oceanos, porém, não
estamos tomando todos os cuidados que
deveríamos. O litoral brasileiro, por exemplo, é
famoso por bons e maus motivos. Com suas praias
exuberantes e seus portos indispensáveis para o
escoamento de nossos produtos, também enfrenta o
despejo de esgotos de cidades inteiras além da
falta de consciência de muitos turistas e
empresas que colaboram diretamente no aumento da
poluição. Acidentes com petroleiros também tem
colocado em risco nossas águas salgadas. Exemplo
disso foram os dois petroleiros, o Erika, ao
largo da costa de França, e o Prestige, ao largo
da costa da Galiza, que juntos causaram um dos
mais graves acidentes ambientais da
história.
Alguns poucos homens, na
ganância de satisfazer seus desejos
capitalistas, já destruíram grande parte dos
ambientes naturais de nossos continentes,
colocando em risco todos os demais seres
humanos, agora, estão acabando com os Oceanos,
antes mesmo que possamos conhece-los melhor.
Precisamos fazer algo imediatamente, pois é o
nosso futuro e o de todas os formas de vida que
está em jogo.
VAI
FALTAR ÁGUA! A vida
começou com a água e a falta dela pode nos
extinguir. Segundo a ONU, até 2025, dois bilhões
e setecentos milhões de pessoas vão sofrer
severamente com a falta de água. O homem é o
grande consumidor de água doce, em média são
utilizados 200 litros de água/dia/pessoa, em
números aproximados.
Sabe-se que o
consumo de uma família na cidade é seis vezes
maior que de outra família no campo, porém, o
consumo de água na agricultura é responsável por
70% do total mundial. Uma descarga sanitária
equivale a doze litros, e para se lavar uma
quantidade de roupas na máquina, o consumo
aproximado é de 120 litros. Um quilo de carne
corresponde a 18.000 litros de água que foram
fornecidos direta ou indiretamente ao animal que
lhe deu origem, até a carne estar pronta para o
consumo.
Graças a esse consumo
exagerado, rios famosos como o Nilo ou o
Colorado já não conseguem alcançar sua foz na
estação seca. Até mesmo o Mar de Aral na Rússia
teve seu volume diminuído pela metade devido a
utilização de sua água na agricultura. Todos os
setores da economia necessitam de grandes
quantidades de água, por isso a preservação dos
nossos recursos hídricos devem tornar-se
prioridade imediata no que se refere à sua
qualidade, pois direta ou indiretamente todos
dependemos deles.
| Um litro de esgoto lançado em um rio deixa
centenas litros de água impróprios para consumo.
Esse tipo de poluição é responsável por 5
milhões de mortes por ano, causadas por doenças
como a cólera e a disenteria. A degradação de
nossos recursos hídricos também está diretamente
ligada com os desmatamentos, causados pela
mineração e pela urbanização. Isso tudo é
resultado da irresponsabilidade dos governos,
das indústrias e até mesmo da sociedade, que
durante anos não respeitaram as legislações
ambientais, por desconhecimento ou mesmo pela
constante busca do lucro fácil, resultando na
diminuição de investimentos no tratamento de
seus resíduos. |
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Através da lei 9.433/97 o uso
e a poluição da água começarão a ser cobrados
com a intenção de reduzir o consumo e punir quem
não se preocupa com a sustentabilidade de nossos
recursos hídricos, mas é preciso que a população
participe deste processo, tanto na fiscalização,
como com denúncias e mesmo com a mudança de seus
próprios hábitos, ou não conseguiremos reverter
estas tristes estatísticas que podem nos levar a
uma catástrofe
irreversível.
O PETRÓLEO
POTÁVEL
Desde a descoberta da
utilização do petróleo como combustível e como
matéria prima para a indústria pudemos assistir
centenas de conflitos bélicos e comerciais pela
disputa do chamado “Ouro Negro”.
Atualmente estamos vivenciando a busca por novas
fontes de energia, já que a previsão para as
reservas mundiais não ultrapassa trinta anos.
Porém, as guerras não deverão acabar por esse
motivo, muito pelo contrário, a tendência é que
elas mudem seu foco para outro líquido precioso,
o “petróleo potável”, isto é, a água.
Em
muitos países, a guerra já começou há séculos
com é o caso do Oriente Médio e Norte da África.
Suas populações continuam crescendo e seus
reservatórios continuam diminuindo. Com menor
valor econômico mas não de menor importância, a
água é essencial para a sobrevivência humana,
animal e vegetal. Sem ela, todo o planeta corre
risco, toda vida existente na Terra nasceu da
água e poderá desaparecer pela falta da mesma.
| Arte
Online/Folha Imagem |
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| Fonte: IWMI
(International Water Management
Institute) | |
No Brasil, temos concentrada
na bacia Amazônica 16% de toda a água doce
disponível no planeta além da maior reserva de
água subterrânea do mundo: o Aqüífero Guarani No
total, utilizamos apenas cerca de 1% de nossas
reservas enquanto a China acompanha seu lençol
freático baixar 1,5 metro por ano, já somando 59
metro a menos nos últimos 35 anos. Eles também
enfrentam junto com os Estado Unidos, Chile,
Argentina e Índia a presença de pequenas
quantidades de arsênico na água que levam todos
os anos milhares de pessoas à morte com câncer
de pele, diabetes, doenças vasculares,
digestivas, hepáticas, nervosas e renais. A
natureza se encarrega de evaporar a água dos
oceanos, transformá-las em água doce e
entrega-las a terra, porém, antes de chegar a
superfície ela passa por gases tóxicos emitidos
por indústrias e automóveis, depois encontra
solos saturados de agrotóxicos, cidades e rios
poluídos.
A ação não significa
recuperação imediata, quando ela é apenas
localizada e não geral os resultados são ainda
menores. Precisamos urgentemente mudar nossas
atitudes pois apenas com uma reversão global de
valores conseguiremos evitar uma catástrofe
mesmo que a longo prazo. No Brasil ainda temos
muita água, mas ela não servirá de nada se
estiver completamente poluída.

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